capa da entrevista

DESTAQUE |GANHAR O MUNDO, MAS SEM ESQUECER DE SUAS ORIGENS

Ele veio de São João Del Rey (MG) e sofreu até preconceito por ser de uma cidade do interior, mas deu a volta por cima e foi ganhando destaque na cena nacional e internacional.

Autodidata, Weslley Chagas tem nove anos de carreira e seu nome está numa trajetória ascendente, mesmo no cenário atual sem festas.

“O público exige hoje mais do que apenas boa música.”Weslley Chagas

Hoje você vai saber um pouco mais sobre sua trajetória, seu método criativo e seus planos para o futuro.

Aquela pergunta clássica: Conta pra gente um pouco da sua trajetória, e como foi o começo da carreira.

No início a gente nunca sabe como vai ser, nem o que vai acontecer, mas nunca tive medo, sempre acreditei em mim.

Assim que me lancei, em 2012, as coisas estavam começando a ganhar visibilidade na internet. Foi aí que aproveitei pra lançar minha imagem e lançar meus sets no SoundCloud! 

Eu estava morando em SP quando recebi o convite pra tocar na primeira festa… 

Logo depois voltei pra minha cidade natal, São João Del Rei/MG e fui residente da boate Divas Club

Abriram muitos caminhos para mim, fui conhecendo mais a cena e recebendo convites para tocar em outras cidades e outros estados. 

Lembro da dificuldade de morar no interior, as pessoas não davam credibilidade a artistas que vinham de cidades pequenas… 

Uma coisa que me marcou muito no início foi uma festa em outro estado, que fui tocar como DJ convidado e no flyer o designer mudou o nome da minha cidade e colocou que eu era da capital. 

Questionei o erro e ele se justificou: dizendo que é da capital fica mais “interessante”. Aquilo me marcou muito, e de certa forma e desde então eu sempre fiz questão de deixar bem claro de onde eu era!

Foto: divulgação.

E a carreira de produtor, em que momento surgiu a vontade ou necessidade de começar a produzir? E como foi essa jornada até atingir o nível de conhecimento que tem hoje?

Sempre fui autodidata, desde a intimidade com um CDJ até a produção musical. 

Com mais ou menos um ano de profissão como DJ, eu percebi que meus sets precisavam de um diferencial no repertório e foi aí que comecei brincando em um programa de mixagem no computador e surgiu meus primeiros mashups.

Eram poucos os DJs que produziam nessa época, então o acesso a material exclusivo era difícil.

Comecei brincando, fui aprofundando e gerando um conhecimento com pesquisas e até mesmo com o tempo.

Baixei vários packs de templates gratuitos e quando assustei estava produzindo remixes.

Tudo que sei hoje eu adquiri com o tempo e sozinho! Costumo brincar com meus amigos que os meus projetos ficam uma “gambiarra” porque não sei se estou fazendo da forma certa, mas o importante é o resultado. A construção é o que menos importa!

Quais são suas maiores referências na cena nacional e no exterior?

Desde o início eu tinha como DJ de inspiração Tommy Love, sempre admirei muito seu estilo musical único e sua capacidade de dominar uma CDJ em seus sets.

Como produtor musical eu tenho vários em referência aqui no Brasil: Mauro Mozart, Edson Pride, Las Bibas e vários outros que produzem uma linha de tribal que me identifico muito! Além de que fora do Brasil tenho como referência Robbie Rivera, GSP, Nacho Chapado, Jackinsky, Oscar Velasquez e o eterno Peter Rauhofer.

A diva que não pode faltar de jeito nenhum na sua apresentação…

Vocais de divas nunca são demais em um set, que inclusive o mercado de vocais brasileiros está cada vez mais ganhando reconhecimento. Amo Pabllo Vittar, Anitta e outros que são indispensáveis. Porém uma diva que nunca falta, é Rihanna!

“Precisamos sempre limpar os ouvidos com outras sonoridades para voltar com novas ideias.” – Weslley Chagas

Mais de um ano sem festas, sem poder sentir a energia do público, se conectar a ele. Como fazer para manter a criatividade nas produções e a mente motivada?

