COLUNA | É bar ou balada?

Homem na frente de um prédio

Descrição gerada automaticamente

Um fato que devemos observar a respeito da Pandemia do Covid-19 é que o isolamento social pode afetar mais a saúde mental da comunidade LGBTQIA+.

Sim, amigos. Mesmo com todos os avanços que conseguimos (união estável, permissão para o casamento civil e a criminalização da homofobia), querendo ou não, somos minoria, sim, e sempre daremos preferência a locais voltados para nós.

Você já parou para pensar que os heterossexuais têm a maioria do seu círculo de amigos formado por pessoas do colégio, da faculdade, do condomínio e do trabalho? Ou seja, pessoas que já fazem parte do seu dia-a-dia?  Por isso o fechamento de bares, baladas, shows e praias não faz tanta diferença para eles: já estão acostumados a se relacionar com pessoas que já fazem parte do seu círculo cotidiano.

Pra nós do Vale não é assim tão simples. Muitos de nossos amigos conhecemos em redes sociais, em baladas ou através de amigos em comum. Até em aplicativos de pegação. Quem nunca?

Uma boa parte deles mora longe de nós, têm profissões diferentes e vivem outra realidade socioeconômica, ou seja, nossa “bolha social” é muito mais heterogênea. Quantos amigos você tem que nunca foram na sua casa? Que nunca viajaram com você? Que raramente encontra fora da balada? Que não conhecem sua família? Olha aí o reflexo dessa diversidade.

Então, no momento em que nossos locais são fechados, essa conexão se perde, ainda que momentaneamente. Dá saudade. Fica mais difícil manter a saúde mental.

Sem falar que muitos de nós ainda convivem em famílias, moram em bairros e trabalham em locais que, infelizmente, não são muito amigáveis.
Exercer a homossexualidade ainda é um ato político, mas também cansa em algumas horas.
O final de semana sobra como a única chance de extravasar, o que me faz lembrar a letra da música Perfect Universe, de Allan Natal, cujo trecho transcrevo abaixo, em tradução livre:

“Estive esperando
Estive contando os dias
Para ir a algum lugar em que eu possa respirar
Eu tenho sonhado
Durante toda a semana
Está dentro da minha mente
Meu universo perfeito”

Aos poucos, a gente está voltando a ocupar as lacunas abertas nos últimos meses, mas com responsabilidade e segurança.

O pico da pandemia aparentemente já passou, mas ela ainda não acabou. E a vacinação em massa ainda parece um sonho distante no momento.

Por isso, não vá as festas clandestinas!

Vamos prestigiar a criatividade e empreendedorismo dos empresários que tem feito a diferença.

Que tem se adaptado às normas vigentes, ao invés de escrever textão em rede social. Que estão arregaçando as mangas e se adaptando aos novos tempos. Se reinventar é preciso.

Temos alguns exemplos nas grandes capitais que tem dado supercerto, seguindo todos os protocolos de segurança (entrada com máscara, medição de temperatura e disponibilização de álcool gel), além da capacidade reduzida.

Em São Paulo, um dos exemplos é a Festa Lunática, que voltou em formato de pizzaria, bar e show. Funcionando com sistema de reservas, todo mundo toma seu drink, come uma maravilhosa pizza e assiste sentadinho aos shows das nossas amadas drags.

Já a Boate Eagle, voltada pra comunidade Ursina, reabriu como Hamburgueria Gourmet e está entregando os pedidos via aplicativo de celular.

Uma das casas mais tradicionais da capital paulistana, a Tunnel tem aberto todos os sábados, para feijoada.

No Rio de Janeiro, não é diferente. A Fênix, em Campo Grande, agora o Fênix Bar, tem promovido os eventos em sua área externa, que foi reformada antes da pandemia e que ficou muito bacana.

No coração da Zona Sul, o Pink Flamingo, em Copacabana, pioneiro no formato Bar/Balada em terras cariocas, reabriu com capacidade reduzida. Tem que chegar cedo para conseguir entrar.

Outro point que tem dado certo é o UP Turn, na Barra da Tijuca, agora UP Bar. Para evitar aglomeração, eles aumentaram o número de mesas e colocaram uma mesa de sinuca bem no meio da pista de dança. Justiça seja feita, o local é um dos únicos que sempre teve um cardápio de sanduíches e petiscos. Excelentes, por sinal.

Já o Street Bar, na Lapa, que foi recentemente ampliado (e quando voltar a funcionar como balada terá QUATRO pistas), tem operado com a capacidade permitida, de quinta a domingo. Pra quem curte Pop e Funk, é a pedida certa. Estivemos lá para conferir, e a nova estrutura realmente impressiona.

No novo normal todos os eventos terminam no horário determinado pelas Prefeituras. No Rio de Janeiro, impreterivelmente a 1h da manhã.

E quer saber? Tem gente gostando desse horário. Você janta, vai pro fervo cedo, volta cedo e não perde uma noite de sono.

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