De líder de fã-clube a residente em grandes selos: conheça a trajetória da artista que trocou a segurança pelo sonho e renasceu em São Paulo com uma identidade potente e autêntica.
Ohanna é um exemplo de que o sucesso não é uma linha reta, mas uma sucessão de escolhas corajosas. Nesta edição, mergulhamos na história da DJ que começou editando músicas para flashmobs da Britney Spears e acabou assumindo o comando das pistas mais disputadas do país. Após uma formação sólida na noite de Fortaleza e um período de incertezas, ela encontrou no Tribal House sua verdadeira voz. Ohanna compartilha conosco os medos de recomeçar do zero em São Paulo, o impacto emocional de ver sua música sustentar sua família e como a nova identidade artística sob a Lainer Company representa muito mais que um nome: é um manifesto de autoconfiança e liberdade.
Nossa Diva traz na bagagem a precisão de quem estudou Gestão de Eventos e a sensibilidade de quem sempre esteve no centro das manifestações culturais. Sua residência na lendária boate LEVEL foi sua grande escola de leitura de pista, mas foi o encontro com o som da dupla ALTAR que despertou a paixão definitiva pelo Tribal. Artista versátil, já dividiu palco com ícones como Anitta e Pabllo Vittar, mas mantém os pés no chão, valorizando cada conquista como um degrau para sua independência. Hoje, Ohanna quebra estereótipos e ocupa espaços com uma postura de quem sabe que o futuro pertence aos que têm coragem de se transformar.
O que faz uma artista consolidada abandonar tudo para recomeçar em outra cidade? Como transformar a paixão por um ídolo pop em uma carreira profissional de DJ? Ohanna responde com sinceridade visceral, revelando os bastidores de sua transição para São Paulo e o que a mantém motivada a inovar constantemente. Uma história de resistência e brilho que você confere agora, com exclusividade, na Colors DJ Magazine.
Você cresceu ouvindo de tudo, do rock à música clássica. Em que momento percebeu que a música era parte de quem você é e não só trilha sonora?
Foi na escola, participando de feiras culturais e gincanas. Eu fazia questão de estar envolvida onde tinha música e dança; era onde me sentia mais viva. Ali entendi que a música era minha forma de expressão. Lembro que eu fazia cadernos e mais cadernos de traduções de músicas em inglês que eu amava.
Na escola, você já liderava eventos culturais. Olhando hoje, aquilo já era um treino para a pista e para a liderança que você exerce como DJ?
Com certeza. Foi um ensaio do que vivo hoje. Estar à frente dos eventos me ajudou a organizar ideias, sentir a energia do ambiente e entender como a música conduz a emoção coletiva. Acabei treinando, sem saber, a responsabilidade de guiar um momento através do som.
A paixão pela Britney Spears te levou a criar fã-clube e organizar flashmobs. Quando essa “brincadeira” virou a chave para querer trabalhar com festas?
Quando percebi que eu já vivia na prática tudo o que envolve um evento: organizar grupos, editar músicas e pensar na experiência. Era produção e espetáculo de forma intuitiva. Ficou claro quando fiz meu primeiro mashup com músicas dela e vi que ficou muito bom. Ali entendi que tinha talento e vontade de levar aquilo a sério.
Você cursou Gestão de Eventos achando que os bastidores bastavam, mas a música te puxou para a pista. Como foi esse choque?
Foi uma revelação. Achei que os bastidores preencheriam meu sonho, mas na prática faltava algo. Nunca imaginei que, além de montar o cenário, eu faria parte ativa do espetáculo. Descobrir que eu podia conduzir a energia da pista foi uma surpresa gratificante. Meu lugar não era só construir o momento, mas comandá-lo.
Em Fortaleza, você foi residente na LEVEL tocando pop e funk. O que esse período te ensinou sobre identidade e público?
A LEVEL foi minha maior escola. Aprendi a ler a pista: entender o tempo do público, quando subir a energia e como transformar o público em clientes fiéis. Conviver com DJs residentes mais experientes me trouxe visão profissional e maturidade artística valiosas.
Em 2015, ao ver a dupla ALTAR tocar, nasceu a paixão pelo Tribal House. O que aquele som despertou em você?
Senti que as músicas do VMC e do MACAU falavam diretamente comigo. Eram remixes de pop e R&B que eu jamais achei que ouviria em uma boate. Ouvi “Party People” e “Sexercise” e me apaixonei completamente. Naquele momento, tive certeza de que o Tribal House era o som que me representava como artista.
Depois de dividir palco com nomes como Anitta e Pabllo Vittar, qual foi o momento em que você pensou: “ok, isso é real”?
Veio até antes desses grandes nomes. Foi na minha primeira viagem para outro estado para tocar. Quando consegui ajudar nas contas de casa com o meu cachê, tudo ganhou um peso diferente. Deixou de ser só um sonho e virou responsabilidade e independência. Entendi que a música era meu trabalho e meu sustento.
Largar Fortaleza e sua residência fixa para recomeçar em São Paulo exige coragem. Qual foi o seu maior medo?
O medo de recomeçar do zero. Sair de onde eu já tinha nome e segurança para um cenário novo, com o risco de não ser reconhecida ou não conseguir me manter e ajudar minha família. Eu estava sozinha. Mas preferi encarar a insegurança do crescimento do que o arrependimento de não ter tentado.
Você quase desistiu até entrar para a Lainer Company e renascer como Ohanna. O que essa nova identidade representa?
Representa a descoberta de uma nova chance. Entendi que sair da zona de conforto era uma oportunidade, não um risco. Foi um renascimento pessoal: a Ohanna que chegou em SP estava insegura; hoje, minha mudança foi de postura e autoconfiança. Mudou como vejo minha arte e como me vejo como pessoa.
“Mereço contar a minha história”. O que você espera que a próxima pista descubra sobre o futuro da Ohanna?
Que a minha história está só começando! Quero que descubram uma Ohanna potente, que não se limita a rótulos ou padrões, mas que usa a música para conexão e liberdade. O futuro é sobre evolução constante, ocupando espaços com autenticidade e fazendo o público não só dançar, mas se sentir liberto.