ENTREVISTA | LUAN POFFO: O vencedor da categoria DESTAQUE do prêmio Melhores do Ano 2025

Com mais de uma década de estrada e uma conexão orgânica avassaladora, Luan Poffo fala sobre sua vitória na edição de 120 mil votos e a força da comunidade LGBT nas pistas.

A edição 2025 do prêmio Melhores do Ano da Colors DJ Magazine entrou para a história com a marca impressionante de 120 mil votos no total, consolidando-se como a maior votação já realizada pela revista. No topo dessa lista, aclamado pelo público após uma curadoria técnica rigorosa, está Luan Poffo

Com uma carreira sólida de 10 anos, Luan transcende o “Open Format” para se tornar um símbolo de representatividade e consistência. Nesta entrevista exclusiva, ele abre o jogo sobre as polêmicas de bastidores, a mobilização real de sua base de fãs e os próximos passos de sua carreira.

Luan, parabéns pelo título de DESTAQUE! Vencer em uma edição histórica que alcançou 120 mil votos totais é um marco. Qual foi o primeiro pensamento que passou pela sua cabeça quando soube que o público te colocou no topo em meio a tantos nomes de peso?

Foi uma mistura de surpresa e emoção. 120 mil votos no total da premiação é algo realmente inacreditável, principalmente considerando o nível dos artistas que estavam concorrendo: tantos nomes LGBTs incríveis que eu admiro e respeito. O que mais me marcou foi ver a minha comunidade se mobilizando de verdade. Sentir esse apoio, essa união, foi muito especial pra mim. Eu não vejo essa vitória como algo individual, mas como uma conquista coletiva com as pessoas que admiram o meu trabalho. São mais de 10 anos de carreira, e ter um reconhecimento desse tamanho justamente agora faz tudo ganhar ainda mais significado. Pra mim, é um marco muito importante nessa trajetória como artista, DJ e produtor musical.

​Você participou de uma “peneira” rigorosa da revista, envolvendo agências e curadoria técnica, antes mesmo de chegar ao voto popular. O que esse reconhecimento inicial da equipe da Colors significa para a sua carreira hoje?

Se destacar na cena de DJs e artistas, especialmente dentro do Open Format e da música eletrônica LGBT brasileira, já é um desafio enorme. Mas, pra mim, mais difícil ainda é se manter relevante ao longo do tempo. Por isso, receber esse olhar da Colors depois de mais de 10 anos de estrada tem um significado muito especial. É um reconhecimento de toda uma trajetória de trabalho, de saber se reinventar e de ter consistência. A gente sabe que precisa estar sempre evoluindo, trazendo novas músicas, novos sets, novos formatos e, no contexto das redes sociais, isso se torna ainda mais desafiador. Tudo muda muito rápido. Então eu fico muito honrado, orgulhoso e satisfeito de ver que estamos construindo uma história consistente. E, ao mesmo tempo, com a sensação de que isso tudo ainda é só o começo.

Esta edição foi a mais diversa da história da revista. Como você vê a importância de um prêmio que não cobra dos artistas e busca representar todas as regiões e vertentes do Brasil?

Quando a gente fala de diversidade, é fundamental ir além do óbvio. Não é só sobre diferentes corpos, mas também sobre diferentes origens, estilos e formas de expressão artística que cada artista leva ao público. Por isso, eu vejo como um grande acerto da premiação buscar representar essa pluralidade de verdade. Fico muito feliz de, em meio a esse processo tão criterioso da revista para selecionar artistas que realmente se destacaram, ter sido escolhido como o grande destaque de 2025. Isso torna essa conquista ainda mais significativa pra mim.

​Infelizmente, o sucesso gera ruído. Houve acusações infundadas de “bots” contra os líderes da votação. Como você recebe essas críticas sendo um artista que constrói sua base de fãs de forma real e orgânica há anos?

Eu tenho um respeito enorme por todos os artistas que estavam nessa competição. Todo mundo ali se dedicou muito e tinha o desejo legítimo de conquistar esse espaço, então deixo aqui minha admiração e carinho por cada um. Foi, sem dúvida, uma disputa muito acirrada. E, do nosso lado, houve uma mobilização muito forte. A gente se organizou, ativou a base no grupo do WhatsApp, criou uma corrente de apoio com fãs, amigos e família, e manteve essa energia constante ao longo dos dias. Todo mundo esteve presente todos os dias, sem deixar a energia cair. Contamos para todos que fizessem mais de um voto para que a gente conseguisse estar à frente na competição. Acho que essa consistência e esse envolvimento fizeram toda a diferença pra essa conquista.

A revista investiu em mecanismos de proteção e auditoria para garantir a verdade. Sabendo do cuidado que tivemos, qual a sua mensagem para quem tenta deslegitimar uma vitória conquistada no “grito” da sua torcida?

Pra quem ainda questiona essa vitória, eu acredito que a melhor resposta está na nossa trajetória. Nada disso começou agora. São mais de 10 anos de carreira, construindo um trabalho sólido, consistente e, principalmente, uma conexão real com o público. Hoje, minhas redes alcançam mais de 700 mil pessoas, e isso é resultado de um crescimento orgânico ao longo do tempo. Além disso, a gente vem expandindo essa presença também internacionalmente. Estamos prestes a iniciar mais uma turnê na Europa, passando por cidades como Viena, Amsterdã, Lisboa, Porto, Dublin e também apresentações na Suíça. Tudo isso mostra que existe um trabalho contínuo, que vai além de uma votação. As pessoas acompanham, se identificam e se envolvem e essa vitória é reflexo direto dessa construção coletiva.

