Com meses de planejamento, ballet coreografado e estética futurista, o novo projeto de DJ Thonn une tecnologia e emoção em uma experiência imersiva de tirar o fôlego.
Após conhecermos a história inspiradora de Everton Franzoi — que transitou do teatro e da TV para a comunicação e as pistas — chegou o momento de testemunhar a materialização de sua visão artística. DJ Thonn apresenta “O Futuro é Agora”, um Digital Set que rompe os padrões tradicionais da cena.
ENTREVISTA | DJ THONN: A Convergência entre o Teatro, a Comunicação e as Pistas
Gravado entre um rooftop icônico em São Paulo e um estúdio imersivo, o projeto contou com uma equipe de elite para traduzir uma narrativa que vai do amor à espiritualidade. Nesta entrevista, Thonn revela os bastidores da criação, os desafios logísticos de gravar ao vivo nas alturas e como a conexão pessoal com o diretor Enrique Martinez foi a chave para o resultado impecável.
“Eu queria que a dança fizesse parte da narrativa, não fosse apenas estética”. Com essa determinação, DJ Thonn coordenou um time de especialistas para dar vida ao seu projeto mais ambicioso. De figurinos que levam horas de preparação a uma edição minuciosa de quatro meses, “O Futuro é Agora” é um manifesto de que, para Thonn, a música eletrônica é uma experiência visual completa. Confira os detalhes exclusivos desta superprodução.
Thonn, o conceito visual de “O Futuro é Agora” impressiona. Quanto tempo de planejamento foi necessário para tirar essa superprodução do papel?
Nasceu da vontade de criar algo que fosse além de um set; eu queria contar uma história imersiva. Minha imagem, muito por conta do O Pod É Pop, já está vinculada a fazer algo bem feito e com cuidado. Foram meses de planejamento intenso, pensando em cada detalhe, da escolha das tracks ao conceito visual. Eu sabia que precisava entregar algo à altura do que acredito como artista.
O projeto envolve uma equipe de peso, como Roger Silper e Yara Arroyo. Como foi o processo de curadoria desse time?
Eu idealizei tudo sozinho, mas sabia que precisaria de uma equipe forte. Escolhi pessoas com conexão com a cena, como o Savioh (arquiteto de palco) e o Ton Light na iluminação. Na beleza, a Yara Arroyo e o Matheus Luiz trouxeram a estética futurista marcante. Sobre o ballet, não limitei a bailarinos apenas da cena eletrônica; o Roger Silper, que trabalha com artistas como Gloria Groove e Pabllo Vittar, trouxe uma visão de performance que vai além da pista. Foi um trabalho coletivo com uma visão muito clara desde o início.






A direção e edição ficaram com Enrique Martinez. Como a conexão pessoal entre vocês ajudou a traduzir a narrativa no vídeo?
O Enrique é meu marido, então nossa conexão no dia a dia é muito forte. Ele tem uma mente extremamente criativa e muitas vezes nem precisava de explicações longas; ele já entendia o que eu queria transmitir. Essa troca natural e colaborativa foi essencial para transformar o que eu sentia em uma narrativa visual verdadeira.
O set transita entre um rooftop na Oscar Freire e um estúdio. Quais foram os maiores desafios logísticos?
Foi um grande desafio. No rooftop, o tempo era limitado e a logística de descarregar equipamentos pesados em um prédio sem estrutura fácil exigiu muita agilidade. Além disso, gravamos o áudio ao vivo lá em cima. O estúdio veio depois, para criar cenas que reforçassem a narrativa com efeitos especiais — que considero a cereja do bolo do projeto.




A luz do pôr do sol em tons vermelhos no rooftop foi planejada ou foi “mágica”?
Tínhamos a intenção de pegar esse momento, mas o que aconteceu foi realmente especial. O céu estava com um tom vermelho incrível, quase mágico. Aquela luz trouxe uma emoção muito forte e deu o tom da abertura do set, como se fosse o início de uma jornada.
É raro ver DJs de Tribal House investindo em ballet estruturado. Como foi o trabalho com o Roger Silper para que a dança não fosse apenas um “enfeite”?
Eu nunca quis que a dança fosse só estética; ela tinha que contar a história comigo. O trabalho com o Roger foi transformar a música em movimento. Os bailarinos Gustavo Alisson, Caru e Kadu não estão ali para complementar, eles ajudam a guiar a narrativa emocional da música.



Na parte técnica, você e o Enrique também assinam a trilha. Como foi o processo de edição para que o som casasse com as imagens?
A escolha musical foi totalmente minha, trazendo referências de hits que marcaram a pista desde meus 18 anos até sonoridades atuais. O set evolui do dia para o anoitecer, tornando-se mais intenso. Foram cerca de 4 meses de edição. Quando vi a primeira prévia, senti que precisávamos interferir mais para que música e imagem conversassem perfeitamente. Foi um processo intenso, mas necessário para o resultado que eu queria.
Quanto tempo levava a preparação de figurino e beleza antes de cada gravação?
Levava mais de 4 horas para toda a equipe ficar pronta. Mas não vejo as peças isoladas; para mim, o conjunto é o que faz a diferença. Tudo se conecta — bailarinos, luz, cenário e música. É esse ecossistema que cria a experiência.





Houve alguma track específica que exigiu uma performance mais intensa ou que te emocionou mais?
Cada música tem um porquê dentro da jornada que vai do amor à espiritualidade. Durante a gravação, me emocionei de verdade em vários momentos. Algumas faixas pediam uma conexão mais profunda, e isso aconteceu naturalmente porque tudo ali faz parte da minha história com a música. Essa verdade é o que mais aparece no resultado final.
Qual é a sensação de ver o projeto finalizado e o que espera que o público sinta?
É uma realização enorme. Espero que as pessoas sintam essa energia e se conectem com o que está ali. Mais do que apenas assistir, eu quero que elas vivam essa experiência imersiva junto comigo.