ENTREVISTA | CAT DEALERS COMENTA BASTIDORES DO ROCK IN RIO 2026 E INOVAÇÃO COM A LATAM

Nesta edição especial, mergulhamos nos bastidores da passagem do Cat Dealers pelo Rock in Rio 2026, explorando a grandiosidade da estreia de suas novas identidades visuais e sonoras no palco New Dance Order e o impacto dessa virada de chave criativa na carreira do duo.

Formado pelos irmãos Lugui e Pedrão, o Cat Dealers é hoje um dos maiores expoentes e exportadores da música eletrônica brasileira para o mundo, acumulando mais de 1 bilhão de streams, passagens constantes pelos maiores festivais globais como Tomorrowland e EDC, e presença consolidada no prestigiado Top 100 da DJ Mag.

 
 
 
 
 
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A seguir, conversamos com os artistas sobre a engenharia por trás do novo espetáculo na Cidade do Rock, a experiência inédita de realizar um pocket show a bordo de um voo comercial em parceria com a LATAM, o reconhecimento da família e os próximos passos que definem o futuro do projeto no restante de 2026.

“A gente gosta de pensar no nosso show como um espetáculo mesmo, em que som, luz, laser e todos os elementos visuais trabalham juntos para proporcionar uma experiência 360 graus, e não apenas sonora.”
Lugui e Pedrão, vocês já mencionaram que grandes festivais como o Rock in Rio funcionam como “checkpoints” de virada na carreira de vocês. Sendo o palco New Dance Order a vitrine para a estreia de novas identidades, o que o público da Cidade do Rock pode esperar do novo espetáculo em termos de design de luz, projeções visuais e sonoridade para este dia 4 de setembro de 2026?

Grandes festivais, com uma estrutura que permite que a gente apresente tudo o que está preparando, acabam sendo os nossos grandes checkpoints do ano, e o Rock in Rio obviamente é um deles.

A gente usa esses momentos para começar, com bastante antecedência, a preparar uma série de coisas novas: versões, mashups, remixes, músicas novas e até momentos específicos do show. Um exemplo foi um momento de laser que preparamos especialmente para o Rock in Rio. Como tivemos acesso à estrutura do palco com antecedência, conseguimos trabalhar de uma maneira muito mais precisa.

A gente tem um programa 3D em que monta o palco e começa a desenhar o show da forma como imaginamos que ele deve acontecer. Isso permite pensar nos detalhes e testar as ideias nos shows anteriores, até chegar ao festival com tudo mais redondo.

Para o Rock in Rio, preparamos um set muito explosivo e pensado especificamente para aquele público. O resultado foi um show com muitos momentos de luz, laser, música e toda uma dinâmica visual planejada para aquela estrutura. Ficou muito especial.

 
 
 
 
 
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O palco New Dance Order traz uma engenharia visual totalmente remodelada para esta edição do festival. Como foi o processo de estúdio para desenhar um setlist sob medida que explorasse ao máximo as proporções e a pressão sonora dessa nova estrutura do palco?

É um palco muito grande, com uma estrutura impressionante e uma qualidade de produção muito alta. Quando a gente tem uma estrutura desse nível, sabe que vai conseguir reproduzir no palco exatamente aquilo que está imaginando no estúdio. São poucos palcos em que temos essa certeza absoluta, e é justamente por isso que usamos esses momentos como checkpoints.

Para a gente, montar o show é uma das partes mais legais do trabalho. São três pilares que amamos na nossa carreira: fazer música, tocar em shows enormes — pela adrenalina e pela troca de energia com o público — e montar o espetáculo.

A gente gosta de pensar no nosso show como um espetáculo mesmo, em que som, luz, laser e todos os elementos visuais trabalham juntos para proporcionar uma experiência 360 graus, e não apenas sonora. Ter a oportunidade de fazer isso em uma estrutura da dimensão do Rock in Rio é muito especial e muito divertido para a gente.

