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REVELAÇÃO | Vem Ferver com Icaro Ian

Paraense, Icaro Ian, é a revelação do Tribal House neste mês de maio

Nossa revelação do mês representante do tribal house é Icaro Ian, o DJ e produtor paraense que hoje vive em Campinas e já arrepiou com seu som as pistas de São Paulo, Campinas e São José do Rio Preto e sacudiu também festas nos estados do Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. 

Ele se apresentou para 10 mil pessoas no Trio da Boate Luuv na Parada Gay em 2018 e não deixou ninguém parado. Também já tem no currículo a Garden Pool Party, uma das maiores festas do interior de São Paulo, em Campinas, cujo SET PROMO já ultrapassou os 10 mil plays no soundcloud.com. Produziu, além de vários remixes e mashups, tracks originais como “Syrimbal” e “Chic Chic Chic Boom”. 

“Eu acho que o DJ tem a experiência completa de conexão com a pista mesmo, quando ele toca algo que ele produziu do zero.” – Icaro Ian.

Durante a quarentena em 2020, além de transmitir sets através de Lives para selos famosos em São Paulo (como Cantho, Banco PRIDE e Igrejinha) e internacionais (como a United Party da Argentina), produziu e transmitiu ao vivo o #VEMFERVERCOMIGO, seu show digital, ainda disponível no seu canal oficial do Youtube. 

Em breve, nosso entrevistado nos presenteará com o lançamento de um novo set e um EP só com músicas autorais. O nome ainda é segredo, … Posso adiantar que vai trazer uma identidade sonora regional amazônica bem presente marcada pelo tribalzão raiz e algumas experimentações sonoras.

É um prazer para nós conversarmos com você! Vamos começar: Conte-nos um pouco sobre sua história na música. Qual foi o gatilho para começar a tocar e quando começou a produzir suas próprias tracks? 

Eu sempre fui apaixonado por música. E frequento boate desde os 15 anos de idade, então tribal house sempre foi um ritmo que fez parte da minha vida, mas as CDJs vieram por causa da minha irmã, Sarah. Ela passou por momentos difíceis na escola por conta de bullying. Então quando ela fez 15 anos, lá em 2014, eu queria que ela tivesse a melhor festa do mundo. Por isso, eu fiz um curso de DJ. Pra tocar as músicas favoritas dela. Foi um sucesso. Ver ela ,que era uma garota tímida, se jogando, dançando, ao som das músicas que eu tocava, foi a melhor sensação do mundo. Viciei nessa sensação e é ela que me faz subir todas as vezes pra cabine. Eu era comissário de uma cia aérea, e a escala de vôos me atrapalhava para estudar. Depois larguei os aviões e fui estudar Cinema, minha outra paixão. E as picapes ficaram guardadas. Quando decidi investir de vez na carreira de DJ, dediquei todo meu salário de videomaker em equipamentos e cursos; fui estudar. Pensei que se fosse pra embarcar nessa nova viagem, precisaria de todas as ferramentas dentro da bagagem. Eu não queria só tocar… eu queria também criar minhas próprias músicas. Em 2018 fiz o curso de produção com um dos meus ídolos… o VMC e fiz minha estréia tocando pela primeira vez em uma boate. De lá pra cá, foi só fervo! 

1ª vez tocando no aniversário de 15 anos da irma Sarah. Foto: arquivo pessoal do DJ

Por falar em fervo, o #Vemfervercomigo, seu vídeoset lançado no auge da quarentena do ano passado, foi muito elogiado, mas ele teve que ser gravado 2 VEZES, conte-nos o que aconteceu. 

O que aconteceu foi um HD externo caindo e espatifando no chão. Nós gravamos a primeira versão em uma fazenda de amigos próximo a São José do Rio Preto. Câmeras no automático, GoPro e meu marido gravando com a câmera em movimento. Equipe mega reduzida por conta de A – Distanciamento Social e B – Recursos reduzidos. Eu mesmo editei o projeto, com todas as câmeras e masterizei a faixa de áudio. E quando já estava no processo de correção de cor, o HD caiu e quebrou. Tudo se perdeu, o show digital inteiro e alguns projetos de músicas (inclusive uma original). Quase entrei em depressão, mas depois levantamos a poeira e regravamos tudo novo. FOI A MELHOR COISA QUE PODERIA TER ACONTECIDO, pois a locação que conseguimos era muito mais linda, em Aparecida do Taboado, no Mato Grosso do Sul, e tudo que deu errado na primeira, consertamos na segunda. Há males que vêm para bem. No final das contas, deu tudo certo, mas hoje em dia, tudo tá na nuvem. 

“Eu sinto um orgulho enorme de representar a cultura do meu estado fundida com música eletrônica. Eu saí do Pará há muitos anos, mas o Pará não sai de mim!” – Icaro Ian.

