fabio e ademar

MATÉRIA | A GENTE ADORA UM CASAL

Você sabia que existem na nossa cena vários casais de DJs?

Ter um relacionamento com alguém que exerce a mesma profissão parece fascinante.

Nessa reportagem vamos conhecer um pouco do dia-a-dia de alguns casais de DJs da cena eletrônica brasileira, falando sobre convivência, como lidam com os ciúmes e muito mais.

Os convidados desta reportagem são: Dri Toscano e Naya Galvão (Rio de Janeiro); Fábio Dias e Ademar Moura (Goiânia) e Yan Bruno e Tércia Lima, mais conhecida como DJ Lobinha (Fortaleza).

 

COMO TUDO COMEÇOU

Yan Bruno e Lobinha já eram DJs e produtores há muitos anos, antes de se encontrarem. “Aos poucos fomos nos conhecendo pelas redes sociais, e assim fomos criando uma grande conexão juntos, até sair o namoro”, relata Yan.

No caso de Fábio e Ademar, eles já se conheciam e eram até da mesma roda de amigos, mas só o Fábio tocava.

Quando começaram a namorar, Ademar pediu que Fábio lhe ensinasse a tocar, mas apenas por hobby, para tocar em sociais e festinhas de amigos. E assim foi ganhando experiência, até que acabou estreando oficialmente no aniversário de Fábio, uma festa grande, onde ganhou mais visibilidade e foi chamado para tocar em outras datas.

“Foi uma grande oportunidade. Eu sempre gostei muito de música, sempre admirei muito o trabalho de Fábio e quando tive a chance de que ele me ensinasse, foi amor à primeira vista por tocar“, conta Ademar.

Dri e Naya estão juntas há dois anos. Dri já tocava há 10 anos quando se conheceram. “No início da pandemia, estávamos as duas em casa, com equipamento, aí eu comecei a ensinar, a gente estava sem nada pra fazer. Mas Naya sempre gostou de música, inclusive ela que vai pra academia ouvindo música, faz tudo ouvindo música e eu não, sou uma DJ desnaturada nesse sentido, mas o grande lance é que quando a pessoa tem o dom, faz toda a diferença. Ela aprendeu muito rápido, daí em diante começou a tocar em alguns lugares que foram reabrindo, como terraço de hotel”, conta Dri.

Yan Bruno e Lobinha - Foto

AFINIDADE MUSICAL

 

“Nosso gosto musical é praticamente o mesmo, o que muda são algumas vertentes, que às vezes um gosta um pouquinho menos, mas ainda assim consegue ouvir tranquilamente. E quando se trata do Tribal House os gostos são realmente muito parecidos”, afirma Lobinha.

 

Dri e Naya tocam vertentes diferentes (Dri toca Tribal e Naya toca Deep House e Tech House), mas uma ama o trabalho da outra e acompanha a outra nas festas, quando podem. Além de compartilhar vários sons, Dri nos contou que elas compartilham de várias premissas em seus sets, como predominância de vocais, alternância de vocais femininos e masculinos e a mescla entre músicas atuais e antigas, estas últimas sempre repaginadas.

Fábio: “Temos bastante afinidade, em termos de pesquisa musical, mas cada um dos dois tem sua própria identidade musical. Seja em sets gravados ou ao vivo, conseguimos manter nossa individualidade, mas quando tocamos juntos temos muita sinergia”.

“Essa sinergia nossa tocando vem muito do nosso dia-a-dia, mesmo por conta da nossa convivência, da nossa rotina”, conta Ademar.

Dri Toscano e Naya - Foto Reprodução / Instagram

ROLA UM B2B?

Yan e Lobinha: “Sim, já tocamos várias vezes juntos e adoramos cada minuto de set!”

️Fábio: “A estreia oficial do Ademar foi justo um B2B comigo, no meu aniversário. Depois disso a gente já fez outras vezes B2B em festa, a galera pede muito, isso é muito bacana, a gente curte muito tocar juntos. E às vezes também tocamos separados no mesmo line”.