 
 
 
 
 
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“Durante o set, por exemplo, tivemos turbulência e precisamos sentar. A música estava rolando, então a gente simplesmente sentou e continuou tocando de lado, na controladora.”
A parceria de vocês com a LATAM levou o aquecimento para o festival literalmente para o céu, com um pocket show a bordo de um voo comercial e ativações no Aeroporto Santos Dumont. Como foi a preparação técnica e a sensação de discotecar nas alturas para os passageiros a caminho do festival sob o conceito “Ir mais alto é viajar com o ritmo da música”?

Foi muito divertido para a gente. A gente nunca tinha tocado dentro de um avião e, pessoalmente, eu nunca tinha visto ninguém fazer isso. Eu lembro de ter visto uma ação parecida muitos anos atrás e ter achado muito irado, então, quando surgiu essa oportunidade, ficamos muito curiosos.

A preparação começou com uma visita técnica a um avião da LATAM. Fomos até Congonhas, entramos no avião com a equipe e fizemos todo o alinhamento técnico para entender o que podia e o que não podia ser feito. Também fizemos uma simulação, porque o tempo disponível durante o voo era muito curto.

O avião decola e, quando chega a aproximadamente 10 mil pés, temos uma janela de cerca de 20 minutos antes de começar o procedimento de pouso. Durante a decolagem e a aterrissagem, obviamente, precisamos estar sentados e com o cinto. Então tínhamos literalmente esses 20 minutos para montar os equipamentos, fazer o som e tocar.

E ainda aconteceram algumas situações inesperadas. Durante o set, por exemplo, tivemos turbulência e precisamos sentar. A música estava rolando, então a gente simplesmente sentou e continuou tocando de lado, na controladora. Foi muito engraçado.

Foi realmente uma experiência muito diferente. A equipe da LATAM foi super simpática e, para eles, também havia uma expectativa enorme, porque ninguém sabia exatamente como os passageiros reagiriam. No fim, quando chegou a hora, estava todo mundo batendo o leque e curtindo muito. Foi divertido demais.

 

 
 
 
 
 
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A campanha da LATAM também envolve o uso de Inteligência Artificial e experiências imersivas. Como vocês enxergam a integração da tecnologia e de megacampanhas de marcas no universo da música eletrônica para criar conexões reais com o público fora dos festivais?

Eu acho muito maneiro quanto mais a gente consegue se conectar com as pessoas fora dos festivais e das festas. A música eletrônica é uma cena grande, obviamente, mas, quando você compara com outros estilos musicais, ainda é uma cena relativamente pequena. Então ela depende muito da força do público.

Por isso, quanto mais a gente conseguir alcançar pessoas, seja usando tecnologia ou não, melhor. Eu sou super a favor desse tipo de conexão. Como artista, é muito legal quando a gente consegue fazer coisas que aproximam a gente do público e criam uma experiência diferente.

 

 
 
 
 
 
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“O Rock in Rio realmente foi um festival muito importante nesse sentido. Como a gente é da música eletrônica, começamos a crescer e tocar em muitos festivais e eventos, mas a nossa família continuava tendo uma certa dificuldade de entender o que aquilo significava.”
É uma declaração muito marcante de vocês a de que foi no Rock in Rio que a “família mais velha” finalmente virou a chave e entendeu que o Cat Dealers tinha dado certo. Como é retornar a este palco em 2026 com o status consolidado de exportadores da música eletrônica brasileira e carregando mais de 1 bilhão de streams na bagagem?

O Rock in Rio realmente foi um festival muito importante nesse sentido. Como a gente é da música eletrônica, começamos a crescer e tocar em muitos festivais e eventos, mas a nossa família continuava tendo uma certa dificuldade de entender o que aquilo significava. Eles sabiam que a gente era DJ e que estávamos construindo uma carreira, mas ainda era algo muito distante para eles.

Isso ficou muito mais próximo quando fomos anunciados no nosso primeiro Rock in Rio, em 2017. Ali, a família conseguiu entender a dimensão do que estava acontecendo. O Rock in Rio é um dos maiores festivais do Brasil e do mundo, com artistas enormes e uma história muito forte no país. É um evento que todo mundo conhece.