Você tem bem marcado em seus trabalhos os ritmos do Norte do país, Paraense de Belém, Qual é a sensação para você, de representar sua terra em GIGs fora do seu estado?

A musicalidade do Norte é riquíssima. O paraense cresce ouvindo os ritmos regionais como Carimbó, Lundu e Siriá. As melodias são lindíssimas e a percussão sempre muito marcante e energética. Nós também nos banhamos de influências dos ritmos caribenhos, como o Calipso e Cúmbia e apesar de fortes raízes indígenas, nossa região criou um ritmo super tecnológico que é o tecno brega, sucesso no Brasil todo. Todo esse caldeirão sonoro faz parte da minha construção musical e reflete diretamente na escolha do meu repertório. Eu sinto um orgulho enorme de representar a cultura do meu estado fundida com música eletrônica. Eu saí do Pará há muitos anos, mas o Pará não sai de mim! 

Como é para você produzir e tocar? O que sente reproduzindo suas criações, sentindo a reação da pista, qual é a emoção? 

Eu acho que o DJ tem a experiência completa de conexão com a pista mesmo, quando ele toca algo que ele produziu do zero. Porque é sua alma que você está diluindo no ouvido das pessoas. Eu passo horas intermináveis produzindo música na frente do computador e quando finalmente resolvo ir descansar parece que não sobrou nada de mim, ficou tudo ali no projeto, mas vale muito a pena quando você vê todo aquele trabalho entrando na alma da pista. Mais legal ainda é quando você vê um colega ou um ídolo tocando seu trabalho. Aí é êxtase puro. Sempre choro. 

Recentemente você ingressou no time da agência RA & Vasques. Para um DJ profissional, conte-nos um pouco sobre como é ter um suporte desses em seu trabalho. 

Eu fiquei imensamente feliz com o convite pro projeto. Aceitei de cara, pois há anos acompanho e admiro muito o trabalho do Vasquez e os projetos da Rosane. Muita gente não sabe, mas eu que cuido de todo o meu Marketing Digital. Desde a criação da arte das capas de set ou singles, passando até os vídeos animados para stories do instagram, backdrop ou pro meu canal oficial do Youtube. Além disso, eu nunca gostei muito de pedir data para contratantes e principalmente a parte das negociações sempre me deixou muito desconfortável, porque você quer valorizar o seu trabalho sem parecer metido mas também não quer ninguém botando preço no seu projeto. Agora não preciso mais me preocupar com essas coisas. Quando existe uma agência cuidando disso tudo, divulgando, fechando datas e intermediando esse processo de cachê, nossa cabeça fica mais livre para criar e se preparar melhor para a GIG. É extremamente importante que haja essa profissionalização dos nossos DJs na cena, para que sejamos respeitados como artistas profissionais e melhor aproveitados pelo mercado. Estou muito feliz. 

O que você diria sobre a evolução do seu som a partir dos seus últimos lançamentos? Em que “Diaba” da Urias difere de suas outras faixas? Conte-nos um pouco a história desse remix e como foi produzi-lo. 

Acredito que ultimamente tenho ousado mais e saído mais da caixinha. Eu fujo do mainstream na hora de escolher faixas para remixar. Eu gosto de remixar músicas que não tiveram a atenção devida nas pistas eletrônicas. Acredito que LGBTQIA+ é o ser mais culto que anda na face da terra. A gente conhece tudo sobre música de todos os gêneros, mas infelizmente acabamos caindo no erro de focar apenas no pop farofa internacional para trazer remixes para pistas. Quando há um leque enorme de possibilidades fora disso. Eu amo vocais nacionais. “Diaba” é um exemplo disso. Quando eu escutei a primeira vez achei que essa música pedia um remix poderoso pois a mensagem que ela traz é muito forte. É engraçado pois eu fiquei meses nesse remix até achar a montagem correta. Fiz e refiz ele várias vezes. Na verdade, a versão final exportada para masterização foi a 11º. 

E o seu processo criativo? Talvez você possa destacar os principais estágios de criação no seu trabalho. O que geralmente te inspira a criar música? E como é para você produzir em meio a quarentena? 

Geralmente as minhas produções surgem de uma ideia de melodia. Muitas coisas que já fiz começaram com um “PAN PARAN RAN”. Já aconteceu de eu acordar na madrugada e cantarolar no WhatsApp um trecho de uma melodia que surgiu num sonho. Daí eu peço pro meu marido, Erastos, que é minha “SIA IN THE BASEMENT” (pianista), transformar em acordes no piano. Daí são dias ou semanas fazendo testes, trocando elementos, inserindo coisas. Gravo várias demos, até ir me encontrando. A quarentena me permitiu ter mais tempo pra me dedicar à produção. Como não tô saindo pra tocar, passo muitas madrugadas do final de semana produzindo ou estudando. Antes eu achava que tudo dependia de inspiração, mas a quarentena me ensinou uma coisa: Quando faltar inspiração, use a persistência. 

