COLUNA | MÚSICA, INTELIGÊNCIA E Terapia – Parte 1

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Estudiosos e especialistas afirmam que a relação das pessoas com a música eletrônica contribui para que elas consigam realizar tarefas com maior facilidade e eficiência. A música eletrônica também tende a ser repetitiva, o que é perfeito para a concentração e o foco, ajudando e muito em tarefas repetitivas.

Um estudo realizado recentemente pela organização britânica Mindlab – focada em pesquisas referentes ao impacto da comunicação no nosso cérebro – concluiu que alguns tipos de música estimulam a memorização e a assimilação do conteúdo que estudamos e trabalhamos, além de ajudar a reduzir erros quando comparado ao não se ouvir música.

Existem diferenças no efeito da música, mesmo dentro do mesmo gênero. Por exemplo, sobre o Efeito Mozart, um estudo realizado pela Universidade Sapienza de Roma descobriu que, ao ouvir “Allegro” de Mozart, desencadearam mudanças na atividade cerebral ligadas à memória e à cognição. No entanto, as mesmas mudanças não foram registradas ao ouvir a melodia clássica de Beethoven, Für Elise. Um outro estudo sobre o efeito Vivaldi, “Four Seasons”, atuou positivo sobre o desempenho cognitivo de adultos em duas tarefas de memória operacional.

“Na última década, houve uma grande expansão nos conhecimentos das bases neurobiológicas do processamento da música, favorecida pelas novas tecnologias de neuroimagem”, segundo Aurilene Guerra, mestre em neuropsicologia e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Os estudos científicos comprovaram que o cérebro não dispõe de um “centro musical”, mas interpreta as diferentes alturas, timbres, ritmos e realiza a decodificação métrica, melódico-harmônica e modulação do sistema de prazer.

Segundo a professora, estudos científicos apontaram uma correspondência significativa entre a instrução musical nos primeiros anos de vida e o desenvolvimento da inteligência espacial, responsável por estabelecer relações entre itens e que favorece as habilidades matemáticas, necessárias ao fazer música, no processo de divisão de ritmos e contagem de tempo.

Estudos sobre a influência da música no comportamento humano categorizam, principalmente, dois estilos de música, a sedativa e a estimulante. A música de estilo sedativo compreende os andamentos lentos, com harmonias simples e leves variações musicais. Uma de suas características é o fato dela poder tornar suave uma atividade física ou aumentar a capacidade contemplativa do ser humano produzindo um efeito relaxante, com redução da frequência cardíaca, pressão arterial e ventilação. Ao contrário, a música estimulante pode produzir um efeito excitante aumentando o ritmo da respiração, da pressão arterial e dos batimentos cardíacos em consequência da ativação autônoma simpática que produz uma sensação de aumento do estado de alerta. Neste caso, uma pré-disposição à atividade motora é gerada assim como maior ativação mental devido seus tempos mais rápidos, forte presença de articulações em staccato (notas com curta duração), harmonias complexas e dissonantes e mudanças repentinas na dinâmica.

Alguns estilos musicais como heavy metal e o rap preocupam os pesquisadores devido à forte frequência de comportamentos de risco em suas letras. Ao contrário, a música clássica tem efeitos relaxantes e positivos sobre o humor, mesmo que não sejam as músicas preferidas ou habitualmente ouvidas. Assim, estudos demonstraram significativa redução nos níveis de estresse após quatro meses de sessões semanais de música clássica.

O psiquiatra americano Ira Altshuler, verificou durante suas experiências clínicas que a música cujo caráter e andamento coincidiam com o tempo mental do paciente, influenciava seu humor. Este médico tratava um paciente depressivo com músicas de caráter triste e em tonalidade menor ao passo que, para pacientes maníacos, empregava música de tempo “allegro” ou “vivace” devido seu tempo mental se apresentar disperso e rápido. Com o andamento adequado para cada um dos pacientes, o tempo mental era estimulado ao entrar em contato com a música.

Em síntese, além de “sermos o que comemos”, “somos o que escutamos”, transferindo nossos moods, idéias e desejos para os objetos de arte que consumimos, principalmente a música.

(Referencia: “A influência da música no comportamento humano” por Jessica Adriane Weigsding e Carmem Patrícia Barbosa)

Mozart – Allegro (Serenata em Si Maior: Allegro)

Beethoven – Für Elise

Vivaldi – Four Seasons

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