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MATÉRIA | Cinco coletivos nordestinos de DJs LGBTQIA+ que transpiram underground

Atrita Coletiva, Fortaleza – Ceará (foto de divulgação.)

Em uma cena dominada pela heteronormatividade, conheça alguns coletivos transgressores do Nordeste

Por que ainda precisamos tanto falar sobre inclusão e diversidade sexual em uma cena de música que basicamente foi criada por minorias? Oportunizar estruturas à interatividade artística dentro e fora desta comunidade talvez seja uma boa forma de nos organizarmos.

No Nordeste, até pouco tempo atrás, antes da pandemia, ainda predominavam festas raves, cuja estética sempre foi dedicada a estilos musicais como o psytrance, um universo marcado pelo estereótipo da heteronormatividade.

Dito isto, se você é artista eletrônico LGBTQIA+, certamente já se instigou a construir suas próprias pontes, otimizando seu acesso desde o underground até o mainstream, diante de uma cena dominada por homens-heteros-brancos-cis.

Conheça cinco coletivos de artistas eletrônicos resilientes na nossa região, formados por personas talentosas, independentes e arretadas que têm em sua essência a libertação cultural de uma cena ainda dominada pelo padrão heteronormativo.

PARTÍCULA (Sergipe)

Dry – Coletivo Partícula (Aracajú – SE).

Sob uma curadoria colaborativa formada por seis identidades um tanto quanto distintas, o coletivo Partícula é parte elementar de um composto que se propõe a criar espaços para novas expressões de arte musical.

Seus integrantes estão prestes a movimentar a cena sergipana enquanto gravadora independente, além de já possuírem uma abrangente e respeitada identidade sonora. O foco aqui é arrasar também enquanto selo musical em breve.

Sob a alcunha de Karranca, que remete ao seu local de origem (Canindé de São Francisco), André Alcântara explora as potencialidades de imersão do Techno e, recentemente, têm se aventurado em pesquisas de Hyperpop e suas variantes. Um dos responsáveis pelo projeto Antígeno, que em três edições online reuniu DJs de diversas vertentes musicais.

Dry é produtora musical, compositora e DJ que tenta unir regionalidade à cultura pop cibernética. Seu estilo de discotecagem tem forte influência dos anos 90, enquanto seus sons futuristas criam uma experiência imprevisível e divertida.

Ten$$4 gosta de causar tensão nas pistas por onde passa através do som que toca. Aqui temos uma miscelânea de gêneros sob uma nuance linear composta por seus sets. É ecletismo no rolê que você quer? Ten$$4 têm de tudo um pouco: desde o Techno, passando pelo Funk, Afrobeat e sons barulhentos.

ST Ella é artista e realizadora cultural em Sergipe. Enquanto DJ, transita entre sonoridades eletrônicas a partir de uma pesquisa centrada em artistas pretos, do Afrohouse ao Minimal Techno, otimizando os cenários e possibilitando ideias.

Apresentando uma discotecagem que se destaca pela ênfase do trap underground feminino, L4ry mistura gêneros pretos de acordo com seu humor, indo do Grime e Trap ao Funk e Disco, trazendo uma linguagem inovadora e agressiva.

KERATOSE alça vôo das legendárias pistas da Disco Music, passa pelo House e pousa com maestria na Nu-disco. As narrativas sonoras criadas sob o brilho caleidoscópico de seus sets – sempre recheado de grooves robustos – são, também, fortes características de sua performance.

STOURADAS (Piauí)

Movimento Stouradas! (Teresina – PI).

Foi ali, ainda em 2017, que um estouro de celebração LGBTQIA+ ecoou no estado do Piauí e até então reverbera coletividade por onde passa. Idealizado pelo publicitário e produtor cultural Richard Henrique, o Movimento Stouradas! é atualmente a maior ocupação de legitimidade à diversidade piauiense.

Quando falamos sobre pluralidade, estamos falando (literalmente) de todas, todos e todes. O grande diferencial do Movimento Stouradas está na sua execução. Os eventos são itinerantes e ocupam, principalmente, espaços subutilizados ou praças e parques públicos no centro histórico da capital Teresina.

