Da imersão hipnótica ao suporte das grandes labels: como a produtora catarinense transformou vivências em design sonoro.
A trajetória de Northen Lights no Psy Trance é uma lição de paciência e profundidade artística. Nesta edição da Colors DJ Magazine, mergulhamos no universo de Diana, a artista que encontrou na música um refúgio de infância e, hoje, traduz essa conexão em jornadas psicodélicas que vão muito além da dança. O texto explora o momento decisivo em 2020, quando ela sentiu a necessidade vital de produzir suas próprias criações, revelando como a “Northen Lights” se tornou uma extensão direta de sua identidade e uma das figuras femininas mais respeitadas da cena eletrônica atual.
Com uma identidade sonora que transita por atmosferas hipnóticas e grooves orgânicos, esta produtora catarinense conquistou o respeito de labels nacionais e internacionais. Seu design sonoro é inspirado na fluidez e no contraste da aurora boreal, refletindo uma estética que prioriza a narrativa e a transformação sensorial. Northen Lights não entrega apenas energia bruta; ela constrói ambientes onde técnica e sensibilidade caminham juntas, consolidando-se como uma seletora capaz de guiar a pista por estados de introspecção e expansão coletiva.
A maturidade alcançada em 2023, o desafio de ocupar espaços de destaque sendo mulher e os planos audaciosos para os grandes festivais de 2026 são os pilares desta conversa exclusiva. Diana detalha como a cultura de pista do Sul do Brasil moldou sua leitura de público e o que significa ver seu trabalho validado pelos maiores nomes do gênero. Confira agora o nosso DESTAQUE completo e entenda por que a experiência imersiva de Northen Lights é indispensável para quem busca a verdadeira essência do Trance contemporâneo.
Diana, sua relação com a música vem desde a infância, onde você a descreve como um refúgio e identidade. Como essa conexão profunda e emocional se traduz hoje na atmosfera que você cria durante os seus sets de Psy Trance?
A música sempre foi meu refúgio e uma forma de me reconhecer desde a infância. Hoje, essa conexão se traduz nos meus sets como uma jornada emocional. No Psy Trance, não penso só em energia, mas em conduzir estados, criar atmosferas que começam mais introspectivas e vão se expandindo, convidando à entrega e à conexão coletiva. Cada set é um espaço de verdade, onde minha história pessoal se encontra com a pista. Mais do que fazer dançar, quero criar um ambiente onde as pessoas possam se expressar, se soltar e se conectar consigo mesmas e com o todo.
Sua jornada como DJ começou em 2018, mas em 2020 você sentiu que precisava dar um passo além e mergulhou na produção musical. Qual foi o “estalo” principal que te fez entender que apenas tocar não era mais suficiente?
Quando comecei a tocar, em 2018, aquilo já era uma forma muito forte de expressão. Mas com o tempo, principalmente em 2020, senti que existiam emoções, ideias e atmosferas que eu queria transmitir e que não encontrava totalmente nas músicas de outros artistas. Faltava algo que fosse realmente meu. O “estalo” veio dessa necessidade de dar voz à minha própria identidade sonora. Produzir passou a ser o caminho para transformar vivências, sentimentos e referências pessoais em música, e não apenas interpretá-las na pista. A partir dali, tocar deixou de ser só seleção e passou a ser extensão direta de quem eu sou como artista.
Você consolidou sua carreira no sul de Santa Catarina, uma região com uma cultura de pista muito forte. Como o público catarinense ajudou a moldar a sua presença de palco?
Consolidar minha trajetória no sul de Santa Catarina foi fundamental para o meu desenvolvimento. O público catarinense tem uma escuta muito atenta e uma entrega verdadeira na pista, o que me ensinou a ler melhor os momentos, a respeitar o tempo da dança e a entender o Trance como uma experiência coletiva. Essa troca constante moldou minha presença de palco e minha percepção de dinâmica: aprendi que não se trata apenas de intensidade, mas de sensibilidade, construção e conexão. Tocar aqui me fez crescer como artista e entender que a pista responde quando existe verdade na música e na intenção.
O ano de 2023 é citado por você como o início de um novo capítulo técnico e artístico. O que mudou na “Northen Lights” após esse período de aprofundamento?