Quando fomos anunciados, a galera mais velha da família começou a respeitar mais e entender que o nosso sonho não era simplesmente uma loucura. Era algo possível de alcançar. A gente falava onde queria chegar, mas eles ainda não acreditavam muito.

Então, retornar ao Rock in Rio é realmente magnífico. E não é só dessa vez: desde a nossa estreia, tocamos em todas as edições do Rock in Rio. É um festival que sempre foi muito importante para a gente.

Além disso, o Rock in Rio continua sendo um termômetro muito bom. É um festival muito aberto, em que a gente divide espaço com bandas e artistas de diferentes estilos. Você nunca tem certeza absoluta de como o público vai reagir, e isso gera uma certa insegurança. É normal pensar: “Será que aqui vai estar vazio? Será que vai estar cheio? Será que vai bombar?”

Mas todas as vezes que tocamos, mesmo com essa insegurança, o show explodiu e bombou muito. E dessa vez não foi diferente. Voltar ao Rock in Rio é emocionante para a gente e provavelmente vai continuar sendo pelo resto da nossa vida.

 
 
 
 
 
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Vocês já rodaram o mundo passando pelos maiores eventos do planeta, como Tomorrowland e EDC, além de marcarem presença contínua no Top 100 da DJ Mag. Como a bagagem das turnês internacionais reconfigura a energia e o orgulho de vocês na hora de subir no palco de um festival no Rio de Janeiro?

Rodar tantos festivais pelo mundo, festivais superprestigiados e alguns dos maiores do planeta, dá um embasamento muito grande para chegar ao Rock in Rio e entender que estamos falando de um festival do mesmo nível.

O Rock in Rio é um festival de primeira prateleira, de uma dimensão enorme. E existe também um fator muito especial: é um festival desse calibre em casa.

Desde pequeno, como brasileiro, Rock in Rio sempre foi algo muito grande. Para qualquer artista brasileiro, tocar no Rock in Rio é uma realização. Então, poder rodar o mundo inteiro, tocar em tantos festivais incríveis e ainda ter um festival dessa dimensão em casa é algo impagável.

 

 
 
 
 
 
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O show do Rock in Rio costuma ditar o tom dos próximos passos do projeto. O que essa nova era que vocês estão estreando no festival antecipa em termos de novos lançamentos, parcerias internacionais e produções autorais para o restante de 2026?

O fato de ser um checkpoint significa que, quando a gente chega nele, está com muita coisa nova preparada. A gente passa muito tempo trabalhando e se preparando até chegar nesse momento.

Agora que o Rock in Rio aconteceu, todo mundo vai conseguir ver um pouco de tudo aquilo que a gente vinha preparando. Obviamente, a gente não consegue entregar o mesmo nível de produção em todos os lugares, porque cada palco tem uma estrutura diferente, mas, musicalmente, existe um momento novo.

Tem muita música nova, um set completamente diferente, praticamente todas as músicas foram trocadas e temos muitos mashups novos. Isso traz uma dinâmica completamente diferente para o show e marca um novo momento do projeto.

A partir de agora, a gente já começa a olhar para o próximo checkpoint e pensar no que podemos mexer e evoluir até lá. Então pode ter certeza de que existe um Cat Dealers antes desse Rock in Rio e um Cat Dealers depois dele.

Para fechar com chave de ouro: qual a mensagem que vocês deixam para o público da Colors DJ Magazine que vai acompanhar esse show histórico na Cidade do Rock e sintonizar na mesma frequência do Cat Dealers?

Eu espero que vocês tenham amado o show da mesma maneira que a gente está amando fazer ele. Espero que todo mundo tenha a oportunidade de assistir. Quem puder ir ao vivo, vai ser muito especial; e quem não puder, vai poder acompanhar pelo Globoplay por um tempo.

Assistam, mandem feedback, falem com a gente, vamos trocar ideia. E vamos embora!

Fico muito feliz de participar dessa entrevista e de poder compartilhar esse momento com vocês.