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ÍCONE | Johnny Bass: com paciência e dedicação podemos atingir nossos objetivos

Foto de divulgação.

Hoje vamos entrevistar um dos grandes nomes da cena musical do nosso país. Johnny Bass, que acaba de lançar um remix oficial de MODO TURBO, hit da trindade do Pop Nacional Anitta, Pabllo Vittar e Luísa Sonza, comemora 11 anos de carreira este ano e promete muito ¨lançamento do tipo NASA!¨

“Se ao invés de discussões ácidas, os DJs tivessem uma troca de conhecimento, nossa cena seria outra.” Johnny Bass.

Johnny Bass tem conquistado o público com a sonoridade de muita personalidade, sua simpatia e humildade.

Dono de uma identidade sonora marcante, ele traz em sua bagagem 11 anos de experiência e reconhecimento através de suas músicas tocadas mundo afora.

Sua sonoridade é composta pela percussão do tribal e a melodia do progressive house, com sintetizadores inspirados no rock, combinados com muita energia e técnica em suas apresentações.

Aqui você saberá um pouco mais sobre a carreira, suas opiniões sobre alguns temas atuais e seus planos para o futuro.

Como surgiu a vontade de ser DJ profissional?

Eu sempre fui muito ligado à música. Meu avô tem raiz sertaneja e cantava numa dupla aqui na região de Piracicaba/SP, e isso sempre me influenciou muito desde pequeno.
Na adolescência, passava horas em locadoras, pesquisando CDs e criando minhas próprias compilações, e levava onde podia. Eu era aquele que com certeza iria querer comandar o som das festinhas dos amigos, ou até mesmo o intervalo das aulas na escola.
Logo quando comecei a frequentar os clubes e boates, a paixão foi instantânea. Eu não sabia nada sobre “ser DJ”, mas sentia que aquele amor por levar o som que acredito podia ser muito mais.
Eu queria estar ali, no comando daquela galera toda, curtindo com eles!
No entanto, sem nenhum contato até então, meu passatempo foi criar sets pelo famoso (e muitas vezes criticado, risos) Virtual DJ – um programa para PC, para quem não conhece, que simula as mixagens feitas nos equipamentos tradicionais.
Nele, comecei a pesquisar e estudar cada vez mais, mostrando aos amigos o que ia saindo, mas nada sério… até conhecer meu grande amigo Junior Torquatto (conhecido também como Sweet Beatz).
Ele me abriu as primeiras oportunidades em suas festas, ainda tocando via notebook, até pouco tempo depois, quando me ensinou os primeiros passos nas pickups. De 2010 até aqui, é assim que tudo começou.

Seu lado produtor é muito aflorado. Quais são suas maiores referências como produtor, no Brasil e no exterior? E com quem tem vontade de fazer uma collab, mas ainda não rolou?

Eu sou apaixonado pelo trabalho dos nossos talentos brazucas, e isso não é segredo pra ninguém. Sinto que nosso tribal tem conquistado cada vez mais espaço e temos produtores mega criativos e cheio de qualidade.
Desde quando comecei a produzir, sempre tive como grandes inspirações os incríveis Filipe Guerra e Tommy Love. E isso segue até hoje!
Claro que, com uma lista hoje em dia muuuuito mais extensa e que prefiro não aprofundar tanto com medo de esquecer alguém, rs.
Ainda sobre Filipe e Tommy, sinto muita vontade em fazer algo em parceria com ambos. Na cena exterior, eu sempre me encantei pelo Steve Angello. Sinto que minhas produções tem algo de progressivo, às vezes, e talvez essa seja uma das principais influências.

A classe DJ é vista por muitos como desunida. Na sua visão, o que pode ser feito para haver maior união entre os profissionais?

Olha, eu vejo que muito dessa desunião é dada pelo ego. Infelizmente há muitas discussões desnecessárias em assuntos que já foram vivenciados pelos mais experientes, inclusive, com os mais novos.
Claro que em momento algum tiro a razão de quem está há mais tempo no mercado: quem tá chegando agora PRECISA estudar e ter uma boa visão de carreira em vários aspectos, não somente em repertório e técnica de mixagem.
Porém, se ao invés de discussões “ácidas” e que afastam, tivéssemos uma troca de conhecimento, a cena seria outra. Lembrando que essa minha opinião é apenas uma das pontas do iceberg, mas o que precisamos é começar de algum lugar.

“Meu novo álbum se chamará Awake, que tem o significado de despertar interior.” Johnny Bass.

Foto de divulgação.

De um tempo pra cá, o DJ começou a se transformar em um produto audiovisual. As DJs mulheres e Drags acrescentam às suas apresentações a arte de outras pessoas, seja em seu cabelo, maquiagem, figurino.
No caso dos homens, tem ocorrido a hiperssexualização do corpo: não apenas aparecem no flyer descamisados, mas também tocam sem camisa. Alguns já começam a investir em figurinos e maquiagem também.
Qual a sua opinião a respeito? Até que ponto pode desviar o foco do principal, ou seja, a música?

