ENTREVISTA | A DJ DELCU projeta estreia na Só Track Boa 2026: “Muita intensidade e um set sem medo de arriscar”

Em conversa exclusiva, a DJ mineira radicada em São Paulo detalha a conexão por ‘telepatia’ com Eve, o papel dos corpos dissidentes no festival e a preparação para o b2b.

O ano de 2026 tem sido uma verdadeira virada de chave para a DJ e produtora Delcu. Apontada como uma das pesquisadoras musicais mais interessantes da nova safra nacional, Duda se prepara para um dos maiores desafios de sua carreira: estrear no palco da Só Track Boa 2026.

Para essa estreia monumental, ela não estará sozinha. Dividindo os comandos da cabine em um formato back-to-back, Delcu se junta ao DJ Eve. Juntos, os artistas prometem levar uma fusão densa de house, latinidade, ancestralidade e as batidas marcantes do underground para o Autódromo de Interlagos nos dias 5 e 6 de junho.

Abaixo, a artista detalha a expectativa para a gig, o processo de criação de uma faixa inédita em dupla e a importância da representatividade no line-up:

A confirmação no line-up da Só Track Boa coroou um momento muito especial da sua carreira. Qual foi o seu primeiro pensamento ao saber que levaria o seu som para o festival?

Delcu: É uma mistura muito doida de felicidade, realização e gratidão. Um convite desses faz você pensar em tudo que veio antes e em todas as pessoas que acreditaram no seu trabalho ao longo do caminho. Ninguém constrói absolutamente nada sozinho na música.

Dividir as picapes em formato b2b exige mais do que técnica; exige leitura de pista. Como nasceu a sua conexão com o Eve?

Delcu: Eu admiro muito o Eve e sinto que existe uma sintonia natural entre a gente sonoramente. A primeira vez que tocamos juntos foi algo simplesmente surreal. Nós quase não conversamos durante o set e, mesmo assim, parecia telepatia na escolha das faixas. Quando uma conexão forte assim acontece logo de cara, você só quer continuar explorando esse potencial.

O Eve traz uma bagagem forte do underground fluminense e da cultura Ballroom, enquanto você carrega sua própria identidade. Como tem sido o processo de fusão desses universos no estúdio?

Delcu: Tem sido incrível porque o processo vai muito além de sentar e montar um set. São horas de conversa de bastidores, troca de referências e descobertas musicais mútuas. O mais legal é entender como os nossos universos se atravessam sem que nenhum dos dois perca a própria identidade. Inclusive, até um feat autoral vai sair direto a partir desse convite para o festival.

“Levar um som menos comercial para um palco grande sempre envolve um risco, mas é justamente isso que me anima. Não tem nada melhor do que sentir a pista se abrindo para o inesperado.” — Delcu
O b2b de vocês promete ser um dos momentos mais autênticos e conceituais do evento. Qual o maior desafio de levar uma estética que foge do óbvio para um palco massivo?

Delcu: Levar um som menos comercial para um palco grande sempre envolve um risco, mas é justamente isso que me anima. Não tem nada melhor do que sentir a pista se abrindo para receber algo inesperado.

Preparar um set para festival é completamente diferente de tocar em um club. Como você tem selecionado as tracks para garantir o peso e o groove ao ar livre?

Delcu: Acho que essa preparação na verdade começa muito antes da contratação em si. Tem músicas que você ouve em casa ou no estúdio e já imagina instantaneamente: “isso aqui é música de gigzona”. Acho que o fato de ser clubber assídua e frequentar festivais como público também alimenta muito essa fantasia de pensar no que eu gostaria de ouvir se estivesse na pista.

A cena eletrônica brasileira tem passado por uma transformação com mais mulheres e corpos dissidentes assumindo o protagonismo. Como enxerga o impacto de ver a parceria de uma mulher com um homem trans não binário em destaque na Só Track Boa?

Delcu: Não dá nem para começar a falar sobre música eletrônica sem reconhecer que ela nasceu e continua sendo construída historicamente por corpos dissidentes. De uns anos para cá, tivemos avanços muito importantes dentro da cena nacional, mas ainda existe muito espaço para ocupar. Eu espero de verdade que a nossa presença inspire outras pessoas que possam se sentir representadas ali, e que também instigue outros curadores a olharem com mais atenção para esses artistas.

Por trás de toda grande gig existe um histórico de muito corre. Qual foi o momento mais difícil da sua trajetória que você relembra agora?

Delcu: Por mais contraditório que pareça, a vida trabalhando com música pode ser bem solitária em vários momentos. Então, poder viver um momento grandioso desses em São Paulo, que é a cidade que eu escolhi como a minha casa, cercada de pessoas que eu amo e admiro, deixa tudo ainda mais mágico para mim.

Se você pudesse ‘roubar’ uma track do case do Eve para tocar sozinha, qual seria? E qual música sua vai fazer ele pirar na cabine?

Delcu: Eu roubaria toda a pastinha de unreleaseds dele, com certeza! (risos). E quanto ao repertório que vou levar, acho que ele vai pirar muito em uma faixa inédita minha em parceria com a Slim Soledad que vai sair muito em breve.

“Na semana do festival eu fico mais reclusa, escuto muita música e tento entrar em um lugar mais focado mentalmente. O nervosismo não sobe no palco.” — Delcu

Estrear em um festival gigante gera uma adrenalina única. Você tem algum ritual de bastidores minutos antes de subir ao palco?

Delcu: Na semana que antecede o festival eu costumo ficar bem mais reclusa. Escuto muita música isolada e tento entrar em um lugar mais focado mentalmente. Além disso, tenho um combinado muito sério comigo mesma: o nervosismo não sobe comigo no palco. Na hora do play, é foco total.

Para fechar com chave de ouro: o que o público da Só Track Boa pode esperar quando você e o Eve assumirem os comandos?

Delcu: Podem esperar muita intensidade, conexão real de cabine e um set sem medo de arriscar. A nossa principal ideia é transformar essa troca artística entre eu e o Eve em uma grande experiência coletiva com a pista.

SERVIÇO
  • Atração: Eve b2b Delcu

  • Festival: Só Track Boa 2026

  • Data: 5 de junho de 2026

  • Local: Autódromo de Interlagos (São Paulo/SP)