Da fita K7 aos palcos de Paris: a trajetória da residente que conquistou o respeito da cena global.
A história de Jully Beats não é fruto de um momento súbito, mas de um processo orgânico de paixão e persistência. Nesta edição da Colors DJ Magazine, mergulhamos na história da artista que transformou o “mundo proibido” das baladas de sua adolescência em uma carreira sólida e respeitada. O texto explora como a curiosidade precoce pela iluminação e pelas pistas se tornou a base para uma das trajetórias mais consistentes da cena, revelando uma profissional que valoriza a constância e o amor pela arte acima de qualquer hype passageiro.
Com uma assinatura sonora que equilibra técnica refinada e uma leitura de pista invejável, nossa diva brasileira se tornou uma peça-chave no circuito eletrônico. Sua identidade foi moldada em residências icônicas, onde aprendeu a decifrar multidões e a manter o comando do som em qualquer horário. Longe de se acomodar, a profissional expandiu seus horizontes para o mercado internacional, levando a força do House nacional para clubes na Europa e na América Latina, sempre mantendo o carisma e a pesquisa musical intensa como seus maiores diferenciais.
A primeira tour no México, o impacto das pistas francesas e o segredo para manter uma residência ativa desde 2009 são os destaques desta conversa exclusiva. Jully abre o jogo sobre os desafios de ser mulher nos decks no início da carreira e revela seus planos para 2026, incluindo um retorno triunfal a Paris e um novo projeto focado em Tech House. Confira agora o nosso DESTAQUE completo e entenda por que a conexão emocional com o público é o que mantém esta artista no topo da cena há mais de uma década.
Quando você era criança, já estava lá com o rádio ligado na Jovem Pan e a fita K7 pronta pra gravar. Em que momento percebeu que a música eletrônica não era só um gosto, mas parte de quem você era?
Não teve um momento exato, foi um processo. Desde criança tive esse hobby, mas acho que a ficha caiu mesmo quando comecei a tocar e vi que aquilo virou minha profissão. Percebi que era o que eu amava fazer e que sempre fez parte de quem eu fui e de quem me tornei.
Você colecionava CDs e sonhava em entrar em baladas antes da idade permitida. O que aquele “mundo proibido” das pistas despertava em você?
Sempre me despertou curiosidade e um certo encantamento. Eu amava tudo que tinha referência com balada: a música, a iluminação, os DJs. Na minha adolescência, me lembro de organizar festinhas na casa de uma prima com direito a convite impresso, contratação de DJ, iluminação e fumaça (risos).
A primeira vez que você entrou numa balada de verdade, o que sentiu ao ver a energia das pessoas? Ali já nasceu a Jully DJ?
Foi muita emoção, mas a Jully Beats ainda não nasceu naquele momento. Ali foi apenas a confirmação de que eu amava tudo aquilo e que meu coração batia mais forte na pista. A DJ veio alguns anos depois, quando percebi que não queria só estar na pista, mas sim comandá-la, estar do outro lado.
Em 2009, quando começou profissionalmente, a cena tinha poucas mulheres nos decks. Quais foram os maiores desafios e o que te fez não desistir?
Realmente não tinham muitas mulheres, mas o público LGBTQIAPN+ sempre foi extremamente acolhedor. Fui muito bem recebida em todos os lugares por onde passei. Na nossa cena, ser mulher nunca foi um obstáculo; pelo contrário, tive muito apoio e isso me ajudou a crescer e a não desistir.
Ser DJ residente desde 2009 é uma longa história de amor. Como essa constância moldou você como artista e pessoa?
Tive muita sorte. Não é fácil conquistar uma residência em um club conceituado (na época “The Club”), onde só tocavam grandes nomes. Ali aprendi a tocar em qualquer horário e a ler todo tipo de público. Ter essa constância durante todos esses anos moldou completamente o feeling que tenho hoje e quem eu sou como artista.
Quando você sentiu que tinha conquistado seu espaço de verdade na cena nacional?
Não teve um momento específico. Naquela época, sem o acesso das redes sociais, tudo era mais demorado; as pessoas só conheciam seu trabalho te vendo tocar. Fui conquistando meu espaço degrau por degrau, conforme os convites para grandes clubes e festas iam surgindo.
A primeira tour internacional no México em 2016 foi um divisor de águas. O que mudou na sua cabeça naquele momento?
Fiquei feliz de verdade. Quando comecei, nunca imaginei que poderia tocar fora do país. Essa tour me fez entender a dimensão real do caminho que eu escolhi e que minha música poderia atravessar fronteiras.
Como foi representar a cena brasileira e LGBTQIAPN+ em lugares como Paris e Chile? O que essas pistas internacionais te ensinaram?
Foi uma mistura de felicidade e responsabilidade. O Chile é um país pelo qual tenho um carinho imenso e onde fiz amigos que levo no coração. Paris foi surreal e estarei de volta em janeiro de 2026 (spoiler!). Representar o Brasil fora e receber convites para voltar me fez entender a força e a identidade que a nossa música tem.
Você é conhecida pelo carisma e pesquisa intensa. Como é seu processo para montar um set que conecte técnica e emoção?
Meu processo começa antes da pista. Escuto muita música durante a semana — no carro, na academia ou em festas de outras vertentes. Separo o que me identifico, mas na hora de tocar, o mais importante é o feeling de sentir a pista. A técnica me dá segurança, a pesquisa me dá repertório, mas é a troca com o público que faz tudo dar certo.
Onde a Jully Beats quer chegar nos próximos anos? O que ainda sonha em viver?
Quero continuar crescendo com amor pela música, honestidade e sem passar por cima de ninguém. Quero levar meu som a lugares que ainda não conheço. Tenho um projeto paralelo de Tech House que quero explorar mais, mas meu maior sonho é seguir vivendo da música, me reinventando e marcando momentos na vida das pessoas.
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