Celebrando 10 anos de estrada, a DJ e produtora que viralizou com o “Mashup Boladão” revela como transforma o caos sonoro em harmonia e utiliza a música como ferramenta de afirmação e alegria.
Existem DJs que tocam músicas e existem DJs que criam novos mundos. Bonnie B pertence ao segundo grupo. Com uma trajetória que completa uma década em 2025, ela se consolidou como a mestre do Open Format autoral, provando que é possível misturar K-Pop com Pabllo Vittar ou Mamonas Assassinas com Faith No More e fazer a pista explodir. Nesta entrevista, a artista reflete sobre sua jornada como mulher lésbica e “fora do padrão” na cena, o impacto de suas lives durante a pandemia e a sensação indescritível de tocar no trio da Parada LGBT de São Paulo. Bonnie nos ensina que a técnica do mashup vai muito além do BPM: é sobre contar histórias onde a estranheza encontra a perfeição.
Bonnie B é sinônimo de versatilidade e ousadia. Criada entre violões e karaokês, ela desenvolveu um ouvido absoluto para o que funciona no corpo do público. Seu projeto “Mashup Boladão” não é apenas um viral de 500 mil views; é uma demonstração de curadoria explosiva que passeia pelo Pop, Funk, Anime Songs e clássicos da Alpha FM sem perder o fio condutor. Atuando em palcos icônicos como Tokyo e Cineclube Cortina, Bonnie equilibra o comercial com o alternativo na base da “ousadia e alegria”. Para 2026, ela mira os grandes festivais e a produção autoral, pronta para mostrar que sua autenticidade é o que a faz gigante.
Como saber se dois sons opostos vão dar liga? Qual o segredo para manter o flow em um set que vai de Anitta a Miley Cyrus? Bonnie B abre o jogo sobre os bastidores da criação de seus edits e compartilha os momentos de maior afirmação pessoal em seus 10 anos de carreira. Uma conversa necessária sobre representatividade, técnica e a meta ambiciosa de conquistar palcos como o Rock in Rio. Confira agora o papo completo com a nossa DESTAQUE, Bonnie B.
Bonnie, como o repertório da “Bonnie ouvinte” se transformou na curadoria explosiva da “Bonnie DJ”?
Ser eclética me faz estar aberta a descobrir vibes sem ficar presa a uma vertente só. Essa diversidade me permite encontrar similaridades em coisas que, aparentemente, são diferentes. Seja por questões técnicas ou sensoriais, dá para contar histórias juntando recortes que funcionam harmonicamente, mesmo na estranheza.
O “Mashup Boladão” nasceu em 2014 e viralizou. Qual o segredo para uma combinação inusitada realmente funcionar na pista?
Algumas misturas aparecem quase por osmose, quando o cérebro encaixa uma coisa na outra. Mas o que determina o sucesso na pista é a identificação instantânea. Se as duas músicas originais são icônicas para aquele público, a chance de eles embarcarem na nova mistura é muito maior.
Você completou 10 anos de carreira em 2025. Qual o sentimento de olhar para trás sendo uma mulher lésbica e “fora do padrão” de destaque?
Fico feliz que minha trajetória inspire pessoas a tocar e produzir. Como mulher gorda e LGBT, espero que os lugares que ocupo mostrem a outras mulheres que podemos estar onde bem entendermos. Participar do trio das Lésbicas na Parada LGBT de SP em 2024 foi uma celebração incrível de quem eu sou.
Seus sets passam por estilos muito diferentes. O que mantém a “liga” nessa mistura toda?
Eu adoro contar uma história. O BPM é o ponto essencial para manter o flow enquanto passeio pelos estilos. É ele que mantém o ritmo no corpo e dá a liga entre o Pop, o Funk e até o Anime Song!
Existe algum mashup que, quando você solta, sente que a energia da pista muda completamente?
Tenho reações maravilhosas com “Wrecking and Shout” (Miley Cyrus X Britney Spears) e o mashup “Bola Obsession” (EXO X Anitta), que é um hit absoluto com o público de K-Pop.
Como a experiência das lives na Twitch influenciou seu jeito de tocar agora no presencial?
As lives me deram abertura para explorar gêneros que eu tocava pouco e me mantiveram em movimento durante o caos da pandemia. Por causa das longas horas em pé nas transmissões, não me senti “enferrujada” quando a noite voltou de verdade.
Qual a sua principal regra técnica na hora de produzir um mashup?
Checar BPM e tonalidade é o básico, mas eu tento sempre misturar fragmentos das faixas, e não apenas colocar um vocal em cima de um instrumental. O mashup tem que ser uma música com começo, meio e fim. Se for só um trechinho, é uma virada de set, não um mashup.
Como você equilibra os hits que todos esperam com as surpresas inusitadas da sua marca?
Na ousadia e alegria! Eu dou o que eles querem ouvir, mas me sinto livre para inserir algo que os surpreenda dentro do briefing.
O que a Bonnie B prepara para 2026?
A meta é sempre para cima! Quero chegar a novos lugares e produzir novos sons. Almejo palcos grandes, como o Rock in Rio, e trabalhar com marcas onde minha autenticidade some. Vou mergulhar na produção autoral e já estou bolando projetos de mashups e remixes para o Carnaval!
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