DESTAQUE | NATHALIA FILGUEIRA: A Dança dos Decks

Do ballet clássico ao Tribal House: como a ex-dancer transformou o movimento do corpo em potência sonora.

A trajetória de Nathalia Filgueira é a prova de que a música eletrônica é uma experiência multissensorial. Nesta edição da Colors DJ Magazine, exploramos a transição orgânica de uma artista que trocou as sapatilhas de ballet e o stiletto pelos fones de ouvido, sem nunca perder a ginga. O texto revela como a disciplina técnica da dança profissional e o olhar atento dos palcos prepararam Nathalia para se tornar uma das DJs mais performáticas da cena atual, unindo técnica de mixagem a uma presença de palco arrebatadora.

Especialista em criar conexões viscerais com a pista, esta DJ e educadora trouxe uma nova dinâmica para o Tribal House. Fundadora do NBEAT, ela não apenas domina as pickups, mas também assume o papel de mentora, abrindo caminhos para novos talentos e reforçando a representatividade feminina na cabine. Sua assinatura é marcada por sets onde o som e o movimento se fundem, transformando cada apresentação em uma performance viva que reflete sua bagagem em jazz, hip hop e danças urbanas.

A criação da label “Vai, Nathalia, Vai”, a expansão nacional e a contagem regressiva para a sua estreia internacional no Chile são os pontos altos deste bate-papo. Nathalia detalha o salto de coragem que deu em 2019 e como sua visão de mundo está quebrando padrões e inspirando uma nova geração de artistas. Confira agora o nosso DESTAQUE completo e descubra por que Nathalia Filgueira é o nome que está redefinindo o conceito de performance na cena eletrônica brasileira.

Como a música entrou na sua vida lá na infância? Você já se via envolvida com arte desde cedo?

Desde muito cedo a música era meu refúgio. Cresci cercada de sons e movimentos. Mesmo sem entender muito, eu sentia que aquilo me atravessava; dançar era algo natural. Com o tempo, percebi que não era apenas brincadeira de criança, mas algo que me conectava comigo mesma de forma profunda.

Você começou como dancer, certo? Como foi a transição do hobby para a formação profissional com ballet e jazz?

Aos 15 anos entrei em um projeto de dança na igreja e tive meu primeiro contato técnico. Me apaixonei. Ganhei uma bolsa em uma escola profissional onde estudei ballet clássico, jazz e danças urbanas como hip hop e stiletto. Eu respirava aquilo todos os dias. Logo entendi que a arte seria minha carreira e não apenas um hobby.

Em que momento percebeu que a dança estava te levando para lugares maiores?

Foi quando entendi que a dança era uma forma de expressão e conexão. Ao ver o impacto das minhas performances nas pessoas, percebi que minha arte podia emocionar e transformar. Isso me deu coragem para sonhar em viver exclusivamente disso.

E a virada para o Tribal House? O que aconteceu naquela festa que mudou sua rota?

Foi um divisor de águas. Eu estava na pista como público quando fui convidada para dançar como performer em outra festa. Comecei a frequentar mais esse universo e, toda vez que subia no palco como dancer, eu prestava atenção em tudo: na música, na condução do DJ. Ali nasceu a vontade de aprender a mixar e ir além da dança.

Trocar o salto pelo fone foi um salto de coragem. Como foi se formar DJ em 2019?

Foi um salto de coragem mesmo. Entrei no curso com o coração acelerado, mas precisava aprender aquela arte. Me formei em outubro de 2019, marcando o início de uma nova era. Eu não fazia ideia das proporções que tudo tomaria, mas hoje vejo que foi um dos maiores presentes que já me dei.

Quais foram os momentos mais marcantes da sua trajetória até agora?

Tocar em clubes como The Home e High foi fundamental para meu crescimento. Mas um dos marcos mais especiais foi criar minha própria festa, a “Vai, Nathalia, Vai”. Ela nasceu para reunir tudo o que acredito: música, dança e conceito. Ver o público se conectar com essa proposta me faz sentir no caminho certo.

Além de DJ, você fundou o NBEAT. O que te motivou a ensinar novos talentos?

O NBEAT veio da vontade de devolver para a cena tudo o que ela me deu. Além da técnica, eu queria passar propósito e representatividade. Ver meus alunos florescendo, criando seus caminhos e tocando seus primeiros eventos é uma sensação indescritível.

Seu set é uma performance viva. Como a bagagem da dança influencia sua entrega nos palcos?

A dança é parte essencial de quem eu sou e isso reflete diretamente na minha performance. Eu me movo com o som, interajo e sinto a música no corpo inteiro. Cria uma experiência mais viva e intensa. Não é só sobre tocar, é sobre viver o set junto com o público.

E agora com a expansão nacional e a primeira viagem internacional para o Chile?

Representa um sonho ganhando asas. Saber que vou levar minha arte para o Chile é muito simbólico. É o reconhecimento de todo o esforço e fé no processo. Acredito que é apenas o começo de algo muito maior.

Quais são os próximos passos da Nathalia Filgueira nos próximos anos?

Quero continuar crescendo, tocando em grandes festivais e consolidando minha identidade global. Planejo lançar projetos autorais e continuar formando DJs através do NBEAT. Meu sonho é ocupar espaços, quebrar padrões e inspirar outras mulheres a acreditarem no seu próprio som.