De fã da Pabllo Vittar a produtor de ícones nacionais: conheça a mente por trás do álbum “SUBMUNDO” e do novo Funk LGBTQIAPN+ brasileiro.
A trajetória de S4TAN é um exemplo de como a persistência transforma remixes de quarto em produções de estádio. Nesta edição da Colors DJ Magazine, celebramos os 14 anos de carreira de um artista que não apenas toca, mas molda a estética sonora do pop contemporâneo. O texto percorre desde seus primeiros sets aos 18 anos até a consagração no álbum de Pabllo Vittar, revelando como ele e Maffalda se tornaram curadores essenciais para nomes como Urias e Lia Clark. Com o sucesso estrondoso de “SUBMUNDO”, exploramos como S4TAN fundiu o funk, o experimental e a aura sombria para conquistar milhões de plays e pavimentar novos caminhos para a música brasileira.
Produtor, DJ e diretor artístico, S4TAN é uma das engrenagens mais potentes da música eletrônica e periférica atual. Sua assinatura é inconfundível: uma “aura” enérgica que eleva qualquer faixa original a um novo nível de intensidade para a pista. Após anos atuando no backstage de álbuns icônicos, ele assumiu o protagonismo com o projeto autoral “SUBMUNDO”, onde coordena colaborações que vão de Bibi Babydoll a MC Mari. Sua presença de palco é um ato de ocupação e resistência, utilizando sua estética própria para derrubar estereótipos e provar que o Funk feito pela comunidade LGBTQIAPN+ é uma força global imparável.
Os bastidores da produção para Pabllo Vittar, os rituais de criação em seu estúdio próprio e a visão crítica sobre o apagamento musical na cena são os temas deste diálogo revelador. S4TAN abre o jogo sobre como é dirigir artistas consagrados e o que o levou a alcançar 1 milhão de plays em seu primeiro disco de estúdio. Confira agora o nosso conteúdo DESTAQUE completo e entenda por que o “mundinho” de S4TAN é o destino favorito de quem busca inovação, agressividade sonora e autenticidade em 2026.
S4TAN, são 14 anos de história desde os seus primeiros sets aos 18 anos. Como você enxerga a evolução desse jovem DJ de pequenos eventos em SP para o produtor que hoje assina a sonoridade de ícones do pop nacional?
Fico muito grato por todas as oportunidades que tive, sinto que cheguei onde eu jamais imaginaria, que todo o meu esforço durante todos esses anos valeu muito a pena e enxergo que ainda há muito a alcançar.
Seus remixes e mashups foram a porta de entrada para a sua notoriedade. Qual é o segredo para pegar um som que já existe e transformá-lo em algo com aquela “aura” sombria e enérgica que só você tem?
É natural pra mim imaginar uma música de uma forma completamente diferente do que ela é. Desde adolescente eu vivia “criando” versões e ouvindo remixes. Hoje, com uma estética própria, eu facilmente acabo adaptando qualquer faixa para o meu mundinho, mas gosto de pensar que cada som precisa subir um nível para fazer a pista dançar, sendo mais agitada, mais agressiva ou com algo que a faixa original ainda não tenha.
Estar no álbum da Pabllo Vittar é um marco. Como foi o processo de trabalhar com ela e como o “Halloween da Pabllo” ajudou a consolidar você e o Maffalda como curadores de uma estética única?
Eu admiro a Pabllo desde o início, tanto que um dos meus primeiros packs foi feito com o primeiro EP dela, o Open Bar. É muito gratificante trabalhar com alguém que você admira. Ela trouxe um holofote enorme pro meu trabalho, muitos artistas passaram a me procurar através do que eu fiz pra ela. Continuar produzindo seus shows só trouxe mais reconhecimento para aquilo que começou com um remix de “Apetitosa”.
Você lançou recentemente o álbum “SUBMUNDO”, que já bate 1 milhão de plays. Como foi o desafio de sair dos remixes para dirigir um projeto 100% autoral?
Eu sempre estive no backstage de outros projetos, como a produção do álbum da Kaya Conky (SEX TAPE) e agora com o FENOMENAL da Lia Clark. Estive por muito tempo ensaiando o meu próprio projeto e consolidando na minha cabeça quando seria a minha vez. Foi desafiador, mas sinto que eu estive treinando durante todos esses anos para isso.
“SUBMUNDO” conta com participações de Bibi Babydoll a MC Mari. Como foi a curadoria para unir vozes tão diferentes dentro da sua assinatura experimental?
Algumas parcerias surgiram naturalmente pela amizade que eu tenho com os artistas, mas outras vieram do puro acaso e acabaram combinando com o projeto. A própria MC Zury e o MC Pogba foram uma total surpresa, porque nunca tínhamos trabalhado juntos antes.
Urias, Johnny Hooker, Irmãs de Pau… como você consegue adaptar a sua identidade para dialogar com artistas tão autênticos sem perder a sua essência?
No começo era difícil entender como moldar a minha sonoridade à estética dos outros artistas e criar algo que permeia ambos. Hoje eu percebo que esse mix de sons é um dos traços da minha personalidade, então eu agarro e pontuo muito isso na minha música.
Como você avalia a ocupação de espaços que o Funk LGBTQIAPN+ conquistou na última década e qual foi o seu papel nessa pavimentação?
Acredito que a união artística que tivemos nos últimos anos foi muito importante para a pavimentação e ocupação do nosso funk, principalmente pra tirar esse estereótipo de o que é funk LGBT+ e o que é funk hétero. Mas entendo que mudamos muito pouco o cenário e que é necessário muito trabalho para elevar nossa cultura dentro de um apagamento musical.
Como é o seu processo criativo “no escuro” do estúdio? Você é um produtor de rituais ou de experimentações caóticas?
Felizmente, eu consegui montar meu próprio estúdio nos últimos anos. Então toda a iluminação, decoração e estética acabam trazendo um mood, o que me conforta muito durante o processo de produção e acaba sendo um passo inicial para essa ideia de “ritual”: estar bem e confortável onde vou trabalhar. Eu gosto de deixar fluir, mas é imprescindível fazer uma pesquisa inicial e experimentar misturas antes de qualquer decisão.
Qual é a mensagem principal que você deixa para os novos produtores da comunidade que olham para a sua trajetória como um farol?
É muito difícil começar e mais difícil ainda permanecer na música. Mas se esse é o seu sonho, não desista ou pare, porque por mais que demore a chegar no seu objetivo, é gratificante demais trabalhar com o que ama. E sim, agarre TODAS as oportunidades que passarem!
Com o sucesso de “SUBMUNDO” e 14 anos de carreira, o que o S4TAN está preparando para 2026?
Quero continuar trabalhando no SUBMUNDO, talvez produzir um álbum de remixes ou uma versão deluxe. Também tenho a intenção de rodar muito pelo Brasil e quem sabe uma turnê europeia — é um dos meus grandes sonhos.
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