Foto de Divulgação.

“…Eu sempre digo que música boa pra mim é aquela em que você chora ou rebola. Se mexeu com teu coração ou com teus quadris, já vai ficar gravada na alma.” – Icaro Ian. 

A música tem esse dom de curar a mente, corpo e a alma, que é o que a torna universal e poderosa. Como você espera tocar as pessoas através de seu trabalho? 

Eu sempre digo que música boa pra mim é aquela em que você chora ou rebola. Se mexeu com teu coração ou com teus quadris, já vai ficar gravada na alma. Eu busco trazer sentido, conceito, pro meu trabalho. Não consigo preparar um set sem pensar numa historinha que eu queira contar através daquelas músicas. Desde a ordem, as letras, os instrumentos, tudo faz parte de algo que é sempre pensado em quem recebe a música. A aleatoriedade não combina comigo. Eu acho que para tocar as pessoas, busco profundidade, trabalhar em camadas. Na minha opinião o DJ pode trabalhar as camadas que vão muito além de trocar de música na hora certa. Pode buscar englobar todo um conceito performático, visual e sensorial que pode ser traduzido em músicas, capas de set, identidade visual, figurinos, maquiagem e etc… Eu espero que a pessoa tenha uma experiência completa. 

Existe um artista de quem você sonharia em lançar algo?

No exterior Lady Gaga; no Brasil com certeza um remix oficial da Pabllo Vittar seria um sonho. 

Qual é a faixa que nunca envelhece para você, não importa quantas vezes você a ouça? 

Jennifer Holliday – “A Woman’s Got The Power” (Thunderpuss 2000 Club Anthem Mix).

Quando podemos esperar por novos lançamentos? Você já tem algum SET em mente para lançar? Qual será o tema dele? 

Vou contar em primeira mão pra vocês aqui: o próximo set vai ser especial para o mês do Orgulho LGBTQIA+. Vai se chamar SULAMÉRICA e vou homenagear as pessoas LGBTQIA+ da América do Sul. Vai ser um grande tributo ao gay latino. Nele, lanço meu mais novo Remix de “Volare” dos Gypsy Kings, além de mashups e reworks, e vai ter uma pegada bem caliente. Aguardem a capa, que vem surpresa. 

Soubemos que pretende lançar em breve um álbum recheado com tracks originais. Quando será? Fale-nos um pouco sobre esse projeto. 

O nome ainda é segredo, mas esse EP é a síntese do que eu falei acima sobre as minhas referências musicais do norte. Posso adiantar que vai trazer uma identidade sonora regional amazônica bem presente marcada pelo tribalzão raíz e algumas experimentações sonoras. Todas as músicas serão produções originais e em algumas delas vou trazer parcerias com Produtores nacionais, internacionais e cantores. Mas talvez venha uma faixa bônus de um novo remix exclusivo feito por um grande produtor brasileiro, de algo que já lancei…Talvez. Também estou fazendo um trabalho de planejamento de marketing visual total, com turne, figurino, vídeos e publicidade específico para cada rede social. Assim que os primeiros sinais de normalidade aparecerem (acredito que só a partir do segundo semestre), vamos iniciar os trabalhos de divulgação de cada faixa. É algo mais pro final do ano. Aguardem algo bem fora da curva. 

Foto de Divulgação.

Para finalizar, o que você falaria para os DJs que anseiam também serem produtores de suas próprias tracks? 

Coragem, estudo e planejamento. Coragem para acreditar no próprio potencial , seja você seu maior fã. Coragem também para ousar e trazer coisas novas. Estamos saturados de remixes das mesmas cantoras pop e mashups com as mesmas bases que todos usam. Estudem teoria musical, além de te ajudar a mixar melhor, também pode te salvar de um mash fora do tom. E se não tem grana agora para pagar um curso de produção, através do Youtube você já consegue aprender muita coisa através de tutoriais gratuitos. O futuro é do DJ que produz e traz tracks exclusivas para a pista. Por último, planeje sua produção musical. No começo eu iniciava inúmeros projetos ao mesmo tempo e acabava abandonando alguns por falta de organização do tempo. Dedique-se a um projeto de cada vez se puder, dessa forma você chega mais rápido ao resultado que você quer e assim já pode passar para a próxima música. Uma música finalizada é melhor que várias engatadas na metade. Ahhh já ia esquecendooo, faça semanalmente backup de todos os seus projetos em alguma nuvem! hehehe…

Último set
Último remix

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