COLUNA | As transformações na divulgação das festas

Festa cheia sempre foi sinônimo de sucesso. O público gosta daquele “vuco vuco”, ver muita gente, conhecer pessoas, conversar no fumódromo, beijar na boca, saber que todos os espaços estão preenchidos. O DJ se anima mais quando vê a pista lotada, com gritos a cada virada e nem vê o tempo passar. O organizador/proprietário fica com aquele sorriso quando seu evento/club está abarrotado. Mas… E pra encher a festa? Quais são os caminhos? E o que mudou nos últimos anos?

Atualmente a divulgação das baladas é feita 80% via redes sociais. Cada festa tem sua equipe de divulgação e quanto maior a festa, maior a equipe. Através do instagram, facebook e whatsapp são postados flyers, vídeos, stories, reels, status, histórias. Também são enviadas listas de transmissão, são feitas divulgações em grupos, app de encontros e realizados promoções e sorteios de ingressos ou brindes para atrair o público. O impulsionamento das publicações é ainda utilizado por alguns eventos. Existem casos de donos de casas noturnas que preferem não gastar com equipe de promoção e usar todo o orçamento em impulsionamento nas redes sociais. Os outros 20% que restam se dividem entre rádio, jornal, TV, panfletos/flyers impressos, cartazes, outdoors, lambe lambe e outras mídias pequenas.

Conversei com dois ícones da noite que me contaram um pouco das mudanças na divulgação nas últimas décadas.

Maria do Céu, proprietária do Club Metrópole (Recife-PE), casa que eu sou apaixonado e tenho o enorme prazer de tocar desde 2007, me contou que eram feitas panfletagens de flyers em lugares estratégicos, cartazes eram impressos, a agenda cultural do jornal era importante para atrair o público e para o pós venda do evento.

No início da internet, ela criou o “divã cibernético” para os clientes do Dr. Froid, club que comandava na época, entrarem nas salas de bate papo. Isso fazia com que fosse feita uma divulgação gratuita na rede.

Como Recife é uma capital de destino turístico muito grande, Maria fazia parceria com os hotéis, deixava flyers, oferecia “Welcome Drink” para os turistas e fechava promoções com marcas de bebidas.

Até 2010, o rádio, chamadas comerciais e programas de DJ eram um bom investimento para anunciar a programação semanal do club. E, se o evento fosse extremamente grande, recorriam à Rede Globo.

No site eram postadas fotos do evento e o telefone era uma das principais ferramentas para a comunicação mais próxima com o cliente. Atualmente, o Club Metrópole não tem mais site e o telefone foi substituído pelo Whatsapp.

Maria do Céu e sua equipe também trabalham atualmente com a divulgação pelo instagram/ facebook/twitter e realizam venda através de sites de ingressos.

Graziela de Campos é proprietária do Bar da Grá (São Paulo-SP), uma das primeiras baladas que eu fui residente, em 2004. Ela frisou o poder da internet como influenciadora na mudança da forma de se divulgar.

Nos anos 2000, sua equipe de promoção trabalhava com os flyers de papel, que eram distribuídos em pontos chave e com as mensagens de texto que traziam a programação das festas.

“Atualmente estamos mais expostos do que nunca”, disse Grá, quando se referiu ao modo de se divulgar fotos e vídeos em tempo real para atrair o público.

Eu, como DJ e produtor de eventos, vivi todos esses processos de divulgação que foram citados pelas queridas Grá e Maria do Céu. Lembro também que o Orkut, MSN, ICQ, mailing de email, newsletter, flog, vlog eram importantes para divulgar. Liguei para convidar e recebi muitas ligações (em telefone fixo) e promoters me chamando para eventos. Eu adorava quando chegavam convites de eventos semanais pelo correio! Mas o divulgador de rua que eu nunca vou esquecer era um que ia com um cachorrinho entregar os flyers. Era diferente de tudo!!! Chamava a atenção e todos pegavam os flyers dele!

Essas transformações foram ocorrendo, pouco a pouco, em 20 anos. Eu arrisco dizer que em 10 anos muita coisa vai mudar!!! O importante é se atualizar para garantir o que mais gostamos e queremos: FESTAS CHEIAS!!!

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