2023 marcou um período de aprofundamento e consciência. Passei a olhar para a música com mais critério, tanto no aspecto técnico quanto artístico, entendendo melhor meus processos, minhas referências e, principalmente, o que eu queria comunicar. A Northen Lights ficou mais definida e mais honesta. Hoje minha identidade sonora transita por atmosferas hipnóticas, grooves bem construídos e uma energia que cresce de forma orgânica, sem excessos. É um som que nasce da pista, mas carrega intenção, narrativa e emoção. Me sinto em um momento onde técnica e sensibilidade caminham juntas, refletindo quem eu sou hoje como artista.
Hoje você colhe os frutos de lançamentos em grandes labels internacionais e nacionais. Como é a sensação de ver o suporte de artistas influentes tocando as suas tracks?
É uma sensação de gratidão e responsabilidade ao mesmo tempo. Ver artistas que eu admiro tocando minhas tracks valida o caminho que venho construindo, mas também reforça o compromisso com a qualidade e com a verdade artística. Mais do que reconhecimento, esse suporte me mostra que minha música está conseguindo se comunicar além do meu contexto local. É um incentivo para seguir aprofundando, evoluindo e entregando algo que faça sentido tanto para a pista quanto para quem escuta com atenção.
O nome “Northen Lights” remete a um fenômeno visual único. Como você projeta essa estética visual e mística na hora de produzir o design sonoro das suas faixas?
O nome Northen Lights sempre foi um guia conceitual para mim. A aurora boreal é um fenômeno que envolve movimento, contraste e transformação, e levo essa ideia diretamente para o design sonoro das minhas faixas. Gosto de trabalhar camadas, texturas e variações sutis, criando sons que se movimentam e se transformam ao longo do tempo, quase como um espetáculo sensorial. A estética mística surge dessa combinação entre profundidade, espaço e intenção, buscando provocar sensações mais do que apenas impacto. É uma construção que convida à imersão e à contemplação dentro da pista.
Como você enxerga a sua posição hoje como uma das figuras femininas de destaque na categoria e qual o peso desse compromisso com a arte?
Eu enxergo minha posição com muita responsabilidade e humildade. Estar em destaque como mulher no Psy Trance não é sobre ocupar um lugar por gênero, mas sobre sustentar um trabalho verdadeiro, consistente e com identidade própria. Ao mesmo tempo, sei que a minha presença pode abrir caminhos e ampliar referências. Isso traz um compromisso grande com a arte, com a qualidade e com a forma como me coloco no mundo. Quero que minha trajetória mostre que é possível crescer com profundidade, respeito e entrega, e que a música continue sendo o centro de tudo.
Olhando para trás, qual foi o maior desafio que você superou para chegar a essa maturidade artística e estabilidade de agenda?
O maior desafio foi confiar no tempo do processo. Houve momentos de incerteza, de comparação e de instabilidade, onde o crescimento parecia mais lento do que eu gostaria. Aprender a respeitar meu ritmo, manter constância e não abrir mão da minha identidade foi essencial. Essa maturidade veio quando entendi que estabilidade de agenda é consequência de um trabalho bem construído, feito com verdade e continuidade. Hoje me sinto mais segura artisticamente porque sei quem eu sou, o que entrego e por que faço música. Isso muda tudo.
Seus sets são conhecidos por serem experiências imersivas. Qual é o segredo para manter o público conectado em estado de “transformação coletiva”?
O segredo está na escuta e na intenção. Antes de qualquer técnica, é sobre sentir a pista, entender o momento e respeitar o tempo da experiência. Gosto de construir meus sets como jornadas, com espaço para respirar, crescer e se transformar. Quando existe presença, verdade e leitura do coletivo, a conexão acontece de forma natural. A pista deixa de ser apenas público e passa a ser parte ativa da música. É nesse encontro que a transformação coletiva acontece.
Para fechar com chave de ouro: o que a Northen Lights está preparando para os grandes festivais de 2026?
2026 chega como um ano de expansão consciente. Estou preparando um repertório novo, pensado especialmente para grandes pistas, com mais profundidade, identidade e narrativa. A ideia é levar experiências ainda mais imersivas, onde música, energia e intenção caminham juntas. Mais do que novidades pontuais, o foco é apresentar uma Northen Lights ainda mais madura, conectada com o momento da cena e com o que acredito artisticamente. Quero que cada apresentação em festival seja um encontro marcante, tanto para quem dança quanto para mim.
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