ÍCONE | 20 anos de destaque na cena eletrônica do país

Foto de divulgação.

“Eu me chamo Eliana Sumiko Iwasa, tenho 44 anos, nasci em São Paulo, mas atualmente resido em Campinas. Completo 20 anos como DJ.”

Uma das sócias do antigo Pianno Club em Campinas, a DJ Eli Iwasa ficou conhecida por organizar o projeto ‘Technova’ em meados dos anos 2.000, no Lov.e Club – extinta balada de São Paulo que representa uma boa parte da história da música eletrônica brasileira. Ela já tocou em alguns dos principais clubs de São Paulo, como D-Edge, Sirena, Pacha, Clash Club, Lions, Lab Club, entre outros. Também se apresentou em festivais de música eletrônica no Brasil como Kaballah, XXXPerience e Universo Parallelo. Fora do País, deixou sua marca no Rex Club e Nouveau Casino em Paris, nos clubs Moog, Macarena e Club 4 em Barcelona, no Club 333 em Londres e na Pacha, em Buenos Aires.

Musicalmente, ela passeia por várias vertentes do techno e do house, além de trazer um toque da sensibilidade feminina em seus sets.

Foto de divulgação.

“Daqui dez anos, eu…
Quero continuar sendo DJ, cuidando de todos os meus clubes (Caos e Club 88, em Campinas) e viajando o mundo. Eu falava que ia virar a tia da rave… Acho que foi o que aconteceu mesmo!”

Eli Iwasa vem prestando grandes serviços ao techno no Brasil como produtora, tocadora de discos e gestora do clube Caos, em Campinas. Atualmente, é uma das mais requisitadas DJs do país e já acumula em sua biografia turnês internacionais e discos lançados com o projeto Bleeping Sauce. Lembrando que ano passado, a DJ levou o techno a grandes festivais tradicionais como Rock in Rio, além de DGTL, Photon, Life and Death durante o ADE, Frecuencias no Chile e Baum na Colômbia. Graças a esse trabalho de consistência, ela ganhou um episódio na série “Quando elas tocam” do Canal BIS e foi indicada ao prêmio de melhor DJ do ano pelo WME (Women’s Music Event Awards), maior premiação feminina do país.

Foto de divulgação.

É uma forte influência feminina na cena eletrônica com uma carreira incrível, mas por ser mulher não foi tão fácil passar por algumas coisas como nós sabemos da sociedade preconceituosa e machista que vivemos.

“20 anos atrás era bem complicado, hoje, as meninas estão fazendo barulho, conquistando espaço. Tem cara que ainda diz: ‘ah, mas agora estão chamando só minas para tocar’. Agora é assim mesmo! Precisa reforçar sempre, questionar a ausência feminina no line-up, chamar as meninas para atenuar essa diferença brutal perpetuada por décadas de machismo pesado. Para os homens que duvidam da nossa capacidade, eu digo: veja só, as festas mais interessantes da atualidade tem mulheres na organização, como a Cashu e a Laura Diaz na Mamba Negra, Carol Mattos na MASTERplano, Amanda Mussi na Dûsk e Bárbara Egídio na 101Ø, entre outras. O meu talento está sempre questionado em função de eu ser mulher. Tem gente que diz: ‘Ah, mas ela conseguiu isso por causa do namorado. Ah, é melhor você usar umas roupas mais sérias, seu visual é muito sexy. Você sabe mesmo para que serve este cabo? Não é legal você discotecar de salto alto.’(…) Homem nunca é questionado se faz parceria com uma marca, se ele é feio ou mal vestido. Falem o que quiser, eu vou tocar de salto alto sim, de vestido curtinho. Sabia que em muitas reuniões de negócios tem caras que não falam sobre grana comigo? Chega nessa hora me excluem por eu ser mulher. Acabam engolindo. Assunto de dinheiro é comigo sim, aceita”

Foto de divulgação.

O ano é 2020 e, desde o início da quarentena, foram incontáveis lives, turnê digital, variados sets, exposição de discos, entrevistas, curadoria para os streamings de seus clubs e, por fim, mas não menos importante, a participação na campanha #OQueLevodoAgora, promovida pela Samsung, ao lado de nomes como Anitta, Maisa, Erika Januza, Pedro Sampaio, entre outros.

“Tentei me manter produtiva e ativa, para tentar usar este tempo para entregar muitas coisas que nunca tinha muito tempo para preparar, desde novas músicas, podcasts, entrevistas, vários talks. Foi uma sequência bem grandes de lives. Fui convidada por núcleos muito diferentes entre si, todos os dias. Desde Só Track Boa, até Mamba Negra. Falei com todo mundo. Isso foi muito legal, acabei podendo estar perto de todos os núcleos que eu gosto. Bem bacana tudo isso.”

Essa é o Ícone do mês de dezembro, representando o Underground. Eli Iwasa, uma das principais DJs do País, que se mantém em evidência numa das cenas musicais que mais se renova há duas décadas. De fato: ela não pára!

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