ID | A expansão do Indie Dance e a crescente influência oitentista nas produções atuais

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Você já escutou falar sobre o Indie Dance? Com ampla presença em sets e festas com visão underground, ele é uma das muitas vertentes da música eletrônica que mostra como as referências do passado têm nos influenciado.

As informações sobre as origens iniciais do Indie Dance são um pouco vagas, mas acredita-se que esse movimento começou em meados dos anos 90, em solo Britânico. O estilo, que veio junto da explosão do movimento Pós-disco, New Rave e Electroclash, incorpora elementos da House Music e EBM e utiliza beats, synths e samplers do Dance Music.

Como o nome já diz, é um estilo de produções independentes, que não é pensado para agradar um público mais acostumado com o mainstream. As tracks são carregadas de referências da Disco Music e utilizam sintetizadores e arpejos sonoros mais oitentistas, que por vezes dão a sensação de estamos em um filme futurista dos anos 80. Faz-se uso também de elementos que mixam o Rock Alternativo com o Dance Eletrônico.

Uma característica marcante dessa vertente são os sons mais analógicos com kicks secos e grooves bem melódicos e repetitivos, por muitas vezes abusando de sintetizadores mais ácidos. As músicas do Indie Dance costumam ter menos elementos que o Nu Disco e um snare bem distintivo, muitas vezes acompanhado de um efeito reverberante. É um estilo de baixo BPM, variando entre 110 a 125 batidas por minuto e, geralmente, com breaks mais extensos. Entretanto, não se deixe enganar pois, apesar dos BPM’s mais desacelerados, você encontrará tracks repletas de grooves e melodias que criam uma atmosfera mais dark e, ao mesmo tempo, muito dançante, com vários pontos de euforia.

Conheça alguns dos grandes nomes que têm contribuído para a perpetuação do Indie Dance na atualidade:

Rex Axes, duo israelense que mescla a vertente com muitas referências sonoras do oriente médio.

Roman Flügel, produtor alemão que incorpora sons mais refrescantes. Com produções que vão da House Music ao Techno, mostrando tremenda versatilidade, e usando e abusando de sintetizadores do Acid House.

TERR , projeto musical solo da DJ e produtora brasileira Daniela Caldellas. Uma das integrantes do duo Digitaria e atualmente fundadora da Clash Lion, label que reside em Barcelona.

Assim como o Indie Dance, a influência oitentista está cada vez mais presente no nosso cotidiano e em algumas sonoridades, deixando mais claro o desdobramento da cultura 80 ‘s. Conseguimos analisar isso levando em consideração vários trabalhos lançados por artistas da cena Pop no ano passado, nos quais muitos revelaram esse interesse por referências mais antigas. Os últimos lançamentos de artistas consagrados da música Pop, como The Weekend, Lady Gaga e Dua Lipa, mostram uma dimensão dessas intervenções nostálgicas nas produções mais atuais. Um exemplo dessa manifestação na cultura Pop é o videoclipe de “Let’s Get Physical Work Out” da artista Dua Lipa, no qual fica evidente tal referência ao observarmos o cenário e figurino que faz alusão às academias de ginástica de antigamente.

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Outro exemplo recente que não podemos deixar de citar é o álbum da irlandesa Róisin Murphy, “Róisín Machine”. Um trabalho totalmente voltado para a Disco Music, lançado em pleno 2020, que foi aclamado por sua estética sonora que transita entre o velho e o novo.

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Com essa maior procura por timbres voltados ao passado, é aberta uma porta para que estilos como Indie Dance, Nu Disco e Dark Disco ganhem mais espaços no dancefloor e a aceitação por um público em geral.

Para entender um pouco melhor esse anseio pelo classicismo oitentista e a difusão do movimento em produções mais atuais, conversamos o DJ, produtor cultural e curador musical na cena cearense, Márcio Paluma.

Ele considera que é papel dos artistas fazer uma busca ao passado para trazer ao cotidiano referências que já foram importantes. Para ele, as fases da Disco, Boogie, Soul e Eletrônica permanecem vanguardistas até hoje, mesmo lançadas há mais de três décadas.

“Quando o mainstream entra nessa caça de referências ao passado, leva junto toda a curiosidade do público mais jovem ao que rolou a essa época, instigando a abrir novos panoramas que antes até mesmo a música Pop não explorava nos últimos tempos”, afirma.

Paluma destaca que o frescor e pioneirismo musical de produções da década de 80 podem ser sentidos até hoje, fazendo redescobrir sons “que poderiam ser hinos, mas nunca hitaram”.

“A próxima tendência é desbravar esse mundo maravilhoso sonoramente e esteticamente da Disco e seus agregados. Como diria Frankie Knuckles, ‘estamos vivenciando a Disco’s revenge!’”, prevê.

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De fato, o revivalismo oitentista chegou com força e ostenta uma influência muito marcante que, possivelmente, ainda nos acompanhará por muitos anos. Seja na música, moda, cinema ou qualquer tipo de arte, uma coisa é clara: Os anos 80 estão voltando… ou seria tudo isso um grande déjà-vu?

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