Na edição DESTAQUE da Colors DJ Magazine, mergulhamos na trajetória de um artista que começou sua história na música ainda criança e, anos depois, trocou a estabilidade da vida acadêmica por um caminho ousado no psytrance. Unindo formação clássica, referências do rock e um olhar afiado para a cultura pop, ele construiu um projeto que questiona padrões, faz rir e, principalmente, faz dançar.
Figura em ascensão dentro da cena psytrance nacional, Pop Dog (Jorge) se destaca por unir peso e acidez em sets recheados de identidade. Seu som explora a fusão entre batidas psicodélicas e a nostalgia pop, criando uma experiência de pista intensa, provocadora e fora do comum.
Nesta entrevista DESTAQUE, o produtor e DJ compartilha desde suas primeiras experiências com a música aos 7 anos até a decisão de abandonar a engenharia para viver da arte. Ele também fala sobre a criação do projeto atual, o humor como ferramenta de crítica, o impacto de seus vídeos virais e o que vem pela frente em sua jornada. Vale o play e a leitura.
Quando foi que a música apareceu pela primeira vez na sua vida e como foi esse começo tão cedo, com apenas 7 anos?
A música sempre esteve presente em casa. Os churrascos e festas tinham sempre muita música, lembro da minha mãe colocar CD’s pra ouvir e dançar comigo em casa. Mas aos 7 anos algo mudou: eu passei em frente a uma casa que tinha uma placa de “Aulas de Violão”, cheguei em casa e falei para minha mãe que queria fazer e comecei. Minha avó me deu meu primeiro violão (que tenho até hoje). Foi ali que comecei a experimentar melodias e entender que eu podia criar sons do zero. Era tudo muito intuitivo, quase como brincar — mas já era o início de uma conexão que só cresceu com o tempo.
Você tem uma formação sólida na música clássica e já tocou de tudo um pouco — de samba a metal. Como essa mistura de estilos moldou o artista que você é hoje?
Essa diversidade foi essencial. A música clássica me ensinou teoria, disciplina e sensibilidade. O samba trouxe alegria e diversão, o metal me mostrou agressividade e atitude. Tudo isso ajudou a expandir minha criatividade e hoje, até nas minhas produções de psytrance, carrego essas influências. Gosto de misturar o que teoricamente não combinaria — e é aí que nascem as ideias mais únicas.
E como o psytrance entrou na sua vida? Lembra do momento exato em que bateu e você pensou: “É isso!”
O psytrance entrou na minha vida através da Hit N’ Run do Skazi. A primeira vez que ouvi até achei que era uma banda, não assimilei a primeiro momento com a música eletrônica apesar de já escutar um pouco de eletrônico, principalmente Summer Eletrohits.
Como na época estava muito envolvido com bandas de rock, Hit N’ Run me cativou imediatamente… me imaginava em cima de um palco tocando e fazendo solos de guitarra com essa música.
Hit N’ Run foi meu toque de despertador durante todo o ano de 2009, no primeiro ano de faculdade.
A partir dessa música comecei a pesquisar e escutar mais o psytrance.
Antes do Pop Dog, você teve outros projetos na cena eletrônica. O que aprendeu com essa fase e o que te levou a criar algo tão diferente com o Pop Dog?
Aprendi muito com os erros (como me mostrava e como me posicionava), com as tentativas de me encaixar em padrões para agradar os “Críticos das pistas”, vulgos “Pai do Trance”. Fiz parte de projetos mais “sérios”, onde não importava o que a pista queria ouvir…Eu apenas tocava o que considerava “a nata avançada da psicodelia”. Mas percebi que eu queria fazer algo com mais personalidade, com humor, com crítica, com liberdade. O Pop Dog nasceu desse desejo de criar um som autêntico, que mistura irreverência com técnica e sentimento.
Em que momento você decidiu largar tudo e viver exclusivamente de música? Teve medo de dar esse salto?
Tive medo, sim. Eu sou formado em Ciências dos de Alimentos pela USP, cheguei a trabalhar em outras áreas. Mas era como viver pela metade. Comecei a fazer alguns trabalhos de freelancer como Designer Gráfico e eu sabia que era muito ruim nisso hahahah.
