ENTREVISTA | DEEJAY RIFOX FALA SOBRE ESTREIA NO BRASIL E CONEXÕES DA PERIFERIA DE LISBOA NO FAVELA SOUNDS

Nesta edição especial, conversamos com o produtor português Deejay Rifox, um dos grandes nomes da nova geração da música eletrônica nos subúrbios de Lisboa, que desembarca no Brasil pela primeira vez para se apresentar no projeto Resenha Favela Sounds. O evento acontece neste sábado, 19 de setembro, ocupando pela primeira vez a madrugada do Centro Cultural Banco das Brasil Brasília (CCBB) com uma proposta intimista e voltada para a força sonora das periferias globais.

 
 
 
 
 
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Com origens em São Tomé e Príncipe e radicado em Portugal, Rifox construiu sua identidade artística a partir de associações comunitárias nos bairros lisboetas, transformando o estúdio caseiro em ferramenta de inovação para ritmos como o Afro House e o Kuduro. Dono de hits de grande repercussão internacional e parcerias marcantes — como o sucesso recente com sua mãe, Tia Vivix —, o artista traz sua sonoridade vibrante para a capital federal em uma noite que promete sacudir a pista.

A seguir, o DJ e produtor detalha suas expectativas para o primeiro contato com o público brasileiro, a relação entre a produção periférica de Lisboa e do Brasil, o processo criativo por trás de seus maiores sucessos e os próximos passos de sua carreira internacional.

“Acho que nós, dos subúrbios, da urbanização no caso, temos todos a mesma energia e acho que focalizamos isso muito na música.”
Rifox, seja muito bem-vindo ao Brasil! Esta é a sua primeira vez tocando no país, estreando no projeto Resenha Favela Sounds dentro do CCBB Brasília. Qual é a sua expectativa para sentir a resposta da pista brasileira e como você enxerga esse intercâmbio entre a música eletrônica das periferias de Lisboa e as favelas do Brasil?

Olá família do Colors DJ! As minhas expectativas são muito altas, eu acho que vai ser incrível. O Brasil já é um país em que eu queria ir há muito tempo, eu já viajei ao longo do mundo e só faltava mesmo vir ao Brasil. Em relação à energia da música das favelas, eu acho que não tem diferença nenhuma. Acho que nós, dos subúrbios, da urbanização no caso, temos todos a mesma energia e acho que focalizamos isso muito na música. Então, acho que basicamente o nosso som é diferente, mas acaba por ter semelhanças por causa disso.

O Favela Sounds celebra a autonomia da cultura de DJ que nasce nos home studios da periferia e ganha o mundo. Como a cena suburbana de Lisboa usou a tecnologia para transformar o som da diáspora africana (Kuduro, Afro House, Tarraxo) em uma das forças sonoras mais inovadoras da Europa atual?

A cena suburbana aqui em Lisboa, nos ditos bairros, funciona exatamente da mesma maneira do que nas favelas. Aqui, por exemplo, eu sou jovem de uma associação, o nome é “Associação Espaço Mundo”, e desde criança que eu frequento a associação e foi lá que eu comecei a produzir, porque eles conseguiram arranjar equipamento para eu poder produzir e comecei a partir de lá. Acho que é exatamente da mesma maneira. Inclusive, todas as músicas que eu fiz, todas as músicas que têm milhões de visualizações, eu fiz dentro da associação e até hoje continuo a produzir nessa associação.

“Eu estava a produzir o beat, ela gostou, eu disse: ‘oh, entra’. E foi basicamente assim que surgiu o dito ‘Rebola Ti Txon’.”
Suas raízes estão em São Tomé e Príncipe e sua vivência é em Lisboa. Em 2024 você estourou com “Rebola Ti Txon”, uma faixa icônica gravada em parceria com a sua mãe, Tia Vivix. Como foi a experiência de produzir com ela e qual é a importância da família e da ancestralidade na construção do seu som?