Nesse ritmo, atualmente já foram produzidos 12 (doze) eventos em 9 (nove) lugares diferentes. As ocupações se dividem entre o palco, galeria, feira de microempreendedores e bar. Dessa forma, mais de 200 (duzentos) artistas e cerca de 20 (vinte) marcas LGBTs já se manifestaram na história do projeto. Em fevereiro de 2020 o coletivo entrou para a história ao realizar o 1º Carnaval de Rua LGBTQIA+ do Piauí.

Com o apoio da prefeitura, o movimento colocou seu bloco na Praça do Liceu, no centro histórico de Teresina e contou com a manifestação colorida de cerca de três mil pessoas. Na ocasião, também aconteceu a maior ballroom do estado.

MADDAM (Pernambuco)

MaddaM Music (Recife – PE).

MaddaM Music é a coletividade artística formada por DJs, VJs e Performers, que tem por objetivo estimular e promover o protagonismo feminino no cenário da música eletrônica. Através de oficinas, cursos, podcasts e eventos de caráter especialmente dedicado a esta arte, a sina do coletivo é evidenciar e legitimar cada vez mais o trabalho deles.

Atualmente, o MaddaM é composto por quatro células culturais colaborativas:

1 – MaddaM Music LAB – um laboratório de experimentações que leva a formação de pessoas interessadas nas áreas de mixagem, produção musical e projeções visuais, além de trazer um espaço para troca de experiências entre artistas e profissionais do meio e, também, apresentações com DJs convidades;

2 – Medusa – um evento que reúne música, artes visuais e dança-performance em três linguagens que, juntas, propiciam ao público uma experiência imersiva nas artes e nas possibilidades sensoriais que elas podem revelar;

3 – Valentina – uma noite que une diferentes linguagens sonoras através da diversidade de estilos musicais. Cada DJ convidade é estimulade a propiciar essa experiência para a pista;

4 – Techtrônica – um programa semanal veiculado em uma rádio pública da cidade do Recife/PE, que fala sobre o universo da música eletrônica trazendo informações, curiosidades, histórias, entrevistas e, claro: muita música.

O casting atual da MaddaM Music reúne artistas como Nadejda, Makeda, Lilit, Dandarona, Avenoir, Blue & Red, Lupe, Lorena Lopez, Karma, Nubian Queen e Babi Lima.

1992 (Ceará)

1992 (Dezenovenovedois) (Fortaleza – CE).

Dezenovenovedois (1992) é o puro arregaço urbano audiovisual alencarino. Composto por jovens DJs e produtores culturais da cena underground fortalezense, seus integrantes incorporam a nostalgia da cultura clubber da década de 90s, e encontram no hype da linguagem skate sua atitude.

De cunho independente, tal qual a grande maioria destes coletivos, o 1992 brilha em curtas metragens arquitetados, dirigidos e editados pelo seu próprio crew, além de movimentarem festas e pistas expressivas na terra do Sol. Outro forte argumento para apreciá-los um pouco mais são as playlists e djsets sensacionais, além dos memes em suas redes sociais.

Em sua formação atual: BaraBár (DJ), Kysia Stock (DJ e Produtora), Kabeça (DJ), Caio César (Artes Visuais) e Mateus Monteiro (Fotografia) dão o gás à plataforma frenética e genial de conteúdos gerados pela trupe.

ATRITA (Ceará)

Atrita Coletiva (Fortaleza – CE) – foto de divulgação.

Desde dezembro de 2019 a cidade de Fortaleza tem se deliciado com as performances sonoras que entrelaçam dança, oficinas de discotecagem, ocupações de espaços públicos e questões de dissidência de gênero, tudo movimentado pela Atrita Coletiva.

Multifacetada, bem articulada e mantida por jovens LGBTQIA+, suas produções culturais nos levam ao hedonismo fascinante das pistas de música eletrônica mais alternativas.

Aqui, vemos artistas já atuantes na cena local elaborando aprofundamentos sonoros, performances avançadas, além de forte fomento à cibercultura. A coletiva é composta pelos artistas: Ryan Nogueira, Ruth Ramos, Gabriel Farias, Maria Caironi Ramos e Rafael Brito.

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