COLUNA | Vermelhou!

Por Samuel Ribeiro.

Já estão muito consolidados o Outubro Rosa e o Novembro Azul, que são campanhas que chamam atenção para a prevenção do câncer de mama e de próstata, respectivamente, mas hoje quero chamar atenção para o Dezembro Vermelho.

Apesar da campanha ter início em 1987 pela ONU e ter chegado no Brasil em 1988, só foi oficialmente reconhecida aqui em 2017.

O objetivo é chamar atenção para as medidas de prevenção, assistência, proteção e promoção dos direitos das pessoas infectadas com o HIV. O mês de dezembro foi escolhido pelo Ministério da Saúde em razão do Dia Mundial de Combate à AIDS, que é o dia 1º de dezembro.

Quem passou pela década de 80, com certeza, tem memória do pavor causado por este vírus. Inicialmente considerada uma doença homossexual e masculina, deixou muitos estigmas e isso foi facilmente traduzido em preconceito.

Mesmo com um tratamento extremamente eficaz (fornecido gratuitamente pelo SUS), ainda existem muitas questões em torno desse tema.

Aqui eu trarei as que mais me preocupam a fim de despertar uma reflexão e, quem sabe, diminuir este preconceito, que talvez você não perceba que existe no seu mais íntimo.

Sim, a convivência com o HIV pode acontecer de forma “muito tranquila”, desde que diagnosticado e com a medicação sendo realizada com rigor, mas isso não quer dizer que é fácil.

Até que consiga chegar a uma carga viral indetectável, é preciso muito acompanhamento e controle, além de lidar com os efeitos colaterais do medicamento.

O próprio conceito de indetectável não é compreendido pela grande massa: sim, o indivíduo tem o vírus no seu organismo, mas ele está controlado a ponto de não infectar mais ninguém. Ainda assim, existe muito preconceito.

É extremamente comum e prudente os soropositivos receberem a instrução de seu infectologista para manter segredo da sua condição sorológica. Isso porque as reações são as mais surpreendentes e a grande maioria chateia o interlocutor.

De fato, o mais complicado deste tratamento deve ser se acostumar com os olhares tortos e a dificuldade de estabelecer uma relação amorosa sólida, se forem divergentes sorologicamente. Ou, a quem preferir, conviver com este segredo.

Então, é melhor acabar com esse discurso de que tudo bem ser infectado, ok? O cuidado deve existir sempre.

Realmente é muito bom sabermos o quanto o tratamento evoluiu, é reconfortante saber que é possível conviver com o vírus em paz, mas é melhor deixar somente se houver um acidente, não?

Melhor viver sem a obrigação de tomar comprimidos diários e sem controle rígido de carga viral, CD4 (células do sistema imunológico), rim e fígado.

No Brasil é muito comum a simplificação de questões importantes como esta. Não à toa, o último boletim do Ministério da Saúde apresentou aumento nos casos de novas infecções. Previna-se!

Minha última questão aqui é o reforço da necessidade de teste. Se houve qualquer situação que te expôs ao risco, deixe de bobagem, atropele seu medo, engula seu preconceito e FAÇA O TESTE.

Como já citei, o tratamento é muito eficiente, mas é preciso ser diagnosticado e iniciado para que se possa ter paz.

É muito importante começar a medicação antes que o vírus prejudique muito o sistema imunológico e dê abertura a doenças oportunistas, levando ao óbito do indivíduo. É inadmissível aceitarmos que ainda haja perda de pessoas por essa razão, já que temos gratuitamente formas de prevenção e de tratamento.

Se for por falta de informação, espero ter contribuído para a diminuição destes casos.

Ah, sobre o preconceito, espero que este texto gere curiosidade suficiente para motivar uma pesquisa detalhada e que coloque um fim nessa ignorância*

*ignorância

substantivo feminino

  1. 1.
    estado de quem não está a par da existência ou ocorrência de algo.
    “i. dos fatos políticos”
  2. 2.
    estado de quem não tem conhecimento, cultura, por falta de estudo, experiência ou prática.
    “i. musical”

Sejamos inteligentes.

Previna-se!

Se posto em risco: Faça o teste!

Se positivo: Inicie o tratamento!

Pratique a empatia!

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