Do piano clássico aos palcos internacionais: como o artista de 21 anos transformou a autocobrança em combustível para dominar o Tribal House.
A trajetória de BIEL na música eletrônica é o reflexo de quem sempre usou a arte como sua principal linguagem. Nesta edição da Colors DJ Magazine, conhecemos a história do DJ que trocou os corais e o piano pelo peso das pistas de Tribal House, superando a própria autossabotagem para viver um sonho que parecia distante. O texto explora o equilíbrio entre a sensibilidade melódica e a força estética de quem já foi modelo, revelando os bastidores de um ano explosivo que levou o som brasileiro para além das fronteiras nacionais e consolidou o jovem curitibano como uma das realidades mais vibrantes da cena atual.
Com apenas 21 anos, este seletor paranaense radicado em São Paulo imprime uma identidade rica em texturas e sentimentos. Sua formação musical clássica é o diferencial que traz alma aos seus sets, onde notas de piano e vocais melódicos ocupam o centro da narrativa sonora. Dono de uma presença de palco magnética influenciada por sua percepção estética, o artista constrói sua imagem diariamente, fugindo de padrões lineares e apostando na autenticidade. Sua jornada internacional recente apenas confirmou o que as pistas brasileiras já sabiam: o talento deste DJ em ascensão é uma força global imparável.
A logística inteligente da mudança para a capital paulista, o “tapa de realidade” ao tocar no clube dos seus sonhos e a turnê pelos Estados Unidos planejada para 2026 são os temas centrais deste diálogo sincero. BIEL abre o jogo sobre como lida com a pressão de ser um destaque na cena e o que diria para o seu “eu” de oito anos que cantava em corais. Confira agora o nosso conteúdo de REVELAÇÃO completo e entenda como a “cabeça doida” deste artista está desenhando o futuro do Tribal House com sofisticação e muita energia.
Biel, você conta que a música sempre foi a sua forma de verbalizar o que as palavras não alcançavam. De que maneira a sua experiência com o canto em corais e com o piano influencia a sensibilidade melódica que você traz hoje para os seus sets de Tribal House?
Influência em absolutamente tudo, o tempo todo. Inclusive, a primeira intro que eu fiz de Tribal House tem uma parte inteira com melodias de piano. Isso me toca demais e eu sempre quis mostrar isso para as pessoas. Minha paixão por vocais melódicos e por notas de piano está em pelo menos 70% dos meus sets.
Você começou no Open Format há dois anos, mas o Tribal House sempre foi o seu “sonho impossível”. Qual foi o momento exato em que você decidiu parar de se sabotar e acreditar que a sua identidade combinava com a força desse gênero?
Na verdade, o tribal não era um “sonho impossível”, mas conquistar os grandes palcos era. Só quem está na cena e vive o tribal sabe o quão difícil e limitada é a nossa cena, infelizmente. Eu já sabia disso, por isso não esperava; só fui fazendo meu trabalho e, quando percebi, já estava nesses locais. Sinceramente, eu nunca parei de me sabotar; até hoje tenho uma autocobrança imensa e continuo me sabotando (risos), mas agora um pouco menos.
No dia 7 de dezembro de 2024, você realizou o sonho de tocar no clube que mais desejava. Como foi a sensação de descer do palco naquela noite e perceber que a vida estava te dando um “tapa de realidade” sobre o seu próprio talento?
O dia 24 de dezembro foi um dos dias mais felizes da minha carreira. Eu olho para trás com tanto orgulho… eu ainda tinha tanta coisa para viver e aprender. Olho para aquele Biel com orgulho demais.
Em apenas um ano, você conquistou 10 cidades, 5 estados e agora volta de uma turnê por dois países. Como foi a experiência de levar o Tribal brasileiro para fora e como o público internacional reagiu ao seu som?
A experiência de tocar fora do Brasil foi incrível. As outras culturas amam o Brasil, nossa música é única. Não existe outro povo que tenha mais felicidade em viver — se existe, eu desconheço — e isso, sem que percebamos, transparece nas apresentações. Eles ficam encantados demais, é surreal!
Você menciona que seus colegas sonhavam com faculdades tradicionais enquanto seu sonho era “ser artista”. Como é, hoje, olhar para trás e ver que você transformou aquele sonho “vago” em uma carreira sólida?
Eu ainda não acredito na real, tudo aconteceu bem rápido. Eu ainda me acho um louco por isso, mas acho que as melhores coisas só acontecem para nós, loucos (risos).
O Tribal House é um gênero de conexão física e espiritual intensa. Como o seu passado como modelo e sua percepção estética da arte ajudam você a construir a sua presença de palco e a imagem do “Biel” artista?
A construção da minha imagem como artista ainda está em processo. Eu construo o Biel todos os dias, sempre quando acordo e tenho uma ideia diferente, uma roupa diferente que veio à cabeça. Não acredito que a construção de um artista seja linear; tudo muda muito o tempo todo, inclusive eu. Sobre o passado como modelo, ele influencia completamente no Biel de agora: nas fotos, nos olhares e na forma de escolher o que quero usar, principalmente. Ele continua vivíssimo aqui dentro.
A mudança de Curitiba para São Paulo é um passo grande. Como a energia da capital paulista moldou o seu jeito de tocar e acelerou o seu crescimento profissional?
Não acredito que estar em São Paulo acelerou meu crescimento. Eu cresci muito não morando aqui também. Estar em São Paulo facilitou minhas logísticas e tudo mais. Chegou um momento em que eu estava mais aqui do que no Sul, então, na minha opinião, foi uma decisão inteligente de se fazer.
Você diz que se sente um “vencedor por pelo menos ter tentado”. Qual foi o maior obstáculo que você enfrentou e o que você diria para o Biel de 8 anos que cantava no coral?
Nossa, o Biel de 8 anos ia me achar foda demais (risos). Talvez eu diria pra ele só continuar fazendo o que o seu coração mandava, exatamente o que eu sempre fiz.
Sendo um artista de 21 anos, como você lida com a pressão de ser uma “promessa” da cena e como faz para manter os pés no chão?
Não gosto de pensar que eu sou uma “promessa”. Meu maior sonho é tocar as pessoas com a minha música, e isso eu já faço. O que vier depois disso é consequência. Sobre essa “pressão”, eu não penso nela. Aprendi que fazer uma coisa de cada vez, sem olhar o todo, é mais fácil do que olhar o todo, porque às vezes ele assusta.
Para fechar com chave de ouro: quais são os seus planos para 2026? Podemos esperar novos lançamentos autorais ou a consolidação no mercado global?
O que vocês podem esperar de mim em 2026 é muitos países novos, com toda certeza: uma tour pelos Estados Unidos que vai sair do papel e a volta para a Europa no primeiro semestre para uma tour rápida. E muitas outras coisas que forem passando nessa cabeça doida!
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