Então eu pensei: “Se eu consigo ganhar dinheiro com algo que sou ruim, com certeza consigo com algo que sou bom (a música). Foi quando decidi me dedicar 100% à música, foi um salto no escuro, mas também um reencontro comigo mesmo. Hoje, vejo que foi a melhor decisão da minha vida.
A gente sabe que além do projeto autoral, você é um ghost producer com mais de 600 faixas no currículo. Como é estar por trás de tantos hits sem ser o rosto deles?
É curioso. Você sente orgulho, mas também aprende a desapegar. Como ghost, você entende que a música é maior que o ego. Ajudo outros artistas a se expressarem e isso é gratificante. E o que sempre digo para os meus clientes é: No final das contas o que importa mais que a música é o que você faz com ela! O mérito da carreira de todos meus clientes é deles, pois souberam trabalhar a marca e o marketing junto das músicas.
Por exemplo: Se o próprio Astrix tirar uma música do bolso dele e “presentear” alguém que não sabe trabalhar, nada vai mudar na carreira do artista.
E também foi isso que me impulsionou a criar um projeto onde eu pudesse ser o rosto, a voz, a piada e a crítica: o Pop Dog.
Quando nasceu o Pop Dog, ele já veio com essa proposta ousada de remixar pop com psy? Como foi a reação da cena ao seu som e à sua estética?
Sim, desde o início a proposta era misturar o universo pop com o psytrance — de forma escrachada, mas bem produzida. A cena teve reações mistas: alguns torceram o nariz, outros piraram. Mas o que mais me anima é ver gente de fora do psytrance descobrindo o gênero através dos meus remixes. Isso me mostra que estou cutucando onde precisa.
Meu sonho é fazer o psytrance atingir públicos diferentes, popularizar o gênero, assim como o Alok fez com o House. Quero que daqui 50 anos, num boteco de esquina em Xique-Xique na Bahia, um véio peça uma dose de 51 e mande o dono do bar botar uma track do Pop Dog pra tocar no recinto e levantar os bebum.
Seus vídeos virais, o humor, a crítica e o branding são parte forte da sua identidade. Como foi esse processo de sair do anonimato e encarar a câmera como criador de conteúdo?
No começo foi estranho, eu sempre fui mais dos bastidores. Mas entendi que a câmera era uma extensão da arte. Os vídeos virais vieram quando parei de tentar agradar e comecei a brincar com as verdades da cena. A galera se identifica porque é real. E o humor é minha arma: faço rir, mas também faço pensar. Sempre gostei de ser “piadista”, nas rodinhas de amigos estou sempre fazendo trocadilhos e zueiras. Porém, eu sou bem introvertido….Pega até mal pra mim quando alguém que acompanha meu trabalho me conhece pessoalmente hahaha… Geralmente eu faço as piadas com os amigos, mas falou bem baixinho…daí outra pessoa escuta, repete e leva os créditos kkkkkkkk
Hoje, olhando pra tudo que construiu, o que você diria pra quem também quer transformar a paixão pela música numa carreira, mas ainda tem medo de sair da zona de conforto?
O medo sempre vai existir. Mas a pergunta que me guiou foi: “Você quer viver uma vida segura ou uma vida que faz sentido?”. Se a música te chama, você precisa ouvir. Dá trabalho, exige resiliência, mas vale cada segundo. E lembre-se: não existe caminho certo — existe o seu caminho.
E o futuro? O que vem por aí no universo Pop Dog? Tem novos remixes, collabs ou até uma nova fase a caminho?
Tem muita coisa vindo! Novos remixes polêmicos, colaborações com artistas de dentro e fora do psytrance, portas para eventos que sempre tive vontade de participar e vários projetos mesmo fora da cena. Estou testando coisas novas e em breve quero lançar meu primeiro álbum. O Pop Dog está só começando, tenho muita coisa guardada para mostrar…tanto de música, quanto de conteúdo e principalmente da minha personalidade.
Compartilhe isso:
- Clique para compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
- Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
- Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail