Depois de um grande hiato sem escrever algum texto pessoal, ao mesmo tempo para muitos que certamente vão se reconhecer nessa história, hoje eu (Dih Aganetti) tive quase uma epifania após colocar uma simples playlist de rock dos anos 90.
Eu senti uma nostalgia tão grande em rever as sensações e emoções na pele ao ouvir as mesmas músicas que eu escutava quando era adolescente. Eu sempre fui muito ligado à música, e de forma bem diversa.
Vivi eras do rock, do axé, do reggae, do pop, até chegar quase na maior idade e adentrar no mundo da música eletrônica, através do psytrance, depois do techno, até chegar no house, dance e tribal. Enfim, muitas fases que me moldaram a ser a pessoa que eu sou hoje, complexa e apaixonado por música.
Eu sou do tipo que usa a música como trilha sonora pra viver. Sei que ela pode me levantar e também me deixar no chão, quando necessário. Afinal, todas as emoções existem e devem ser vividas, e com música tudo fica mais intenso.
Há cinco anos a Colors DJ Magazine nasceu dessa paixão por música, e eu não quis fazer o mesmo que já tinha. Logo fui pesquisar o mercado nacional e internacional e vi que não existia uma revista que falasse dos DJs de todas as cenas, de forma igualitária, que desse o mesmo valor para um DJ da cena X quanto para o da cena Y.
NOVIDADE | Conheça agora a Colors DJ Magazine
Valorizar a grande maioria, né? Porque, na triste realidade, e isso eu conversei com um amigo hoje mesmo, nem 5% dos DJs conseguem viver exclusivamente da música. A cada dia que passa, mais e mais DJs surgem, e pouquíssimos terão espaço e valor real em suas cenas. Valor real, de poder viver de música, não apenas sobreviver.
Se olharmos as principais revistas, os mesmos nomes estão sempre em pauta. Raramente um nome diferente aparece, e quando aparece, é quase sempre pago. É errado as revistas fazerem isso? Não. Elas precisam se sustentar e, dentro da lógica das redes sociais, é mais fácil ser nichado. O algoritmo pede isso.
A revista para pra criar uma pauta, pra ser divulgada e disseminada a sua história, seu lançamento, alguma coisa que um artista completo precisa sim se preocupar nos dias de hoje. E isso tem custo, tem gasto de energia, de tempo, de estudo. Valorizem mais esse tipo de trabalho e parem de fixar em apenas um nome sempre pra divulgar o seu trabalho. Você alcança um público maior e novo aparecendo em vários formatos diferentes — redes sociais, sites, revistas — e não fixando no mesmo sempre. Uma dica que dou.
MIDIA KIT COLORS DJ MAGAZINE
É possível fazer uma revista diversa, com várias personas a serem atingidas. É complicado, é difícil criar a sua autoridade, mas pra um ariano tipo Anitta talvez não (risos). Coloca algo na cabeça e vai na marra, não desiste fácil.
Esses dias eu estava pensando na palavra Propósito, e focando nas coisas da minha vida, querendo não me perder desse propósito maior de ter a Colors. Como é bom receber um feedback positivo e real do seu trabalho e da sua história. É tão gostoso quando alguém chega e faz isso sem a gente estar esperando, né?
A Colors veio pra dar luz aos diversos DJs que merecem essa valorização e, por isso, inventamos logo no primeiro ano de revista o nosso Melhores do Ano. Trazendo Revelações e Destaques que importam pra Colors, sem nunca repetir esses nomes em nenhuma edição, pra dar essa sensação boa pra vários nomes. Sempre pensando em diversidade musical, de pessoas, regional… diversidade no geral, que é a alma da Colors.
Desde o início, a gente fez questão de também homenagear os Ícones de várias cenas, e não só após a morte, na maior parte antes disso acontecer. Foram mais de 200 nomes entrevistados nessas categorias. Alguns nomes que estão hoje em destaque nas outras revistas também, representando sua cena, e fico muito feliz em vê-los nesse patamar. Felicidade de ver que não desistiram, que seguiram firmes, aproveitando o gás que receberam de seus fãs, da gente, de diversas esferas, que não permitiram parar por conta da desmotivação de outras pessoas, desconhecidas ou até mesmo super conhecidas (amigos, familiares…). Muitas vezes, são pessoas que dão valor e divulgam o trabalho de gente que nunca viram na vida, mas que são fãs. E tá tudo bem. Mas não conseguem apoiar o trabalho de quem está ao seu lado.
Hoje, na minha nostálgica manhã ouvindo meu rock da adolescência, eu senti o valor da música na minha vida e o quanto é importante pra mim mesmo seguir com esse trabalho. Até quando? Não sabemos. Mas que venha mais um ano de Colors pela frente. Um ano 6, que tem muito a ver com relações, trocas, parcerias, colaborações, com o outro. Estou animado!
Nunca achei que seria fácil e que super daria certo logo nos primeiros anos. Tenho bastante senso de que uma revista de nome se constrói a cada ano que passa, e que boa parte das maiores revistas do mundo da música e dos eventos com DJs tiveram seu reconhecimento maior depois de 10 anos de história. Falta um pouco pra chegarmos lá, mas já passamos da metade.
Finalizo essa coluna falando o seguinte: deem mais valor a quem valoriza vocês de verdade. Às vezes, tem pessoas que amam a gente, mas por conhecerem demais a gente no off, não valorizam muito o nosso sonho, principalmente se for um sonho muito louco, como viver de música (risos). Sempre tem alguém completamente aleatório que vai chegar e falar bem do seu sonho, do seu trabalho, da sua ideia. E são com essas pessoas que vocês precisam se apegar, pra não deixar esse sonho morrer.
Compartilhe isso:
- Clique para compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
- Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
- Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail



