NOVIDADES | DJ NATHALIA FILGUEIRA: A Evolução do Selo VNV e o Impacto da NBEAT

Com uma bagagem sólida no Tribal House e uma versatilidade impressionante ao transitar por vertentes como Tech House e Deep House no Projeto Beats, a DJ Nathalia Filgueira celebra quase sete anos de trajetória em 2026. Consolidando sua presença tanto nas pistas do Brasil quanto em palcos internacionais no Chile, Peru e Portugal, ela se destaca não apenas pelo som que comanda nas pick-ups, mas também pelo seu papel como empresária, mentora e criadora de tendências na cena eletrônica.

Nesta entrevista exclusiva, Nathalia fala sobre a evolução do selo VNV (Vai Nathalia Vai), a inauguração do conceito VNV Surreal na The Home, sua experiência à frente da escola NBEAT e os divisores de águas de sua carreira.

Nathalia, você completa quase sete anos de trajetória em 2026, com uma presença forte tanto no Brasil quanto em pistas internacionais no Chile, Peru e Portugal. Como a sua bagagem no Tribal House e a transição fluida por vertentes como Tech House e Deep House no Projeto Beats moldaram a sua percepção de leitura de pista em públicos tão diversos?

Acredito que tocar em lugares diferentes me fez entender que, mais importante do que o estilo musical, é entender as pessoas que estão na sua frente. O Tribal House sempre foi minha essência e foi o estilo que construiu a minha identidade como artista. Mas, ao longo da carreira, percebi que um DJ precisa ser versátil e respeitar o momento de cada pista.

O Projeto Beats nasceu justamente para explorar outras sonoridades, como o Tech House, Deep House e House, sem perder a minha personalidade. Hoje consigo transitar entre essas vertentes de forma muito natural, porque aprendi a contar uma história através da música. Minha leitura de pista é baseada em observar a energia do público e entender quando é hora de construir, quando é hora de aliviar e quando é o momento de entregar toda a intensidade.

A sua performance no palco combina técnica apurada, versatilidade e muita energia. Do ponto de vista de produção e preparação técnica de estúdio, como você pesquisa e organiza a estrutura dos seus sets para garantir que a transição entre o peso do Tribal e o groove do House soe natural e envolvente?

Eu costumo preparar cada apresentação pensando na identidade da festa e no horário em que vou tocar. Faço uma pesquisa constante de músicas novas, organizo uma seleção de tracks que acredito que façam sentido para aquele evento e monto uma espécie de roteiro com as faixas que pretendo tocar.

Mas, na prática, o set nunca é totalmente fechado. O desenvolvimento acontece na hora, de acordo com a resposta do público. Gosto de sentir a pista e deixar que ela também participe da construção da apresentação. Acho que é esse equilíbrio entre preparação e improviso que torna cada set único.

Na última edição do Melhores do Ano da Colors DJ Magazine, você marcou presença concorrendo na categoria DESTAQUE. Qual a importância de ver o seu empenho, sua técnica e seu corre sendo validados por uma premiação de peso na cena eletrônica?

Foi uma felicidade enorme. Independentemente do resultado, ser lembrada já representa um reconhecimento muito importante.

Quem vive a música eletrônica sabe que existe muito trabalho por trás de uma apresentação: horas de estudo, preparação, produção de eventos, criação de conteúdo e dedicação diária.

Ver esse esforço sendo reconhecido por uma revista tão respeitada como a Colors DJ Magazine mostra que estou no caminho certo e me motiva ainda mais a continuar evoluindo.

O que nasceu espontaneamente como uma festa de aniversário hoje se tornou a marca VNV (Vai Nathalia Vai), celebrando 5 anos de história e consolidando o seu 3º ano consecutivo na The Home. Como foi ver essa transição de uma comemoração pessoal para um selo de peso que conta até com a VNV Store?

É muito gratificante olhar para tudo isso e perceber o quanto o VNV cresceu. Quando a primeira edição aconteceu, eu nunca imaginei que ela se transformaria em uma label que as pessoas esperariam todos os anos.

Hoje o VNV deixou de ser apenas uma festa. Ela virou uma marca, uma comunidade e uma experiência.

Ver pessoas esperando pela próxima edição, usando produtos do VNV Store e acompanhando toda a construção do evento mostra que conseguimos criar algo que vai muito além da música. É um sentimento de pertencimento que me enche de orgulho.

Na edição de 2026, a festa apresenta o conceito VNV Surreal, focado na ideia de sintonia e conexão através da arte, cenografia, tecnologia e música. O que o público pode esperar do universo visual e da construção musical dessa edição que promete colocar todo mundo na mesma frequência?

O VNV Surreal foi pensado para ir muito além de uma festa. A ideia central é criar um ambiente onde tudo esteja em sintonia, onde pessoas, música, arte e energia se conectem na mesma frequência.

Quero que o público entre nesse universo e viva uma experiência envolvente do começo ao fim. Que cada pessoa se permita sentir, se conectar e fazer parte dessa atmosfera que a gente está construindo com tanto carinho. Este ano, também teremos um palco 360°, que traz uma nova dinâmica para essa experiência e para a forma como o público se conecta com a música e com o espaço.

Musicalmente, meu objetivo é entregar uma noite agradável, com uma construção coerente e uma crescente de energia que faça sentido do início ao fim. E, este ano, preparei algo diferente de todas as outras edições. Ainda não vou dar muito detalhes, mas tenho certeza de que todo mundo vai gostar muito.

Além de DJ e produtora de eventos, você é fundadora da escola NBEAT, onde já formou mais de 70 DJs no seu próprio estúdio. Como a experiência do “chão de pista” nas noites e nos festivais influencia o método de ensino que você transmite para os novos talentos da música eletrônica?

Influencia em absolutamente tudo.

Eu ensino exatamente aquilo que vivo nos eventos.

Não fico presa apenas à parte técnica dos equipamentos. Faço questão de ensinar leitura de pista, preparação de repertório, comportamento profissional, relacionamento com contratantes, marketing pessoal e postura.

Meu objetivo é formar DJs preparados para o mercado real, porque tocar bem é apenas uma parte da profissão.

Quais são as principais habilidades técnicas e comportamentais que você faz questão de lapidar nos seus alunos para que eles se destaquem em um mercado cada vez mais competitivo e dinâmico?

A técnica é muito importante, mas ela sozinha não sustenta uma carreira.

Procuro desenvolver uma base sólida de mixagem, organização musical, construção de sets e leitura de pista.

Ao mesmo tempo, incentivo muito a disciplina, a humildade, o profissionalismo, a criatividade e a autenticidade.

Hoje existem muitos DJs tecnicamente bons. O diferencial está em quem consegue criar conexão com o público e construir uma identidade própria.

Você transita com maestria entre os papéis de artista, empresária, mentora e criadora de tendências. Olhando para a Nathalia de 2019 e para a artista reconhecida que você é hoje, qual você considera que foi o grande divisor de águas na sua carreira?

Acho que o maior divisor de águas foi entender que eu precisava construir uma marca e não apenas tocar como DJ.

Com o tempo, fui percebendo que a música continua sendo o centro de tudo, mas que o artista também precisa criar experiências, gerar valor e construir uma conexão verdadeira com as pessoas.

Foi essa mudança de visão que me fez enxergar oportunidades além da cabine e desenvolver projetos como a VNV, a NBEAT e a VNV Store, sempre sem perder a essência que me trouxe até aqui.

Para fechar com chave de ouro: qual é a mensagem que você deixa para o público da Colors DJ Magazine e para a comunidade de fãs que vai se conectar na frequência do VNV Surreal nesta celebração de 5 anos?

Quero agradecer a cada pessoa que fez parte dessa caminhada. Nada disso teria acontecido sem o carinho, a confiança e a energia de quem acompanha o meu trabalho ao longo desses anos.

O VNV celebra cinco anos de uma história construída com muito amor, dedicação e respeito ao público.

Espero que todos venham de coração aberto para viver uma experiência diferente, se conectar através da música e criar memórias que levem para a vida toda.

Nos vemos na mesma frequência.