Dos palcos da dança aos 100 mil no Carnaval: como o artista catarinense uniu técnica rigorosa e cultura queer para alcançar o “Novo Level” da cena.
Celebrar dez anos de carreira é um marco que separa os aventureiros dos profissionais, e Luan Poffo entra nesta nova década no topo do seu jogo. Nesta edição da Colors DJ Magazine, revisitamos a jornada do artista que começou no teclado aos 7 anos e utilizou sua bagagem como bailarino para se tornar um dos nomes mais versáteis do país. O texto detalha sua evolução: de um jovem que via a música como sustento ao produtor global que estuda cada frequência, desafiando os rótulos do mercado e provando que o talento, quando aliado ao estudo, rompe qualquer barreira geográfica ou de gênero.
Luan é a definição do artista 360°. Com passagens por 15 estados brasileiros e residências em marcas de prestígio como a Sephora, ele construiu uma identidade que funde o glamour da moda com a energia visceral do clubbing. Sua sonoridade não cabe em caixas: transita com facilidade entre o EDM e o Open Format, levando o Funk brasileiro aos TOP Clubs da Suíça e de Londres. Mais do que um DJ, Luan é um maestro que utiliza mashups potentes e uma presença de palco magnética para empoderar a comunidade LGBTQIAPN+, transformando cada set em um manifesto de liberdade e confiança.
A experiência de comandar 100 mil pessoas em um bloco de carnaval, os bastidores dos cursos com assinatura do mestre Armin Van Buuren e a estratégia digital por trás do projeto “Back to the Future” são os eixos desta conversa franca. Luan abre o jogo sobre as críticas que recebeu no início e como a profissionalização foi o divisor de águas para sua consolidação internacional. Confira agora o nosso conteúdo DESTAQUE completo e prepare-se para o que Luan Poffo planeja para 2026: uma fase de expansão que promete levar sua arte a um patamar ainda inédito.
Luan, sua jornada começou aos 7 anos no teclado e passou por 5 anos como bailarino. Como essa consciência corporal e rítmica da dança te ajuda a “ler” a pista e a entregar uma performance tão energética hoje?
Como artista, a gente traz no nosso trabalho toda a bagagem e as referências da nossa história. A dança e as aulas de teclado foram um primeiro passo fundamental para eu me conectar com a música e com as pessoas. Hoje eu vejo o quanto aprendi e amadureci musicalmente até mesmo com a minha mãe, que era fã de Chico Buarque a The Doors, de Jay-Z a trilhas sonoras. Cada peça e cada história formam o meu quebra-cabeça e o artista que eu sou.
Você completou 10 anos de carreira em 2025. Qual foi a virada de chave mais importante para se consolidar como esse artista global?
Por muito tempo eu não conseguia me enxergar como um artista. Ser DJ primeiro foi uma forma de pagar as contas e me divertir. Mas, para dar passos maiores, eu precisei me profissionalizar. Fui estudar mixagem harmônica, produção musical e fiz trocentos cursos: desde o intensivo para produtores até a aula online do Armin Van Buuren sobre como construir um set. Ninguém nasce um artista da música; eu estudei e trabalhei muito para me tornar um.
Como é o desafio de criar um set que dialogue com públicos tão gigantes e diversos sem perder a sua assinatura pessoal?
Meu maior desafio sempre foi me encaixar nas “caixas” do mercado. Já ouvi que meu som era “muito hétero para os gays e muito gay para os héteros” ou que não iria longe no Open Format por ser comercial demais. Apesar das críticas, celebrei 10 anos de carreira tocando nas principais festas do Brasil e em grandes clubes do mundo. Acho que as previsões negativas não deram tão certo…
O pré-carnaval paulista te colocou diante de 100 mil pessoas no bloco Beleza Rara. Qual o segredo para manter a energia de tanta gente lá no alto?
O segredo é estar conectado 100% do tempo com o público. Existe um fator que não se ensina nas escolas, só se aprende na prática: a leitura de pista. O DJ tem que ter a destreza e agilidade de perceber a energia das pessoas e recalcular a rota quando um caminho não está funcionando. Quando dá certo, é catarse total! Essa conexão é a essência de tudo.
Sua carreira internacional é sólida, com passagens por Miami, Londres e Lisboa. O que o público lá fora mais busca no seu som?
Fora do Brasil toco tanto EDM quanto Open Format. A cultura brasileira está em alta; em Portugal, por exemplo, é incrível ver o quanto eles consomem nosso trabalho. O funk rompeu todas as barreiras! Já em clubes como o Mad Club (Suíça), acabo focando nos hinos internacionais. É preciso se adaptar, pois não toco para mim, mas para os outros, só que sem nunca perder a essência.
Você é o DJ residente da Sephora Brasil. Como funciona a sua curadoria musical para eventos que unem o glamour da moda com a cultura clubbing?
A Sephora foi uma parceira querida. Toquei em diversos Bailes de Halloween dividindo line-up com Pedro Sampaio e Ivete Sangalo. Uma grande realização foi o show no trio da Sephora na Pride de SP em 2025. É maravilhoso trabalhar com marcas que realmente apoiam a diversidade.
Em 2022, você emplacou o Top #19 de Álbuns na Apple Music com o DJ Mix “TNW Pride”. Como você trabalha a produção dos seus remixes para que eles tenham o “punch” necessário?
Esse trabalho me abriu muitas portas e parcerias incríveis. Minhas faixas ficaram entre as mais ouvidas até nas páginas de artistas como a Gloria Groove. Os mashups sempre fizeram parte da minha identidade; são uma forma potente de conectar músicas e sonoridades inesperadas.
Qual a importância de investir em conteúdo visual, como o seu projeto “Back to the Future”, para expandir o alcance da sua arte?
As redes sociais são fundamentais, mas o desafio é que o que funciona hoje pode não funcionar amanhã. O “BACK TO THE FUTURE” foi importante para apresentar meu som na época com qualidade visual. Hoje em dia, o foco já vira para cortes de TikTok e Reels com mashups inesperados. É preciso estar atento às tendências.
Como a música pode ser uma ferramenta de empoderamento para o público LGBTQIAPN+ que te acompanha?
Vejo o DJ como um maestro. A gente canaliza energia através da performance. Para mim, sempre foi importante empoderar a comunidade, inclusive através dos meus shows com bailarinos e drag queens. A cultura queer sempre será parte do meu trabalho.
Para fechar: o que podemos esperar da celebração dessa década de Luan Poffo e quais são os próximos sonhos para 2026?
Esses dez anos foram muito mais incríveis do que eu poderia sonhar! Inicio essa segunda década com novidades: músicas novas que serão lançadas nos próximos meses e shows nacionais e internacionais. A agenda já está com datas até 2027. Fiquem ligados, porque daqui para frente vamos alcançar um NOVO LEVEL!
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