Bem, “Rebola Ti Txon”, feito com a minha mãe, é uma música muito importante para mim. Eu acho que é muito importante termos a família junto do nosso trabalho e a minha mãe participa dentro da associação. Ela é a presidente da associação onde eu tenho o meu estúdio, então foi fácil fazer esse link, porque ela costuma me ver muito a produzir dentro da associação. Eu estava a produzir o beat, ela gostou, eu disse: “oh, entra”. E foi basicamente assim que surgiu o dito “Rebola Ti Txon”.

A palavra “Rebola Ti Txon” vem do crioulo de Cabo Verde, país onde eu já fui atuar mais de cinco vezes e é um país que eu também me identifico muito. Eu sou santomense e neste preciso momento, eu e a minha mãe acabámos de lançar uma nova música que está nas tendências de Cabo Verde também, se não me engano está no top 3 e essa música nova está nas tendências de Portugal e está nas tendências de Luxemburgo. Em Portugal está no top 6 de músicas mais ouvidas e em Luxemburgo está em top 13. Chama-se “Tá Caloré”.

Músicas como “Tás a Tocar Bwe”, “Capital do Txilo”, “Maz Sabi” e “Pam Pam Pam” mostram uma identidade autoral muito forte e dançante. Para quem vai te ver tocar pela primeira vez no CCBB Brasília no dia 19 de setembro, como você define a experiência sonora e a energia do set do Deejay Rifox?

Bem, para definir o meu set, eu diria que as palavras são enérgico, inexplicável e padrigada, padrigada é um termo que nós usamos para “esquece”, rebentar mesmo.

“As comunidades ao redor do mundo, as pessoas que lá vivem, vivem todas com ritmo, nascemos e somos criados com ritmo em casa, fora de casa…”
A música eletrônica periférica (seja o Funk Bruxaria de São Paulo, o Amapiano da África do Sul ou o som dos subúrbios de Lisboa) hoje ocupa os maiores festivais e palcos do mundo. Na sua visão, por que o circuito global finalmente se rendeu às batidas e ao groove do Sul Global?

Eu acho que não tinha como o circuito global não se render a nós, as comunidades ao redor do mundo, as pessoas que lá vivem, vivem todas com ritmo, nascemos e somos criados com ritmo em casa, fora de casa e acho que é normal as nossas coisas soarem muito natural porque nós temos mesmo a nossa personalidade dentro das músicas, então eu acho que as pessoas acabam por se identificar com isso.

Para fechar com chave de ouro: quais são os seus próximos passos após essa passagem pelo Brasil e qual mensagem você deixa para os leitores da Colors DJ Magazine que acompanham a nova geração da música eletrônica?

Então, os meus próximos passos são continuar a trabalhar, como tenho sempre trabalhado, continuar a lançar mais músicas, desta vez trazer um pouco da vossa raiz, um pouco de água que eu vou beber aí de vocês, fora isso tentar incentivar também que pessoas do Brasil comecem a fazer o nosso afrohouse Adidas Xaguada, que é o nome técnico para o afrohouse que nós fazemos aqui em Portugal, incentivar outros jovens a produzir, a tocar e certamente levar a minha música para o Brasil e sair daí com mais ouvintes do Brasil no caso.

Olha, muito obrigado a todos, vejo vocês no Favela Sounds este sábado! DJ Rifox na casa, até já!

SERVIÇO
  • Evento: Resenha Favela Sounds

  • Data e Horário: 19 de setembro de 2026, sábado, das 23h às 5h

  • Local: Centro Cultural Banco do Brasil Brasília – CCBB

  • Atrações / Line-up: Deejay Rifox (Portugal), Clementaum (PR), Katy da Voz e as Abusadas (SP), DJ K (SP), Faizall Mostrixx (Uganda), Moesha 13 (Mali/França), UMiranda (DF) e SASKIAVIBES (DF)

 

 
 
 
 
 
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  • Informações de Ingressos: Entrada gratuita, com retirada de ingressos a partir do dia 18/09 pelas bilheterias online e física do CCBB. O evento conta com transporte gratuito de ônibus integrado (rotas em 5 RAs e linha especial ligando o CCBB à Rodoviária do Plano Piloto).

  • Mais informações: favelasounds.com.br | instagram.com/favelasounds