Celebrando sete anos de carreira e 11 países desbravados, o DJ carioca revela como a humildade e a conexão emocional com o público o tornaram uma figura onipresente nos maiores line-ups da cena.
Di Carvalho é a prova viva de que, em um mercado volátil, a resiliência é o maior diferencial. Com uma trajetória marcada pela autenticidade e pelo uso magistral de vocais em seus sets, ele construiu um legado que vai muito além das pistas: ele constrói comunidades. Nesta entrevista, Di abre o coração sobre os desafios da pandemia, a estreia triunfal no Peru e o sucesso absoluto do seu projeto autoral, o “Barco do Di”. Ele compartilha sua filosofia de “sempre chegar como quem está começando” e como o amadurecimento técnico transformou sua pesquisa musical em algo intuitivo e visceral.
Ele não ocupa espaços à força; ele é a escolha natural de selos e clubes que buscam profissionalismo e entrega. Conhecido por sua simpatia contagiante e por um sound design que privilegia o vocal — elemento que ele considera a ponte para a memória afetiva —, Di já levou o DNA brasileiro para 11 países. Além de DJ, ele é um gestor de experiências, transformando datas comemorativas em eventos esgotados, como seu B-day e o icônico passeio náutico. Para 2026, ele projeta levar sua marca para novos mares e festivais, mantendo a premissa de que o sucesso é consequência da verdade e da memória que se deixa nas pessoas.
Como manter a humildade quando o ego da cena eletrônica fala alto? Qual o segredo para transformar uma gig em uma relação de anos? Di Carvalho responde a essas questões com a serenidade de quem sabe que o aprendizado nunca termina. Ele nos guia pelos bastidores de sua preparação física e mental e dá um conselho valioso para quem está começando. Confira o papo na íntegra com o nosso maravilhoso Di Carvalho.
Di, o texto da sua matéria destaca a “permanência”. Qual foi o momento mais desafiador nesses sete anos em que sua resiliência foi testada?
Sem dúvida, foi a pandemia. Foi uma classe extremamente afetada e a última a voltar. A incerteza era total: não sabíamos quando voltaríamos, se o público lembraria da gente ou como os clubes funcionariam. Como somos autônomos e prestadores de serviço, essa insegurança pesa muito. Foi um período difícil, mas voltamos com força total.
Em um meio onde o “ego” muitas vezes fala alto, como você mantém a humildade e a simplicidade como pilares do seu trabalho?
Eu sou uma pessoa muito comunicativa e me conecto fácil com as pessoas. Eu entendo quem é mais tímido, mas esse meu jeito simpático me ajuda muito. Eu sou o mesmo Di Carvalho que começou há sete anos. Levo comigo a frase: “Sempre chegar como quem está começando”. Nunca chego como quem já conquistou tudo, porque sempre temos algo para aprender e amadurecer. Esse é o segredo: a humildade.
Recentemente você viveu uma maratona de 12 datas consecutivas. Como é o seu preparo físico e mental para entregar 100% de energia em cada gig?
Tenho muita responsabilidade com a minha carreira. Hoje, eu evito gatilhos que me desgastam. Durmo e me alimento bem. Tenho um ritual: chego, vou direto para o camarim, fico quieto me conectando comigo mesmo e ouvindo o som que está rolando. Falar com muita gente antes de tocar desgasta energeticamente. Eu deixo para abraçar e conversar com todo mundo no pós, depois que entreguei tudo o que tinha no palco.
Sua estreia no Peru foi com casa cheia. O que essa experiência te ensinou sobre a linguagem universal da música e como você adapta seu som sem perder a essência brasileira?
O Peru foi um presente de 2025. Eu acredito muito na identidade sonora, e a minha sempre foi o vocal. O vocal remete a momentos, sensações e transporta a pessoa para uma fase da vida. No Peru, as pessoas vinham falar comigo que já tinham me visto em outras datas, e isso dá um ânimo enorme. Você sente que está no caminho certo quando a sua identidade alcança outras culturas.
O projeto “Barco do Di” nasceu de forma espontânea e já é um sucesso. Qual a importância de ter um projeto autoral para estreitar os laços com os fãs?
Nasceu da vontade de fazer algo com a minha cara. O Eudes, da Joy, me deu essa visão e eu decidi criar algo meu. O barco é uma experiência diferente: natureza, mar, ar livre. Eu penso com muito cuidado no line-up para que a trilha converse com o momento. Infelizmente, no Rio os barcos são pequenos e sempre fica gente de fora, mas em 2026 planejo levar o barco para navegar por novos mares em outros lugares.
Você gravou recentemente seu terceiro “Digital Soul” ao vivo. Como enxerga a evolução da sua sonoridade nesses sete anos?
Vejo como um amadurecimento. No começo a gente experimenta mais; hoje sou mais consciente da minha identidade. Aprendi a construir melhor a narrativa do set, com começo, meio e fim. Minha pesquisa hoje é muito mais emocional, intuitiva e conectada com o presente, filtrando o que está viralizando para ver o que realmente faz sentido para o meu som.
A matéria menciona que você “não ocupa espaço à força, você é convidado”. Qual o segredo para transformar uma primeira gig em uma relação de longo prazo?
É sobre relação, troca e respeito. Você não está ali só para tocar, está ali para somar e respeitar a identidade da casa e do público. O segredo é ser profissional, pontual, tratar bem desde o backstage até a portaria, e entregar um som que marque. Quando existe verdade, vira parceria e construção conjunta.
Como você consome as novas tendências da cena hoje sem deixar que elas apaguem a identidade que você construiu?
Tendência é referência, não é regra. Eu fico antenado no que viraliza, mas filtro tudo pela minha identidade. Não tento ser o que todo mundo está sendo; entendo o que disso conversa comigo. A tendência não pode te apagar, ela tem que te somar. Tem que ter conceito, mas tem que fazer a pista tremer.
Que conselho você daria para o Di Carvalho de sete anos atrás, quando ele estava começando?
Diria para confiar mais na intuição e parar de se sabotar achando que os outros sabem mais que ele. Diria para tomar cuidado com as conexões, se cobrar menos e se permitir errar. Eu diria: “Calma, respira, confia, porque lá na frente tudo vai fazer sentido”.
O que o Di Carvalho de 2026 ainda sonha em realizar que ainda não foi riscado da lista?
A gente nunca chega de verdade. Uma pessoa com dez dias de carreira pode me ensinar muito sobre o mundo e vivência. Meus sonhos incluem fazer o barco navegar por novos mares, tornar meu B-day ainda mais autoral e tocar em selos e festivais que ainda não tive oportunidade. No final, fama e status são consequência; o que importa é o impacto, a verdade e criar experiências que as pessoas levem para a vida.
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