REVELAÇÃO | DOPAMINA : O NEUROTRANSMISSOR QUE ESTÁ BOMBANDO NA CENA PSY TRANCE DO NORDESTE!

Dopamina é o nome do projeto que vem ganhando destaque nas Line Up’s das festas do nordeste. Com embalos dançantes e psicodélicos, o seu som tem tomado as pistas  de forma arrebatadora tornando-as cada vez mais lotadas e frenéticas.

João Victor, de 27 anos, nascido e ainda residente em João Pessoa-PB, ao longo de sua construção viajou praticamente o país inteiro, conhecendo vários lugares e culturas diferentes. Apesar disso, Victor afirma “por onde eu for, quero levar o nome da Paraíba comigo”.

O desejo e a performance de sempre procurar investir no melhor jeito de entregar o seu trabalho ao público fez com que hoje Dopamina seja um dos nomes mais pedidos em eventos de música eletrônica, bem como seu grande alcance de público através dos acessos nas plataformas digitais.

Atualmente o projeto é integrante de um núcleo de DJs chamado Multiverso Coletivo, que movimentam a cena psytrance no nordeste. Tem parceria firmada com a Barracuda, o primeiro Head Shop da Paraíba. É agenciado pela DKbookins e recentemente ganhou dois convites para se tornar residente de duas das maiores festas eletrônicas do nordeste : Underground (Fortaleza), Bug Open Air (Pipa- RN).

Qual a importância da música na sua formação como indivíduo? Conte sobre como a música esteve presente durante a sua trajetória.

A música veio desde criança, sou filho de pais separados, então tive a sorte de conviver com ambientes diversificados e ricos no quesito musical. Por parte de pai, a galera é berço de ouro em samba de partido alto, pagode, então eu cresci de um lado ouvindo Arlindo Cruz, Bezerra da Silva, Mart’nália, Zeca Pagodinho etc. Por parte de mãe, a influência na música puxou mais pro lado do nosso Rock Nacional, Legião Urbana, Pink Floyd, Beatles etc.  Meu avô por parte de mãe era apaixonado por Belchior, Chico Buarque, grandes nomes da MPB que, alinhados aos outros estilos, me deram a sorte de conviver num ambiente eclético e rico. 

“Não importa o tamanho do público, grande ou pequeno, o importante é levar um som de qualidade.” Victor Fernandes.   

Quais conquistas você visualiza como fundamentais para o sucesso do seu projeto?

Eu tenho um carinho enorme pelo Rio Grande do Norte, toquei mais vezes lá e as pistas mais insanas da minha vida também foram lá. Então, no início do ano passado, na edição de fevereiro na Mitologic, eu senti as portas se abrirem pra mim. Rolou ainda no início do ano passado a disputa do DJ Contest Essential no qual eu fui um dos ganhadores com cerca de 7.000 votos. No início ocorreu de forma despretensiosa e acabei ganhando. Ainda no fim do ano passado, toquei na edição da La Braba, também no Rio Grande do Norte, e foi onde eu acabei recebendo o convite para integrar o rol de DJ Residente da Undergroud, uma das maiores festas de música eletrônica do nordeste. Por fim, podemos concluir o ano de 2021 tocando em algumas festas.

Registro da Festa Picco Open Air. (Novembro 2019)

Vamos falar um pouco sobre a sua vertente musical: O psy trance. O que você pode falar sobre o gênero? 

Então, O psy trance é como se fosse uma árvore e cada folha daquela árvore possui uma  vertente diferente. No meu caso, eu tento englobar várias vertentes dentro do meu set, seguindo  principalmente pela linha do progressive trance, variando entre 130 bpm a 145 bpm. Eu tento levar para as pistas um som que agrade o público como um todo. Levando um pouco de psicodelia, junto com um som que faça a pista balançar. O “kik” dá esse efeito bolha, que torna o som psicodélico e dançante através do bassline. 

Como começou o seu contato com o  mundo Psy e como foi o caminho percorrido desde o desejo de trabalhar com a música até a sua formação como DJ?

É engraçado, como eu me interessei com esse fato. Eu não tinha pretensão. Fui a minha primeira rave em 2014 e desde então pensei: “Esse é meu mundo, é aqui que quero ficar”. Comecei a ir para todas as festas e depois eu comecei a escutar e conhecer DJs e selecionar as linhas do psy que eu me identificava, com isso também comecei a selecionar as festas que eu ia. Teve um Carnaval, em que um DJ tocou e me deixou ouvir pelos fones de ouvido dele a mesma música que a pista estava ouvindo, eu achei incrível. Passado o Carnaval, baixei um app no celular parecido com um jogo, no qual era possível fazer mixagens de sons. Aos poucos fui observando e aprendendo a mexer no app, onde fui conseguindo fazer algumas das minhas primeiras mixagens. Mostrei uma dessas mixagens para um amigo meu que era DJ, ele super aprovou e com isso passou a me mostrar mais coisas a respeito de equipamento, programas de mixagens, noções de produção etc. Com o programa de mixagem baixado no computador de uma amiga minha, eu ia produzindo e mandando pro meu amigo DJ e recebendo os feedbacks, foi dessa forma que fui começando a fazer as primeiras produções e me descobrindo como artista. Comecei a brincar e começou a dar certo. De repente eu ia nos churrascos, alguns DJs tocavam e eu pedia: “Deixa eu tocar uma ai”. Em um desses  churrascos, um dia toquei 02 horas seguidas eu percebi que a galera realmente estava gostando do meu som, foi quando eu realmente pensei: “Eu acho que sou apaixonado pela música, eu gosto, eu acho que vou ficar nesse rolê, a galera está curtindo.” Meu primeiro rolê fora dos churrascos e pra uma galera de verdade, foi na Granja Xanadú, em Agosto de 2017, foi muito massa, nesse momento foi quando tive a certeza: “Caramba, é isso que eu quero da minha vida.”  Após esse evento, toquei em uma Creative Crew festinha Open Air em 2017, dali em diante o projeto decolou. Sou formado em Administração, fiz planejamentos e cronogramas sobre o projeto e hoje eu consegui, em 03 anos, o que eu esperava em 05. 

