ENTREVISTA | DJ THONN: A Convergência entre o Teatro, a Comunicação e as Pistas

Do palco dos musicais à cabine de DJ, Everton Franzoi revela como sua trajetória artística moldou o projeto futurista DJ Thonn e sua visão visceral da música eletrônica.

Everton Franzoi não é apenas um DJ; é um comunicador nato que utiliza a música como seu fio condutor definitivo. Com uma base familiar artística e passagens marcantes pelo teatro e pela TV, ele transpôs a disciplina da performance para o universo do Tribal House. Nesta entrevista, Everton detalha o nascimento do “DJ Thonn”, o impacto de sua formação técnica com o mestre Vlad e como o sucesso do podcast “O Pod É Pop” refinou sua leitura de pista. Prepare-se para conhecer o artista por trás do projeto audiovisual “O Futuro é Agora”, onde a tecnologia e a emoção se fundem em uma experiência espiritual e energética.

​A identidade do DJ Thonn é construída sobre pilares de verdade e energia. Com passagens por circuitos globais na Europa, Ásia e EUA, Everton absorveu a música eletrônica como uma linguagem universal antes de assumir o controle da cabine. Seu trabalho é marcado por uma estética futurista e uma narrativa musical que não apenas toca tracks, mas conta histórias de liberdade e superação. Ao unir a presença de palco herdada do teatro com a precisão técnica da mixagem, Thonn se consolida como uma persona artística completa, pronta para transformar cada set em uma jornada sensorial inesquecível.

“Discotecar também é uma forma de contar histórias”. Com essa premissa, Everton Franzoi abre o jogo sobre sua transição do “hobby” para o profissionalismo técnico e a criação da persona futurista DJ Thonn. Ele reflete sobre a influência de Michael Jackson em sua estética visual e como a troca com grandes produtores no seu podcast moldou seu som atual. Confira agora a entrevista exclusiva com o homem que prova que o futuro da pista acontece agora.

Aline Franzoi E Everton Franzoi - Programa Hora da Festa
Musical Vale Encantado - Oswaldo Montenegro
Everton, sua história com a arte começou no teatro e em uma família de artistas. Como esse ambiente moldou sua percepção e quando percebeu que a música era o seu fio condutor?

Cresci onde a arte sempre esteve presente. O teatro moldou como observo o mundo; o palco ensina a sentir e transmitir emoções verdadeiras. Com o tempo, percebi que a música tinha um poder especial: ela traduz emoções de forma imediata e visceral. Ela sempre esteve ali como o fio condutor de todas as minhas expressões.

​Na adolescência, você foi apresentador de TV e participou de musicais. Como esse contato direto com o público ajudou a desenvolver sua sensibilidade na discotecagem?

Essa vivência foi vital porque o palco ensina a importância da energia que você transmite. Especialmente com o público infantil, você aprende a ser genuíno, pois as pessoas respondem mais à energia do que às palavras. Hoje, quando construo um set, penso em provocar reações. Discotecar é contar histórias e criar conexões.

Everton nos bastidores de Malhação
Qual era a trilha sonora da sua casa e qual artista te fez sentir que a música mexia com você de forma profunda?

A música sempre fez parte da família da minha mãe. Uma lembrança forte é a coletânea de discos do Michael Jackson da minha tia. Não era só o som; era todo o universo artístico, a estética e os encartes. Ali percebi que a música podia ser uma experiência completa: estética, visual e emocional.

​Aos 18 anos, você mergulhou na cena eletrônica. O que mais te fascinava no trabalho dos DJs naquela época?

O cenário era muito diferente, os DJs não tinham a visibilidade de hoje. O que me fascinava era como a energia da pista era construída. O DJ conduzia a atmosfera sem ser o centro das atenções; a música falava mais alto. Eu observava como cada track mudava o comportamento das pessoas.

Você viajou o mundo conhecendo festivais globais. Qual foi a experiência internacional que deu o “estalo” de que seu lugar era na cabine?

Viajei muito pela Europa, EUA, Tailândia e Japão. Essas experiências mostraram que a música eletrônica é uma linguagem universal. Independentemente da cultura, a conexão na pista é forte. Comecei a observar o trabalho dos DJs para entender a jornada musical e senti que meu lugar também era ali.

​A pandemia foi um momento de formação técnica para você com o DJ Vlad. Como foi transformar a paixão de fã em conhecimento técnico?

Eu já organizava festas em casa, mas queria entender a técnica de verdade. O Vlad é um mestre, produtor respeitado e fundador de uma escola conceituada. Estudar com ele foi fundamental para entender a estrutura de um set e a precisão técnica. Esse processo despertou uma paixão ainda maior pela música.

Como nasceu o “DJ Thonn” e o que essa persona de estética futurista simboliza para você?

O DJ Thonn é uma extensão da minha visão sobre tecnologia, transformação e energia. Queria uma identidade que representasse isso. O nome tem sonoridade forte e fácil de identificar. Simboliza uma fase onde o teatro, a comunicação e a arte se encontram na música eletrônica.

​Como o podcast “O Pod É Pop” ajudou a lapidar sua identidade musical no Tribal House?

É uma experiência rica. Conversar com artistas e produtores traz perspectivas sobre produção e construção de sets. Além disso, observar o comportamento do público nas festas me ajuda a entender quais bases geram maior resposta. Tenho produtores que acreditam no projeto e caminham comigo na criação de novas ideias.

Seu projeto audiovisual, “O Futuro é Agora”, une tecnologia e música. Como selecionou o repertório para contar sua história?

Montei o set para contar uma história: começa celebrando a liberdade de dançar, passa por amor e superação, e termina como uma experiência espiritual. Escolhi músicas que marcaram a cultura da pista e sonoridades atuais. É uma ponte entre passado, presente e futuro.

Como o DJ Thonn une todas as facetas do Everton Franzoi em uma única experiência para o público?

Vejo tudo como partes de um mesmo caminho. O teatro deu a presença de palco; a TV e o podcast deram a comunicação; e a música eletrônica deu o espaço onde tudo isso coexiste. Na cabine, crio uma experiência completa: sonora, emocional e energética. O DJ Thonn é a síntese de toda a minha trajetória.