Estou sempre buscando ouvir além do que produzo. Costumo dizer que precisamos limpar os ouvidos com outras sonoridades pra voltar com novas ideias… É algo de afinidade com o processo de criatividade da mente, já entendi que às vezes a inspiração vem e fica por dias e as vezes fico quase ou até meses sem conseguir me inspirar em algo e tá tudo bem!

Qual a sua opinião a respeito da venda de mashups?

Essa questão polêmica na cena já foi discutida várias vezes, mas a verdade é que desde um DJ renomado até um DJ com menos reconhecimento faz a prática!

A criação de um mashup vai além de juntar algumas músicas… Assim como um remix, você precisa se atentar ao tom, a nota, ao tempo… Tudo tem que estar em harmonia para fluir bem e gerar um bom resultado!

Vejo vários DJs nesse período tão difícil que estamos vivendo se mantendo com essa venda.

Inclusive eu tenho um projeto de um pack totalmente gratuito com todas as instrumentais de minhas originais e remixes pra quem quiser baixar e usar! 

Estará disponível em breve no meu SoundCloud.

Quais são as características mais importantes, na sua opinião, que um bom DJ deve ter?

A principal: gostar do que faz e ser um bom profissional!

Quando houver a retomada, em qual grande festa, Club ou selo é seu grande sonho se apresentar?

Sempre tive o sonho de levar meu som pra fora do Brasil e com a pandemia surgiram oportunidades de mostrar mais o meu trabalho. Recebi o convite pra tocar fora do Brasil em 2022, mas não posso falar ainda.

Você recentemente fez um remix oficial pro Big Kid (Singapura). Como surgiu o convite? E qual sua opinião sobre o House Progressivo Asiático, que além dele tem nomes como Toy Armada, entre outros?

Eu amo o Progressive e no ano passado recebi o convite para lançar uma original numa gravadora de Londres. Dali eu fui recebendo convites para fazer remixes. O remix para a faixa do Big Kid foi um desafio, nunca tinha remixado algo parecido… Foi incrível!

Ano passado você lançou um single, “Forever”, que ainda repercute até hoje. Conta mais pra gente um pouco sobre esse bafo, como foi oprocesso criativo, se esperava essa repercussão toda…

Forever foi a minha primeira original, lançada pela Queen House Music e o processo criativo dela foi no início da quarentena.

Eu estava participando de muitas lives e comecei criar tracks exclusivos pros meus sets, quando assustei eu tinha uma base original e aí foi só correr atrás do vocal e surgiu “Forever”. Não foi nada planejado!

Seu último single, lançado mês passado, “This is house”, ganhou até videoclipe. Nele você explora um lado sensual e homoerótico. Como foi essa experiência de gravar o clipe? E o que acha da arte DJing ter se tornado audiovisual? Seria uma moda passageira ou uma tendência que veio para ficar?

“This Is House” era um projeto totalmente diferente! Era pra ter sido gravado em São Paulo junto com o ballet que fazia parte do projeto… Porém com o agravamento do Covid, tivemos que mudar todo o roteiro.

Decidimos gravar aqui mesmo e com os recursos que tínhamos! Logo me veio à mente gravar em um motel… 

A música traz uma sensualidade no instrumental, foi aí que juntamos essa ideia do fetiche e imagem sensual.

Sobre a arte DJing ter se tornado audiovisual, eu acredito que hoje o público exige mais de que uma boa música… 

E eu sempre tento levar algo a mais para meu público.

Que conselho daria para quem está iniciando a carreira agora, de DJ ou produtor musical?

Ter sua identidade musical e acreditar no seu som!

O que podemos esperar de Weslley Chagas em 2021? Tem muitos projetos em vista? Pode dar algum spoiler?

Tem muitos projetos nos próximos meses! Lançamentos de remixes nacionais e internacionais por gravadoras, e também uma festa online de um selo que sou apaixonado…

Para 2022 vem original mix com um vocal bem marcante! É o que posso contar por enquanto…

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