COLUNA | Um pedido de compaixão

Foto divulgação

Eu sou uma pessoa extremamente irritável. Eu sei, é um hábito terrível. Mas vivemos num mundo complicado, gente. Como não se irritar ao assistir meia hora de jornal?

Mas eu vim falar de algo mais palpável. Sabe aquela pessoa que te irrita só por existir? Ou aquela que te magoou tanto que dentro de você só existe raiva? Traições, grosserias, mau humor, comentários desnecessários? Pois é. Vim falar deles.

Sem aqueles que nos irritam, nunca teríamos a oportunidade de melhorar. Quando a gente olha pra alguém, em geral, estamos olhando para nós. Nós somos mais importantes, nós estamos sentindo, nós somos autocentrados.

Quando você pensa muito na pessoa que te machucou, seu fluxo de pensamento está nela, então quanto mais você quer se desvencilhar, mais apegada a ela você se encontra.

Vamos focar nessa pessoa: ela também está querendo ser feliz e o método dela tentar fazer isso pode ser querer diminuir o outro, ou seja, ela está mal, né? Ninguém faz isso estando bem. O pior que você pode fazer é apontar o dedo pra ela, porque aí você se transforma nela. Você tem a chance de escolher amor e compaixão.

Você pode pensar: eu te odeio, penso em várias coisas ruins, você errou, MAS, ao mesmo tempo, em outra camada, eu vou morrer, você também, a vida é difícil pra todos nós, e eu desejo que você seja feliz. Que essa pessoa realmente irritante mereça a felicidade tanto quanto eu mereço.

Podemos começar com as pessoas que temos relacionamentos menos difíceis e ir aumentando de grau. Por intermédio delas, podemos enxergar com clareza nossas defesas. Nesse caso, você pode pensar desde a sua irmã que não lava a louça até aquela que te traiu da pior forma.

Visualize todos seus desafetos na sua frente e invoque a bondade amorosa. “Que você seja feliz”. Expandimos nosso amor até onde conseguimos.

Você vai ter problemas, não será fácil, mas você vai ter uma mente que vai conseguir gerar mais amor e compaixão. O ponto principal é aprender a amar sem preconceitos, sem viés, sem orgulho, e assim fazemos amizade com nossos medos.

Amar sem preconceito e sem viés não é aceitar tudo que o outro faz mas sim por amor falar “isso aí não”, e então desejar que ele se ilumine no caminho.

Se você tem um ódio por um ser e não conseguir praticar esse amor sem preconceito, tudo bem, não é do dia pra noite, você já está tendo a sabedoria de que isso existe em você e o processo já está em andamento.

Você prefere ser feliz ou estar certa? Você tem a oportunidade de resgatar sua vida toda de volta que você colocou na mão do outro. Você aprende a bloquear o contato. Impedir que ele faça mal a você e ao mesmo tempo amar.

Você pode chamar a pessoa na sua cabeça e pensar que tudo que ela faz é na tentativa de ser feliz e desejar a felicidade. Porque a verdadeira felicidade não virá do ciúmes, do orgulho, da vaidade, do abuso, da crítica, então fica lógico que se você deseja a felicidade, você automaticamente liberta tudo isso.

E o que é felicidade genuína? É uma mente livre de todas as ilusões, é a felicidade daquilo que é possível, amor e felicidade são inseparáveis. Os seres mais felizes são os que mais amam. Para isso, você precisa descobrir as causas da felicidade pra você poder desejar pro outro. Esse é o caminho.

 

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