ENTREVISTA | MAWA FALA SOBRE EVOLUÇÃO ARTÍSTICA, O SET “GROOVE E CLEAN” E O NOVO ÁLBUM

Nesta edição especial, conversamos com o DJ e produtor MAWA, um nome de peso que construiu uma trajetória sólida na música eletrônica ao longo de mais de uma década de estrada. Com uma bagagem marcada pelas pistas dos principais clubs do país, o artista detalha sua transição artística (Thiago Costa) e o amadurecimento que deu vida ao seu projeto atual.

​Explorando com maestria a fusão entre a energia do Tribal House, a sofisticação do Melodic Techno e a força percussiva do Afro House, MAWA se mantém em constante reinvenção sem perder sua identidade marcante. Na conversa a seguir, ele compartilha os bastidores da criação de seu recente set “Groove e Clean” e adianta os conceitos por trás de seu aguardado álbum, “Love, Music, Dance”.

​”O nascimento do MAWA representa essa fusão: a bagagem e a presença de pista do Tribal combinadas com a sofisticação das novas vertentes.”

​A seguir, confira a entrevista completa:

MAWA, sua jornada na música eletrônica começou em 2009, tocando Tribal House nos principais clubs do país sob o seu nome de batismo, Thiago Costa. Como foi o processo de maturação artística que te levou a adotar o projeto MAWA e integrar novas vertentes como o Afro House e o Melodic Techno à sua essência?

​O projeto MAWA não nasceu para anular o Thiago Costa, mas sim como uma evolução natural. Começar em 2009 tocando Tribal House nos principais clubs do Brasil me deu uma bagagem de pista gigantesca.

Com o passar dos anos, percebi que minha pesquisa musical e minhas produções precisavam de novos horizontes. A transição para integrar Afro House e Melodic Techno veio dessa busca por maturação. O Afro House ressignificou a força das percussões que sempre fizeram parte do meu DNA, enquanto o Melodic Techno trouxe o design sonoro moderno, a atmosfera imersiva e a emoção.

O nascimento do MAWA representa essa fusão: a bagagem e a presença de pista do Tribal combinadas com a sofisticação das novas vertentes.

​”A chave está em entender que a minha identidade não depende exclusivamente do gênero que estou tocando, mas sim da energia, do groove e da intenção que coloco no set.”
​A cena eletrônica evolui rapidamente, mas um dos seus maiores compromissos é inovar sem perder a sua personalidade. Como você equilibra a busca por novas sonoridades e frequências mantendo aquela identidade marcante que o público já reconhece nas suas pistas?

​A chave está em entender que a minha identidade não depende exclusivamente do gênero que estou tocando, mas sim da energia, do groove e da intenção que coloco no set. Para inovar sem perder a essência, me mantenho sempre em pesquisa constante, é um exercício contínuo de filtro: só entra no set aquilo que conversa diretamente com a minha verdade.

​No último dia 16 de setembro, você lançou no SoundCloud o set “Groove e Clean”, que aposta em uma frequência limpa, inovadora e cheia de ritmo. Qual foi o conceito e a pesquisa sonora por trás da construção dessa sessão?

​O “Groove e Clean” foi concebido com a proposta de entregar um som altamente dançante, mas extremamente polido e bem definido. Muitas vezes, a energia de um set é associada ao excesso de elementos sobrepostos. Neste trabalho, quis ir pelo caminho oposto: criar impacto através da clareza sonora. Foram alguns meses de pesquisa e produção até chegar nesse resultado, que na minha opinião é um set dinâmico, moderno e elegante, que mantém o corpo em movimento sem saturar os ouvidos.

​”Testar remixes, edits e mashups inéditos é a prova de fogo: ver a reação imediata do público a uma quebra de ritmo ou a uma combinação harmoniosa que criei é uma troca visceral.”
Uma característica marcante desse novo set é o uso exclusivo de produções próprias, incluindo remixes e mashups autorais. Qual é o impacto na energia da pista quando você apresenta um set 100% assinado por você e como é ver o retorno do público a cada edit exclusivo?

​A energia é diferente porque o público percebe que está ouvindo algo único, feito sob medida para aquele momento. Testar remixes, edits e mashups inéditos é a prova de fogo: ver a reação imediata do público a uma quebra de ritmo ou a uma combinação harmoniosa que criei é uma troca visceral. É um retorno diário que valida as horas dedicadas no estúdio e reforça a autoridade do projeto.

 
 
 
 
 
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​O groove é a espinha dorsal da sua música para manter a vibe lá no alto do inicio ao fim. Qual é o segredo técnico e sensível para manter essa constante rítmica sem deixar o set repetitivo?

​Do ponto de vista técnico, o segredo está na gestão das frequências baixas e na variação dos elementos percussivos. Manter a pressão do kick e do bass em perfeita sintonia garante a sustentação contínua da pista.

A variação vem nos detalhes: na introdução gradual de novas percussões, em viradas bem posicionadas e no uso estratégico de efeitos para criar momentos de tensão e alívio. Do ponto de vista sensível, é a leitura sonora.

O groove não pode ser uma linha reta e monotonia não é consistência. Saber balancear a energia física e respiro emocional é o que mantém a vibe no topo do início ao fim do set.

​”O álbum ‘Love, Music, Dance’ é a consolidação de toda essa minha jornada de reconstrução e maturidade.”
​Para fechar com chave de ouro: você já está preparando o lançamento do seu novo álbum, intitulado “Love, Music, Dance”. O que você pode adiantar sobre o conceito desse trabalho, a sonoridade das faixas e a mensagem que você quer deixar para os leitores da Colors DJ Magazine?

​O álbum “Love, Music, Dance” é a consolidação de toda essa minha jornada de reconstrução e maturidade. O título traduz os três pilares que sustentam minha vida e minha carreira: o Amor como força da criação, a Música como linguagem universal e a Dança como o ritual de libertação.

Sonoramente, o trabalho transita com fluidez entre o Afro House, Tribal House e o Melodic Techno, trazendo composições ricas, vocais marcantes e melodias profundas. É um álbum pensado tanto para a experiência imersiva nos fones de ouvido, quanto para som dos clubs e festivais.

Para os leitores da Colors DJ Magazine, a mensagem que deixo com este trabalho é sobre evolução e coragem de se reinventar. A música eletrônica é transformação constante, e esse álbum é o meu convite para que todos celebrem essa conexão, na pista e fora dela.