​Em um meio muitas vezes movido por vaidade, a Colors faz esse trabalho por puro amor à música. Como você avalia o respeito e a parceria que se criou entre você e a revista durante todo esse processo?

A gente já vinha construindo uma relação de confiança muito sólida com a Colors, principalmente na divulgação de lançamentos, turnês e novidades da carreira, tanto no Brasil quanto no exterior. Com essa vitória, esse vínculo se fortalece ainda mais. É uma parceria que cresce junto, e que amplia a forma como conseguimos comunicar tudo o que está por vir. Esse tem sido um ano muito especial pra mim, com muitas oportunidades em diferentes frentes: do Open Format ao EDM, passando também por eventos sociais (Casamentos e 15 Anos) e corporativos. É um trabalho bem abrangente, que reflete essa versatilidade na minha identidade como DJ. Além disso, seguimos com uma agenda intensa de shows pelo Brasil e com a continuidade da turnê internacional agora em abril e maio, passando por grandes clubes na Europa. Tudo isso é resultado de uma construção que vem acontecendo de forma consistente nos últimos anos.

O que você diria para os outros indicados da sua categoria? Como é fazer parte de um grupo que, independente do vencedor, já representava o que há de melhor na cena nacional?

Meu recado para os outros indicados é que continuem evoluindo. Quando um artista cresce, toda a cena cresce junto. Principalmente dentro do Open Format, é fundamental valorizar o estudo e o aprimoramento técnico, seja na mixagem, na produção musical, na mixagem harmônica ou na criação de mashups e remixes. Tudo isso eleva o nível do mercado como um todo. E falando especialmente da nossa comunidade, eu acredito muito na importância de ver mais artistas LGBT ocupando espaços de destaque. A cena é diversa, aberta e construída por muitas mãos e isso é lindo. Mas, ao mesmo tempo, é essencial que a gente esteja preparado, qualificado e pronto pra sustentar esses espaços. Porque talento precisa vir acompanhado de dedicação, consistência e muito trabalho. Eu quero, de verdade, ver cada vez mais artistas LGBT no topo e isso começa com a gente se fortalecendo, estudando e evoluindo juntos.

​A votação em massa provou que o seu engajamento é real. Como você cultiva essa conexão tão forte com o seu público a ponto de eles pararem a rotina para te dar essa vitória?

Eu sou profundamente grato à minha comunidade. O que a gente construiu ao longo dos anos é um vínculo muito real, muito forte e isso não começou agora. Em praticamente todos os eventos, alguém vem falar comigo, contar que me acompanha desde os primeiros vídeos no YouTube, lembrar de fases da minha vida, da minha trajetória até da minha irmã, que muita gente viu crescer. Isso mostra o quanto essa conexão é forte e verdadeira. Desde o início, sempre existiu um propósito muito claro de fortalecer pessoas, trazendo mais confiança, autoestima e liberdade pra que cada um pudesse ser quem realmente é. E é exatamente isso que eu levo pro palco hoje: um trabalho com emoção, com alegria, com identidade. As pessoas sentem isso e se conectam de forma genuína. Então essa conquista tem um valor ainda maior pra mim, porque vem desse carinho real e de muita dedicação. É uma troca. E eu sou muito grato por ter sido escolhido como DJ destaque de 2025.

Muitas pessoas esquecem que, por trás do DJ, existe um ser humano que se dedica 24h por dia. Onde você buscou forças para manter o foco na arte enquanto as polêmicas aconteciam nas redes sociais?

Pra ser sincero, eu não dei foco para polêmicas ou comentários negativos. Sempre procurei direcionar minha energia para o que realmente importa: o meu trabalho. Estou constantemente buscando evoluir, seja nas músicas, nos sets, nas mixagens ou nos shows, com o objetivo de entregar uma experiência cada vez melhor e alcançar mais pessoas. Acredito que, quanto mais visibilidade a gente ganha, mais opiniões e críticas naturalmente vão surgir. Isso faz parte do jogo.

Para fechar: ser o DESTAQUE de 2025 da Colors DJ Magazine traz qual responsabilidade para os seus próximos passos em 2026?

Ser o destaque de 2025 da Colors é uma conquista incrível, mas também traz uma grande responsabilidade: honrar esse espaço. 2026 vai ser um ano de muito trabalho, com novos projetos, lançamentos e uma evolução ainda mais clara da minha identidade artística. Acabo de passar por uma experiência maravilhosa como embaixador e atração do Ski Pride Kaprun, na Áustria, onde pude levar a nossa essência brasileira para o topo das montanhas e apresentar em primeira mão o meu novo single, ‘The Sound (Sentando)’, que chega oficialmente às plataformas no dia 8 de maio. Essa turnê segue agora para mais cinco cidades europeias e marca uma virada de chave importante. Essa primeira década de trabalho foi sensacional, mas agora é sobre dar um passo ainda maior, com mais estratégia e consistência. Estar ao lado da Colors nesse processo faz todo sentido: podem ficar de olho, porque esse é só o começo de uma nova fase.