MATÉRIA | A MODA COMO EXPRESSÃO DA MÚSICA ELETRÔNICA

A cena do tribal house tem um novo rosto, moldado não apenas pelo som, mas também pela imagem. A DJ Van Muller inaugura uma nova fase da sua carreira com um ensaio que une moda, música eletrônica e identidade em um mesmo manifesto. Fotografada por Ernna Costa e vestida pelo styling de Lucas Fontynelli, a artista aparece como tradução viva da batida que toca: forte, imponente e, ao mesmo tempo, profundamente conectada às raízes coletivas da cena LGBTQIA+.

“Cada look da Van é uma extensão da batida, da força e do pertencimento que ela carrega”, explica Lucas. Já para Ernna, o desafio foi capturar a intensidade dessa presença: “O tribal house é sobre energia e presença. A Van não apenas toca, ela vive o som em cada gesto.” A maquiagem, assinada por Mauro Marcos, veio para amplificar essa mensagem de orgulho e autenticidade: “A Van representa sua comunidade através da beleza que carrega.”

Para o manager Thiago Bellonzi, o ensaio marca um divisor de águas: “O mercado exige DJs que sejam artistas completos. A Van representa esse futuro, onde música e imagem se fundem em uma narrativa visual.”

Moda e música: um manifesto cultural

O que Van Muller apresenta hoje não é algo isolado. Moda e música eletrônica sempre estiveram entrelaçadas. Nos anos 1980, no clube Shoom, em Londres, a estética baggy, tie-dye e dayglo nasceu como resposta ao calor da pista e se transformou em símbolo de liberdade. Essa energia foi levada às passarelas por designers como Vivienne Westwood. Décadas depois, a Clash Music definiria em poucas palavras: “House music is a feeling”, uma experiência emocional, espiritual e visual.

DJs que vestem sua música

De Peggy Gou à cena de Nova York, artistas entenderam que o look é tão importante quanto o beat. “Dressing up, my image, and fashion are also a part of me, and it reflects who I am”, contou Gou à Vogue. Já Kim Anh declarou à Mixmag Asia que se inspira em Mugler e Helmut Newton para criar um minimalismo genderfluid: “For me, fashion is part of telling the story of the music.

Esses exemplos internacionais reforçam o que Van Muller já coloca em prática: estilo não é apenas estética, é linguagem.

Moda que amplifica o som

Ao estrear essa nova fase, Van Muller mostra que a música eletrônica vive um momento em que estética e som são indissociáveis. Seu ensaio não é apenas um editorial de moda, mas uma afirmação cultural: no tribal house, o corpo, o look e a batida formam uma única experiência.

E se vestir é tão político quanto tocar, Van Muller prova que já é mais que DJ: é imagem, manifesto e ícone em construção.

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