ENTREVISTA | Profissionalismo múltiplo na pandemia

Com mais de doze meses de pandemia, se manter profissional e ativo sendo do setor de eventos foi uma coisa realmente difícil para muitos artistas, empresários, manager e todos os demais profissionais desse setor.

Thiago Torres é Co-founder da Stars Group Brazil, agência de artistas na capital paulista, além de ser produtor das festas Donna, Valente, D’Quinta, Drinks e Deejay há 3 anos.

“...vamos continuar ainda no ponto de parecermos um jardim de infância até quando? Por que não nos ouvimos e dialogamos?”

Batemos um papo com ele sobre esse período de pandemia, sua carreira como DJ, cuidado com os artistas da Stars e posicionamento da mesma perante as festas clandestinas. Confira agora:

Um ano se passou e a pandemia mal parece chegar ao fim. Como foi para vocês da Stars Group Brazil lidar com a pressão e os ânimos de seus artistas? 

Foi um ano com um misto de sensações. No início da pandemia, demos start ao nosso projeto e ao mesmo tempo houve a reclusão e isolamento, cancelamento de eventos e um casting a ser administrado. Com tudo isso, primeiro fomos compreender o que estava acontecendo no mundo, depois entender como empresa o que poderíamos fazer para que tudo se mantivesse em um certo movimento. Agimos digitalmente, como a maior parte das organizações, apresentamos o casting, fizemos lives, transmitimos informações, entrevistamos personalidades e, de toda a forma, tentamos manter todos em um movimento colaborativo e constante.

Os artistas, de uma certa maneira, foram os mais prejudicados, porque tiveram que se reinventar para que sua arte pudesse ser propagada; com os da Stars, não foi diferente, cada um se adaptando dentro de suas condições e possibilidades. Não foi fácil conter os ânimos, mas fomos aprendendo e principalmente entendendo, compreendendo com os erros e por onde poderíamos ir. Com tudo temos criado uma uniformidade e temos construído uma relação agência e artista apropriada, de duas mãos.

Não tivemos eventos, mas o show não pode parar. Quais foram as estratégias que vocês criaram e seguiram para manter a imagem dos seus artistas de alguma maneira mais ativa sem as gigs? 

Diante da necessidade de produzir algo e conteúdo, traçamos planos, alguns efetivos, outros experimentais, mas de alguma maneira tentamos manter uma chama acesa. Logo no início da pandemia fizemos Lives, onde o casting foi apresentado pelo próprio casting, um artista foi apresentado por outro artista, até que mostramos todos os nossos artistas. Com isso numa segunda fase, estruturamos Lives com conteúdos sempre às segundas, quartas e sextas, sendo os assuntos respectivamente, sobre os bastidores das profissões ligadas a eventos em geral (apresentado por mim), entrevistas e/ou temas que estavam sendo tratados no momento, sempre ligado ao entretenimento (apresentado pelo casting da Stars) e entrevistas, assuntos ligados a cena LGBTQIA+ com personalidades (apresentado pelo DJ Victor Leben, do casting da Stars).

Além desse conteúdo desenvolvido para os artistas da agência, utilizamos dois selos de festas, que tem como direção de produção do Fabiano Carvalho, fizemos o D’quinta at Home (festa que acontecia no Igrejinha Bar todas as quintas-feiras, com os residentes Gabriel Pinheiro, Rodrigo Tofollo, Tiago Santaroza e Thiago Torres), dando oportunidade para outros DJs, não sendo exclusivo para o casting da Stars, com o House Music bem in natura até 128 bpms, e também a Drinks (festa que acontecia em diversos bares) que vinha com um long set do DJ convidado dando propriedade aquele artista e também não sendo exclusivo aos artistas da Stars.

E por último, fizemos Live Show, com intuito de dar prioridade aos artistas da casa em nossa sede.

Digital Show Senses – gravado na Stars

Muitas agências acabaram perdendo alguns DJs para as festas clandestinas. Isso aconteceu com vocês? Qual foi o posicionamento da empresa perante essas questões?

Entendemos que como empresa, não poderíamos criar e executar festas, exatamente porque não seria certo, honesto e estaríamos descumprindo os decretos exigidos pelo governo. Tentamos durante todo o processo, informar e instruir o casting, pautando o artista com liberdade e 100% de consciência, esclarecendo a responsabilidade de cada um. Nossa expertise e assessoria estiveram abertas ao que precisassem, mas como pessoa jurídica não poderíamos absorver essa responsabilidade. Diante do cenário, a Stars entendeu que deveríamos orientar, mas não poderíamos decidir pelo artista, deixando sob a responsabilidade do mesmo a decisão.

A Stars vem em seu processo de estruturação e assim que tivermos liberação oficial para eventos, com certeza estaremos “avant garde” para fazer e entregar o melhor.

Thiago Torres - crédito de Edmar Martins (@edmarfotografo) & Stars Studio (@stars.estudio)

Além de um dos sócios da Stars você também é DJ. Conta pra gente como foi pra você se manter com a chama acesa durante todo esse período de pandemia. E o quão produtivo você foi nesses últimos meses? 

Iniciar um projeto tão incrível e ousado como a Stars, certas vezes tem seu desgaste, como qualquer outro trabalho, e o fato de ser DJ, foi exatamente o que me trouxe prazer, como uma alternativa de aliviar o stress da pandemia e também do dia a dia. 

