REVELAÇÃO | DA DISNEY AO TRIBAL HOUSE: Fellipa Barbato transforma sonho em batida e conquista a cena eletrônica com autenticidade

Direto da Penha para as pistas: conheça a trajetória única de Fellipa, DJ trans que é a nova força do Tribal House no Brasil.

Fellipa é a nova revelação da cena eletrônica carioca e chega com uma proposta ousada, sensível e cheia de potência. Vinda da Penha Circular, no Rio de Janeiro, ela começou sua jornada musical ainda criança, encantada pelas trilhas sonoras dos clássicos da Disney.

Com um estilo que mistura Guaracha, Dutch e Tribal House, ela vem rompendo barreiras como mulher trans em um espaço ainda dominado por estereótipos. Seus sets são intensos, emotivos e construídos com curadoria afiada — sempre voltados para a pista e para quem quer dançar com verdade.

Nesta entrevista exclusiva para a Colors DJ Magazine, você vai conhecer a trajetória de uma artista que transforma vivência em som e movimento. De um quarto na infância aos palcos eletrônicos do Brasil e educadora, Fellipa Barbato mostra por que é uma revelação que veio para ficar.

Fellipa, quando você olha pra sua infância na Penha Circular, qual é a primeira lembrança que te conecta com a música e com esse universo de expressão?

Na infância, eu gostava muito dos desenhos da Disney, e as partes musicais me encantaram profundamente. Foi ali que comecei a me conectar com a música e com as emoções que ela despertava em mim ao ver os personagens cantando.

Mesmo ainda se entendendo no mundo, você já se apresentava para o espelho e fazia do quarto seu palco. Qual era a trilha sonora desses shows imaginários?

Os musicais da Disney sempre me cativaram, mas as três músicas que mais cantava eram: A Pequena Sereia – Parte do Seu Mundo, A Bela e a Fera – Madame Gaston e A Bela Adormecida – Era Uma Vez um Sonho.

Na adolescência, você começou a explorar mashups e imaginar batidas diferentes. De onde vinha essa curiosidade tão criativa com tão pouca idade?

Olha, não sei responder com total exatidão (rsrsrsrs), mas acredito que muito vinha dos meus sonhos. De tanto ouvir repetidamente as músicas que eu pesquisava na época, comecei a sonhar com batidas e combinações entre elas. Eu tinha um Discman e dormia ouvindo minhas faixas favoritas – acho que isso estimulava minha imaginação musical.

Como foi que a música eletrônica começou a te fisgar de verdade lá por 2009? Alguma track ou artista foi um divisor de águas pra você?

Summer Eletrohits 6 teve um papel importante, mas o verdadeiro divisor de águas foi um ano antes, em 2008, com a música I Don’t Know Why, da Moony. Aquela faixa despertou algo muito forte em mim.

Você se aproximou da cena noturna carioca aos 24 anos. O que mais te encantou no Tribal House e no ambiente das festas naquela época?

Além da sonoridade diferente e das batidas marcantes, o que mais me encantou foi a inclusão social. Naquele período, eu não tinha amigos que frequentavam a cena noturna do Tribal, mas aos poucos fui conhecendo pessoas que me acolheram e me aceitaram como eu sou — livres de preconceitos.

Uma conversa com a DJ Má Rodrigues foi um ponto de virada na sua vida. O que passou na sua cabeça naquele momento em que percebeu que poderia ocupar um espaço inédito como DJ mulher trans no Rio?

Me lembro perfeitamente de pensar: “Será que vai dar certo? Será que vou me encontrar profissionalmente?” Essas foram algumas das incógnitas que surgiram. Carregar o peso de ser a primeira mulher trans do Rio de Janeiro na cena Tribal House era uma responsabilidade enorme, e eu sempre me cobrei muito para ser cada vez melhor.

Como foi a experiência de se formar como DJ em 2020, especialmente com o professor Alex Lisboa, que marcou tanto sua trajetória?

Foi uma experiência totalmente incrível. O Alex Lisboa foi um excelente professor. Mesmo ele não sendo fã da sonoridade que eu comecei a explorar na época — a Guaracha, que sigo defendendo até hoje —, ele sempre demonstrou muito zelo e paciência. As aulas eram leves e divertidas, com brincadeiras que ajudavam a tornar o aprendizado mais fluido e cativante.

Sua identidade nos sets passa por estilos como Guaracha e Dutch. O que essas sonoridades dizem sobre quem você é como artista?

Elas representam uma mulher que se permite ser diferente onde quer que vá. Carrego comigo uma frase da Coco Chanel que diz muito sobre minha essência: “Para ser insubstituível, você precisa ser diferente.”

Você já tem tracks autorais e até criou seu próprio curso de formação de DJs. O que te move a dividir seu conhecimento com outras pessoas?

O que me move é poder compartilhar minhas experiências pessoais com os alunos, mostrando que a profissão de DJ é importante e carrega um peso significativo. A música transforma pessoas, cria memórias, desperta emoções e cura. Ser DJ é ser o coração pulsante de cada evento.

Olhando pra frente: onde você se vê nos próximos anos e o que ainda quer conquistar como DJ, produtora e educadora da cena eletrônica?

Quero me expandir cada vez mais dentro dos diversos gêneros da música eletrônica, produzir novas músicas e colocar minha criatividade em prática nas próximas produções. Desejo ensinar cada vez mais pessoas e levar meu som, minha arte, para festivais, boates e eventos — primeiro aqui no Brasil, especialmente nos estados onde ainda não toquei, e depois pelo mundo afora. Quero conquistar todos os públicos: de todas as idades, gêneros e etnias.

Foto de DIH AGANETTI

DIH AGANETTI

Repórter e Editor-Executivo

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