COLUNA | Sem juridiquês: Vamos falar de dinheiro?

Foto divulgação

Hoje, com as diversas formas de comunicação facilitadas através da internet, não basta saber fazer música, você precisa enfrentar a enorme concorrência com inteligência para sobreviver no mercado e viver disso.

O que mais tenho observado no meio musical é a falta de preparação do indivíduo para o mercado. Não digo em relação ao talento para música, mas, sim para o lado business.

Vimos nas edições anteriores que o DJ sequer é regulamentado como um profissional da música, imagine a dificuldade que ele suporta para crescimento no nicho musical.

Expliquei que existem diversas funções conectadas para a produção de um fonograma e a importância de providenciar o seu registro.

Porém, quem vive de música não se sustenta apenas com a execução de seus fonogramas. É preciso pensar como um empreendedor e é isso que o mercado está buscando.

Vamos dar o exemplo da Anitta: não é a voz mais potente, mas soube empreender o suficiente para ser conhecida internacionalmente e ser referência na música brasileira.

Ela é compositora, intérprete, produtora e empresária. Criou marcas, lançou tendência, fez parcerias importantíssimas e até lançou um desenho animado infantil (entre outras coisas). A mulher é uma potência como um todo.

Outros cases de sucesso são Alok – já mencionado por mim anteriormente – e Vintage Culture. Eles lidam com a sua carreira como uma empresa. Não entregam um set, mas um show completo.

Não é à toa que vemos vários artistas demitindo seus empresários e/ou se separando da própria banda para seguir a carreira solo.

Já ouvi bastante que quem se dá bem nesse meio é o empresário. Será?

Então, vale a pergunta: Você sabe o que um agente e empresário fazem?

Em resumo, o agente é o responsável pela venda de shows e recebe um percentual em cima destes.

Ele vende o show, intermedia negócios às custas do artista, ou seja, vende um produto que não é dele.

Já o empresário ou maneger é a pessoa responsável por transformar o artista em empresa. É o cara que pensa e gerencia a estratégia de business.

Vale dizer que o empresário precisa entender, além de música, mas também como o mercado funciona e como o artista deve se comportar em relação a este.

Esse indivíduo é quem traciona a carreira do artista, podendo ser investidor ou não.

O empresário celebra com o artista um contrato no qual unem seus recursos para o desenvolvimento do negócio/projeto conjunto, assim como dividem resultados, seja lucro ou prejuízo.

Devo esclarecer ainda a função da gravadora/selo, que é a pessoa jurídica que geralmente lança o artista e possui meios para inserir este na mídia. Esse conceito de gravadora está sendo reformulado, com base na necessidade do mercado, ante as mudanças da comunicação pela internet.

É importante, portanto, frisar que quanto mais funções (Artista, Produtor, Empresário) o DJ tiver na sua carreira, mais ele lucrará.

Fica a dica para os DJs: Abra uma empresa em nome do artista.

Isso é essencial para separar o Artista da Pessoa Física – exemplo: Anitta (artista) e Larissa (pessoa física).

Essa separação interfere em questões tributárias e de responsabilidade civil. Assim, desvincula a incidência do fisco e das responsabilidades indenizatórias (que por ventura possam ocorrer) da pessoa física. Isso traz uma blindagem, inclusive patrimonial.

Para a abertura de uma empresa é necessário contratar um contador.

Eu, como advogada, entendo ser essencial a consulta de um profissional da advocacia também, uma vez que a abertura de uma empresa pode ter diversas implicações jurídicas, incluindo questões contratuais com os envolvidos no projeto.

O DJ empreendedor (empresário) forma uma carreira sólida no mercado, consegue espaço em grandes festivais, forma parcerias positivas.

Nesse passo, sugiro aos DJs a terem um network interessante no meio e busque sempre conversar com outros DJs e produtores sobre música, carreira e tendências de mercado.

Outra dica que eu dou é: Estude!

Empreender muitas vezes está no sangue, mas administrar bem um negócio requer estudo e conhecimento.

Como o próprio Lukas Ruiz (Vintage Culture) afirma: “Busque conhecimento, sempre. Aprender tudo o que puder, seja no estúdio, seja na pista, seja sobre a cultura da nossa arte, conhecimento é a chave.” (Referência – https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/planeta-atlantida/2018

Portanto, DJ, entenda de música e de mercado, mas também de administração para empreender a sua carreira, transformar o seu talento em dinheiro.

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