Eu consegui produzir bastante coisas, como residente do D’Quinta, nas lives do D’Quinta at Home, criei sets com uma certa história e contexto para entregar ao público, um deles foi só com vozes femininas, outro foi só com vozes masculinas, outro foi com alguma mensagem de apoio. Além disso, com a pandemia, não pudemos fazer festas de aniversário, e com o objetivo de comemorar com alguns amigos, mesmo à distância, fiz alguns sets de acordo com músicas e a personalidade de alguns amigos e que foram gerando conteúdo também, a partir daí resolvi fazer alguns sets exclusivos, só com remixes da Britney Spears, Madonna e último da Whitney Houston, que foi dedicado aos 9 anos de morte da Whitney, completos em fevereiro de 2021. Com esse gancho, resolvi fazer um set exclusivo dela, aproveitei mais outras duas datas importantes, os dias internacionais, da mulher e do DJ, e com isso fiz esse último lançamento.

A pandemia me trouxe a possibilidade de ficar em casa, coisa que sempre foi uma dificuldade, pela quantidade de coisas que faço e exerço, então me aprofundei em pesquisas e produzi cerca de um set por mês. Tem sido um momento bom e incrível para me transportar fora de tudo que estamos vivendo.

“...ao invés de ficarmos apontando quem está certo ou errado, deveríamos pensar em como criar forças de reivindicação de direitos e políticas públicas.”

Agora a pandemia está na fase mais tensa e crítica, mas temos a tão esperada vacina e muitas outras chegando por aí. Qual a sua opinião sobre o posicionamento do setor de eventos nestes mais de doze meses sem eventos? 

Eu acho que em um contexto geral estamos nadando contra a maré. Venho trazendo em minha coluna aqui na Colors, assuntos para refletir e ligados diretamente a esse ponto. Enquanto o setor não criar vozes e representantes, que façam expressivamente com o intuito de construir e criar unidade, estamos à deriva. As brigas e discussões sobre o assunto são infinitas, minha opinião bem particular, é que ao invés de ficarmos apontando quem está certo ou errado, deveríamos pensar em como criar forças de reivindicação de direitos e políticas públicas. Estou certo de que é tudo muito bonito e fácil de dizer na teoria, mas precisamos parar de pensar no egocentrismo de achar que seremos e somos estrelas hollywoodianas, e tratar as coisas com seriedade, veemência e luta. Enquanto a luta estiver no âmbito da lacração, para provar quem pode mais e quem tá por baixo, nunca seremos vistos com total respeito. Estou circuncidando o assunto para o lado dos DJs, clubs, baladas, bares  etc, mas é abrangente o pensamento.

Estamos há 1 ano sem poder fazer nada, no sentido jurídico e social, e quem tem respeitado isso, muitas vezes, é arrastado pela avalanche de quem tem visto de forma mais individual e de acordo com suas necessidades, que também é direito dessa pessoa. Mas aí é que está o grande problema e questionamento, vamos continuar ainda no ponto de parecermos um jardim de infância até quando? Por que não nos ouvimos e dialogamos? Volto a dizer e encerrar o ponto aqui, isso não é um trabalho fácil, nem tão pouco confortável, mas acho que vale nossa reflexão ou pelo menos a intenção.

Para finalizar, quais os seus planos para os próximos meses e o quanto esperançoso você está para a retomada dos eventos (seja quando for)?

Na Stars Group Brazil estamos num processo de reestruturação física, num casarão de 115 anos no centro de São Paulo, com grafites do Mena e outros artistas, cuidando de detalhes, bem legais e incríveis, a ideia é que nos próximos meses, estejamos com um funcionamento normalizado, totalmente estruturado e reformado. Além disso, queremos tornar a marca Stars, conhecida em território nacional, com o nosso casting, a marca de roupas, a própria estrutura da Stars e mais alguns projetos, que logo logo soltamos os spoilers aqui na Colors.

Com a música, nossos DJs tem feito sets especiais e alimentado no nosso Soundcloud (@starsgroupbrazil), cada um dando a sua personalidade, como uma forma de portfólio e para que mais pessoas possam ser alcançadas pela marca Stars.

O DJ Thiago Torres tem trabalhado em alguns projetos entre eles estão dois sets de tribal house, contando um pouco da minha história musical dentro do tribal, com referências de músicas que fizeram parte da minha história no primeiro set e no segundo DJs produtores com tracks e mashups que acredito serem a boa safra de produtores nesse momento. Além disso, nessa pegada de set direcionado a artistas, venho em uma pesquisa para um set exclusivo da Celine Dion (Minha cantora predileta, do qual sou muito fã) e do Thunderpuss, do qual sempre fui apaixonado pela dupla, pelo Chris Cox e pelo Barry Harris.

E por fim, nesse ano completo 40 anos, e com ele quero lançar um projeto com músicas dos anos 90, anos que me ajudaram a formar muito do meu gosto musical.

Deixo o meu top 10 de músicas que mais tenho ouvido nos últimos dias:

  • The Shapeshifters ft. Billy Porter – Finally Ready
  • Whitney Houston – Million Dollar Bill (Freemasons Remix)
  • John Legend – Ordinary People
  • Sophie Ellis-Bextor – Murder On The Dancefloor
  • Evokings – On The Floor
  • Shygirl – Siren (Basement Jaxx Cruise Mix)
  • Francisco El Hombre – O Tempo é sua Morada
  • Moloko – The Time is Now
  • Hardsoul feat. Ron Carroll – Back Together
  • Madonna – Get Together

Live Set – gravado na Stars –

Instagram: @thestarsgroupbrazil

@thiagotorreseventos

Youtube: Stars Group Brazil

Twitter: @stars_brazil

Facebook: Thiago Torres Eventos

Soundcloud: Thiago Torres

Soundcloud Stars Group Brazil: Stars Group Brazil

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2 comentários em “ENTREVISTA | Profissionalismo múltiplo na pandemia

  1. Produtor e dj talentosíssimo que tive o prazer de conhecer na caminhada! Sucesso sempre!

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