Ademar: “E os últimos B2B têm sido épicos, bem legais mesmo. Quanto mais a gente tem a chance de tocar junto, mais legal vai ficando, mais a gente evolui quanto à naturalidade, a sinergia, a presença de palco… O que o pessoal mais gosta de ver hoje em dia, além da música, somos nós dois juntos”

Naya nos contou que: “Já rolou, sim, mais de uma vez, lá no Hotel, a gente às vezes toca um B2B pra não ficar cansativo, pois é muito tempo tocando. Mas de um modo geral é mais difícil, pois como tocamos estilos diferentes, o contratante que chama a Naya é porque se interessa no meu som e o que chama a Dri é porque se interessa no Tribal”.

Fábio e Ademar - Foto Reprodução / Instagram

A QUESTÃO DO CIÚMES: COMO LIDAR? E QUEM É O MAIS CIUMENTO

Yan: “Ultimamente estamos mais tranquilos quanto a ciúmes, mas do casal eu sou um pouco mais ciumento”

 

“Nenhuma das duas é muito ciumenta, a gente lida muito bem com isso, inclusive a gente olha pras pessoas juntas, a gente ri, a gente não tem esse problema não, acho que somos um casal de sapatão meio viado, a gente na verdade é um casal de sapas viadas, graças a Deus (risos).

A Naya toca no meio hétero, linda, né, os homens dão em cima direto, mas direto mesmo, se eu for me aborrecer com isso, se a gente for se estressar com isso, a gente não vive.” conta Dri.

Ademar: Eu sou o mais ciumento (risos)!

Fábio: Desde que iniciamos na profissão, já entramos sabendo que tem essa questão de assédio do público. A gente se respeita bastante, e tenta separar os tipos de assédio, um deles é o carinho do público, que é bacana, de outras atitudes que não são tão legais. O Ademar é mais ciumento na minha visão porque ele vivenciou mais uma época em que só eu era o DJ, mas agora que os dois tocam, e como quase sempre nós estamos juntos, as pessoas respeitam mais”.

[Dri e Naya - Foto Reprodução / Instagram
Yan Bruno e Lobinha - Foto

A PANDEMIA, E COMO MANTER O RELACIONAMENTO SAUDÁVEL DIANTE DAS DIFICULDADES

Yan: “Esse é o momento de nos unirmos para enfrentar esse grande problema em que o mundo vive, então essa é a hora de um ajudar o outro da melhor forma possível. Discussões ou situações desagradáveis é o que menos queremos nesse momento difícil, então assim mantemos um relacionamento saudável e feliz com certeza!”

 

Dri nos conta tudo: “Convier é uma arte. Os dois lados tem que aprender a ceder um pouco, porque todo mundo tem suas manias, todo mundo tem seus hábitos, isso fica muito mais evidente quando você começa a passar muito tempo junto. Uma coisa que a maturidade me ensinou é que nunca ninguém vai ser exatamente do jeito que a gente é.

As pessoas são diferentes, tem sua individualidade. Então se você não aprender a ceder um pouco, conviver, desestressar, você não vai dar certo com ninguém. Os relacionamentos hoje em dia já são descartáveis, tem 2500 pessoas disponíveis o dia inteiro nas redes sociais, tem sempre alguém dando mole, sempre alguém te querendo, então ou você cultiva seu relacionamento ou então cada hora você vai estar com uma pessoa diferente, experimentando algo novo que nunca vai dar certo”, finalizou Dri.

Fábio: “Desde o início da pandemia a gente fez um acordo: Não vamos nos separar durante a pandemia. Mas mesmo assim teve alguns momentos em que um ou outro fraquejou, já que é um tipo de situação muito difícil. Nessa hora um consegue dar força pro outro, apoiar o outro, mostrar o melhor caminho, achar soluções, pensar positivo, mas acredito que estamos passando muito bem pelo processo todo da pandemia”.

Ademar: ” A gente acredita que a base de um relacionamento é muita conversa, muito diálogo, a gente tem a liberdade se se abrir um com o outro, o máximo possível e ter muita transparência, falar o que está sentindo. Dessa forma a gente consegue ajudar um ao outro”.

Fábio e Ademar - Foto Reprodução / Instagram

VANTAGENS E DESVANTAGENS DE NAMORAR OUTRO DJ

 

Lobinha: A vantagem é que podemos sempre falar do mesmo assunto hahaha…, música nunca é demais pra nós!

Y️an: Desvantagem? Nenhuma.

Naya: Eu só vejo vantagens. Se as duas pessoas tiverem a cabeça que a gente tem, não forem ciumentas, é o melhor dos mundos. Final de semana ela vai pros eventos dela, eu vou pros meu eventos, no meio de semana a gente pode viajar, a gente pode pegar uma praia, termos nosso tempo juntas, eu só vejo vantagens nesse sentido”.