Eu acho que tudo é válido quando o foco principal é preenchido. Tudo que nos leva a algo A MAIS é mais valorizado, mais visto, mais compartilhado, mais comprado. E isso serve pra qualquer veia artística, não?
Quanto maior a produção, maior o retorno.
Quanto à hiperssexualização, não vejo tanto quanto diferencial hoje em dia. Graças a Deus, pois me incluo demais nisso (risos), o mundo da noite tem dado cada vez mais espaço à diversidade, mostrando que vivemos numa sociedade com diversas formas, cores e estilos de vida.

Conta pra gente qual diva não pode faltar na sua apresentação. E qual sua opinião sobre as pessoas que vem pedir música ao DJ durante o set? Alguns colegas seus abominam, outros não veem nada demais. Como lidar com esse assédio do público?

Ahhh, atualmente o que não falta é Ariana Grande e Dua Lipa. São minhas queridinhas. Kylie rola sempre, também! Mas gosto muito de explorar o lado dos vocais masculinos, sou apaixonado por eles. Rola bastante rock nos meus sets: Audioslave, Foo Fighters, Linkin Park, Whitesnake… tem de tudo, rs.
Quanto aos pedidos durante o set, é uma questão complicada. Já tive episódios de alguém me lembrar de algo que eu estava doido pra tocar e havia esquecido, mas também muitos outros de músicas que simplesmente não encaixavam na linha de som que estava fazendo.
Afinal, qual DJ nunca ouviu um “não rola um funk aí?” ou “toca uma pesadona agora!”? hahahahaha… No final das contas, certos pedidos chegam a ser engraçados!

Conte-nos uma história emocionante que tenha vivenciado em uma apresentação.

Poxa, essa pergunta tem um espaço totalmente reservado na memória e no coração: minha estreia na The Week. Recebi o telefone do André (Almada) em fevereiro de 2019, com o convite de tocar na casa na segunda quinzena de março e, a partir desta data, seguirmos com essa tão sonhada parceria. No entanto, no feriado de carnaval (início de março), foi aberta uma The Pool extra e, naquela mesma semana (cerca de 3 dias antes), recebo novamente a ligação perguntando se toparia uma estreia antecipada. Pensa só! Estrear na The Week, numa The Pool (que é uma das festas que mais AMO), em pleno carnaval! Eu quase enfartei, risos.
Respirei fundo, topei prontamente o desafio e fiz uma loucura: apaguei meus pendrives todinhos e recriei toda minha case nesses 3 dias. O resultado foi muito além do que podia imaginar.
E grande parte disso se deu aos MUITOS amigos presentes. DJs amigos que já dividi residências anteriormente, colegas de profissão que estavam ali pra comemorar comigo esse momento único, galera das cidades aqui do interior, da capital, de outros estados… foi mágico. A emoção toma conta toda vez que vejo um vídeo ou, até mesmo, lembro do turbilhão de sentimentos quando finalizei o set. Sem dúvidas, um dos dias mais lindos da minha vida.

Foto de divulgação.

O que você acha sobre a aceitação cada vez maior de vocais em português nas pistas? Vieram para ficar ou é uma moda passageira, uma tendência que vai acabar “esfriando”?

Eu acho TUDO! Digo e repito: temos muito material nacional de qualidade, SIM. E devemos explorar cada vez mais isso. Muita gente “torce o nariz” em algumas composições, mas se analisarmos as gringas que estão em muitos “TOP 10” por aí…

Quais são os projetos ou músicas que vem aí em 2021? Pode dar algum spoiler?

Posso e vou! hahaha… Tem muita coisa boa preparada e em andamento pra esse ano. Tudo depende do nosso retorno! Eu havia programado o lançamento do meu primeiro álbum, com feats muito especiais pra mim, pra abril do ano passado. Bom, sabemos o que aconteceu, mas levei como incentivo para engrandecer o projeto e agora já tenho 11 tracks engatilhadas e sendo finalizadas para saírem no segundo semestre.

Porém, não vamos trabalhar somente nesse período. Em abril devo lançar um EP com 4 inéditas pra já irmos esquentando pro álbum. E todo um trabalho visual e planejamento de lançamento estão sendo cuidadosamente pensados. Sobre o álbum, posso adiantar seu nome: Awake (e tem todo um significado de despertar interior que quero apresentar com muito carinho quando lançar).

Foto de divulgação.

Que conselho daria pra quem está começando agora a tocar ou a produzir? E como se destacar no meio de tantos profissionais que surgem a cada momento?

Tenha paciência e dedicação. Tudo vem (e DEVE vir) na hora certa. Não se afobe em querer apresentar milhões de trabalhos, foque em estudar bastante e apresente AQUELE trabalho que vai te posicionar no mercado (essa dica eu aprendi depois de certo tempo, pois é super normal a gente querer lançar vários sets ou várias produções quando começamos).
Estude também sobre inteligência emocional, pois te garanto que você vai usar muito na vida. E, acima de tudo, acredite no que você apresenta/vende, acredite em você.
Obrigado, Vitor e todo pessoal da Colors DJ pela entrevista, me senti muito feliz com a oportunidade e relembrando tanta coisa bacana que vivi nesses 11 anos. Estamos vivendo em tempos difíceis, e o reconhecimento em tempos como esse nos abastece de energia. Desejo muito sucesso e vida longa a vocês. Parabéns pelo trabalho!

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