ENTREVISTA | HITMAKER: Do funk carioca ao pop nacional, o artista que vive todas as etapas da criação

Wallace Vianna, conhecido como Hitmaker, relembra o início da carreira, o sucesso com grandes nomes da música brasileira, e revela os próximos passos como cantor e produtor solo.

Wallace Vianna, mais conhecido como Hitmaker, iniciou sua trajetória musical aos 12 anos de idade, influenciado pelo pagode que ouvia na infância, especialmente Alexandre Pires, e também pelo funk do subúrbio do Rio de Janeiro onde cresceu. Desde cedo, passou a compor músicas explorando estilos como pagode e pop. O reconhecimento veio em 2013, quando conquistou projeção nacional ao assinar o hit “Beijinho no Ombro”, sucesso na voz de Valesca Popozuda.

“Comecei a compor aos 12 anos, explorando estilos como pagode e pop. Em 2013, quando ‘Beijinho no Ombro’ se tornou um hit nacional, ganhei visibilidade e credibilidade como compositor. A partir daí, novas portas se abriram, passei a receber convites de grandes artistas e pude consolidar meu nome no mercado brasileiro”, conta.

No início da carreira, o projeto Hitmaker era formado por três integrantes. Juntos, eles assinaram sucessos como “Cheguei”, “Combatchy” e “Só Depois do Carnaval”, produzidos para nomes de destaque da música brasileira como Anitta, Ludmilla, Kevinho, Lexa e Luísa Sonza. Com o tempo, o grupo seguiu caminhos distintos e Wallace passou a atuar em carreira solo, mantendo o nome Hitmaker como identidade artística.

“No início, a união das nossas visões gerou sinergia e projetos de sucesso. Com o tempo, cada um percebeu caminhos pessoais a seguir, um movimento natural de amadurecimento artístico. Trabalhar solo me deu liberdade para desenvolver plenamente minhas ideias, sem perder a essência colaborativa que sempre marcou minhas parcerias”, afirma.

Ao longo de sua trajetória, Hitmaker colaborou com diversos artistas e destaca a parceria com Anitta como uma das mais importantes. A convivência criativa e a troca constante contribuíram diretamente para seu amadurecimento profissional.

“Nossa amizade profissional e busca constante por inovação me ensinaram a enxergar cada música como única, respeitando a identidade de quem está cantando e mantendo a transparência em todas as etapas do processo criativo”, destaca.

Ele também revela que, ao trabalhar com diferentes artistas, aprendeu a adaptar o próprio processo criativo, incluindo a colaboração remota, que hoje é parte do seu método.

“Com a Anitta, aprendi a trabalhar de forma remota, trocamos ideias por WhatsApp, ligações e encontros pontuais, o que agiliza muito o fluxo criativo. Já outros artistas preferem receber a faixa pronta, o que me fez aprimorar o direcionamento artístico desde o primeiro esboço.”

Na hora de escolher com quem colaborar, a autenticidade é um critério fundamental. Para ele, é essencial que o artista tenha uma identidade clara e uma conexão real com o próprio som.

“Procuro alguém com identidade clara, sintonia de energia e verdade no som, características que facilitam conexões genuínas com o público”, explica.

A partir de 2021, além de compor e produzir, Hitmaker passou também a dar voz às próprias criações, iniciando uma nova fase como cantor. Ele conta que essa transição aconteceu de forma natural, já que era ele quem gravava as guias das músicas que produzia.

“Sempre fui eu quem gravava as guias das músicas, então cantar acabou sendo um passo natural. Quando levei isso para o palco, fez ainda mais sentido registrar minha voz oficialmente. Hoje, consigo viver a música por inteiro, da ideia inicial até a performance final”, afirma.

Desde então, o artista vem acumulando marcos importantes, como sua apresentação no Palco Mundo do Rock in Rio e a participação na trilha sonora da novela das nove da Globo, ao renovar a clássica “Mania de Você”, de Rita Lee, em convite feito por Anitta.

“Estou finalizando meu primeiro EP conceitual, que promete ser um marco na minha trajetória. Paralelamente, desenvolvo parcerias internacionais que em breve verei concretizadas, e estruturo um selo próprio para lançar talentos com potencial de inovação”, revela.

Mesmo atuando em diferentes gêneros e estilos, Hitmaker acredita que é a brasilidade que sustenta sua identidade e conecta todas as suas produções com uma assinatura única.

Por fim, sobre o que define um verdadeiro hit, ele compartilha sua régua emocional como critério principal na criação.

“Não existe fórmula pronta, mas meu termômetro é a emoção: se a música me arrepia, sei que ela tem algo a dizer. Busco esse arrepio em melodia, letra e arranjo a cada processo de criação.”

Hitmaker é hoje uma das forças criativas mais relevantes da música pop brasileira contemporânea. Com uma trajetória que une sensibilidade, inovação e autenticidade, ele segue abrindo caminhos para si e para os novos talentos que deseja impulsionar com seu selo. Como ele mesmo define, vive todas as etapas da criação — compor, produzir, cantar e performar — e faz disso sua forma mais verdadeira de existir na música.