“Reconhecer suas qualidades não é falta de humildade”.

Victor Fernandes. 

Início do Projeto.  Festa Creative Crew, 06 de novembro de 2017.

Sabemos que são muitos os obstáculos enfrentados no mundo artístico. Relata pra gente quais foram seus maiores desafios enfrentados ao longo desses anos de carreira e como lidar com a dificuldade de ser DJ em um ano de pandemia?

Comecei tocando, ganhando cachê e tals e com pouco tempo eu já comecei a viver da música, depois de 01 ano de projeto, em Setembro de 2018, meu avô faleceu, ele era meu pai. Aquele foi o momento mais difícil da vida pra mim, eu nunca tinha perdido ninguém, e foi muito sinistro porque eu moro com minha avó e eu tinha que mostrar que tava “tudo ok”, mas não tava “tudo ok”. Assim, eu nunca tinha sentido o verdadeiro significado da dor de perder alguém. As únicas vezes que eu tinha chorado, era quando havia quebrado meu dedo jogando Handebol e quando meu avô morreu, então foi bem difícil pra mim, porque todo fim de semana eu ia tocar e eu sempre fui “magrelo”, mas eu sempre fui atleta. E depois disso, eu entrei em uma depressão e perdi 10 kg. O meu projeto era minha válvula de escape, eu me desprendia da realidade com a música. O Dopamina era tipo um personagem. Eu largava todos os sentimentos, as tristezas. Divertia a galera, me divertia e quando eu saia do palco tinha que enfrentar toda a realidade. Foi muito difícil. Fim do ano de 2018 foi muito difícil, réveillon desse mesmo ano fui pra Recife curtir a virada em uma Essential  e voltei decidido a acordar do luto e traçar novas metas e planos para o novo ano que entraria. Comecei a compreender melhor a missão do meu avô aqui na terra e comecei  a pensar nos projetos e, consequentemente,  comecei a realizá-los.  

Victor Fernandes e seu Avô o Senhor Luiz Fernandes, na Academia Paraibana de Letras. Dia do lançamento do livro de poesias escrito pelo Senhor Luiz Fernandes.  (04 de Março de 2016).

2020 foi um ano muito tenso, mas não posso dizer que posso reclamar sobre o ano em relação ao meu projeto.  Nesse sentido, foi um ano maravilhoso. Em meio a uma pandemia, eu precisei bolar meios e estratégias para levar o meu produto até as pessoas, então eu comecei a querer investir nisso. Pensei em seguir a ideia das lives que estava em alta nesse período, mas eu queria fazer diferente. Não bastava simplesmente ligar a câmera do celular e tocar. Eu queria qualidade, então investi nisso. Eu queria uma filmagem de qualidade, um equipamento de som que reproduzisse da melhor forma o meu set pelo ao vivo. A primeira aconteceu no Jardim da minha casa, foi incrível, a galera curtiu muito. Fiz lives com drones, toquei em picos paradisíacos, um deles foi o litoral sul da Paraíba, num braço de rio. Foi surreal, a galera chegou a comparar com grandes canais do Youtube que possuem esse estilo de gravação, pra mim foi muito gratificante. Não tinha canal, fiz depois disso, e a resposta do público já no primeiro vídeo foi incrível.

Qual a sensação de sentir o seu projeto  em ascensão no Nordeste no ano de 2021? E quais planos e expectativas pro ano que se inicia?

Em busca de dias melhores! A vacina está aí e uma parte da população já está sendo vacinada, inclusive minha avó foi vacinada recentemente, então isso já me deixa bastante otimista com o ano que se inicia. Sempre em busca do melhor! O melhor set, a melhor performance. Ali com o público é onde eu me divirto, o trabalho é em outro momento, em casa outro momento. Ali eu estou me divertindo levando o meu melhor. Esse ano já estou confirmado na Bug Open Air, que é uma festa de grande público atualmente aqui no nordeste no qual também fui convidado para me tornar residente, a expectativa é enorme para este evento. Lancei recentemente a track “Metamorfose” em parceria com o Singledrop.music que tem um vocal do Raul Seixas, que é uma das minhas influências. Ainda esse ano, também quero lançar um álbum com várias tracks remixadas com vocais da MPB, como por exemplo Jorge Bem Jor, Tim Maia, Chico Buarque, Zé Ramalho etc. Tenho um planejamento no qual eu pretendo lançar a cada 03 meses uma nova track, então para esse ano vem muita track nova!  

Registro da gravação do Movie : “Dopamina no Paraíso”, lançado no dia 11 de outubro de 2020. Disponível no canal do Youtube victorfdopamina.

Registro do Movie “Ponto de Abdução” gravado em Barra de Gramame Sul. Local conhecido como “Porto dos Aliens”. , 22 de Julho de 2020.

Capa do lançamento da Nova track “Metamorfose”. Um collab com participação do DJ Single Drop.music.  10 de Fevereiro de 2021.

Quais suas inspirações dentro da cena Psy trance?

Emind, Muribi, Single Drop, Freedom Fighters, Captain Hook, Groundbass, Burn in Noise, Loud.

– Set de Ascensão:

Ouça Perfect Halloween de Dopamina Psytrance no #SoundCloud

– Música nova

Ouça Dopamina & Single Drop – Metamorfose de Dopamina Psytrance no #SoundCloud

Canal do Youtube

VictorF Dopamina Psy Trance.

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