Fabio: “Vantagem é poder estar em casa, compartilhar músicas, fazer resenhas juntos, fazer B2B, mostrar alguma novidade. Como eu sou produtor, muitas vezes eu peço opinião para ele do que ando fazendo.

Além de poder acompanhar e o crescimento do seu parceiro. De desvantagem tem o nervosismo, a gente por incrível que pareça fica mais nervoso quando está tocando e o outro está na plateia. Viajar para tocar e nem sempre poder levar o outro junto, essa distância é uma desvantagem.

Ademar. “Outra vantagem é podermos curtir as festas juntos, poder ter a liberdade de ter uma conversa mais técnica com o outro sobre trabalho. As desvantagens são essas mesmas que o Fábio falou, mas a gente consegue lidar bem”.

Yan Bruno e Lobinha - Foto

HISTÓRIAS INUSITADAS E EMOCIONANTES 

 

Lobinha: ” A primeira vez em que fizemos B2B juntos com certeza foi algo mágico e emocionante para nós”.

Dri: “Vou contar uma história muito engraçada, minha mulher não tem nada a ver comigo, ela é perua, de cabelão, mais nova que eu, anda de vestido, já eu sou sapatão total. Ela estava tocando numa festa com o público na maioria hetero, e precisou ir ao banheiro. O banheiro era muito longe, então eu fiquei no som, parada ali na frente, pra virar a música caso fosse necessário e ela ainda não tivesse voltado. Aí veio um cara que acompanha, segue ela nas redes sociais e falou pra mim: Pô irmão, ou eu estou muito doido, mas tu não é a Naya, cadê Naya? Não pô, Tá muito diferente! Só sei que eu ri tanto, que quando ela voltou, ele falou: Pô brother, ainda bem, caraca aí, eu não tava entendendo nada, eu te sigo no Instagram” (risos)”.

“Já estávamos durante esse período da pandemia, estava executando uma live através da Grand Circus Party do Rio de Janeiro, a qual sou residente. A live era ao vivo mesmo, enquanto eu tocava, recebi a notícia que o próximo DJ que iria entrar estava com um problema técnico, sem acesso a internet. Foi então que eu sugeri ao produtor que Ademar entrasse no próximo horário e ele topou na hora.” Conta Fábio.

Ademar completa: “Durante meu set fui tendo um feedback muito bom das pessoas que estavam assistindo, fazendo comentários, emocionadas, curiosas querendo saber quem era esse DJ, ai no final da live o produtor me convidou para ser residente da festa também, então foi algo que me deixou e nos deixou muito emocionados”

Dri Toscano e Naya - Foto Reprodução / Instagram

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Yan e Lobinha: “Mantenham-se firmes e fortes nessa grande luta em que estamos vivendo. Tudo isso irá passar e todos iremos voltar novamente aos palcos que é o que mais amamos fazer na vida! Cuidem-se!”

Dri: “É muito legal quando duas pessoas estão afinadas com alguma coisa, eu agora produzo eventos também, ela gosta de estar comigo, gosta do que faz, se descobriu. Isso pra mim é uma realização, estar com uma pessoa que me entende de verdade. Às vezes você está cansado, no meio da semana e precisa fazer uma social, sabe aquela máxima de quem não é visto não é lembrado? Então, no meu relacionamento anterior a pessoa não entendia isso, as pessoas têm dificuldade de entender e ela como DJ entende e sempre quer me acompanhar, então é muito bom”.

 

Fabio nos conta: ” Alguns casais buscam manter muito sua individualidade, mas nós percebemos que fazendo as coisas juntos, temos mais sucesso, as coisas dão mais certo. A gente mora junto, depois a gente começou a compartilhar a profissão de DJ também e agora somos sócios de uma loja, a Inhai Brasil, que é voltada para o público LGBTQIA+, que fica aqui em Goiânia, mas que tem um site e entrega para todo o Brasil. Tem sido muito bom também a gente compartilhar essa sociedade, graças a Deus tem dado tudo certo”.

Ademar completa: “Fazemos tudo junto, resumidamente. Acreditamos no amor”

Fábio e Ademar - Foto Divulgação / @renatamendanhafotografia

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