DESTAQUE | BONEKINHA IRAQUIANA: A Maestrina do Submundo

Da Baixada Santista para a Europa: como a artista uniu a herança do Samba à agressividade da Bruxaria para redefinir o Funk experimental no cenário mundial.

Bonekinha Iraquiana é uma força da natureza que não pede licença para ocupar espaços. Nesta edição da Colors DJ Magazine, destacamos a trajetória da DJ e produtora que transformou a sonoridade “dark” e estridente do Funk de São Paulo em um artigo de exportação. O texto percorre sua formação raiz em Santos, influenciada pelo samba do pai e pelo proibidão dos vizinhos, até sua consagração em palcos como Mamba Negra e Boiler Room. Com passagens icônicas por rádios internacionais e participação no histórico álbum “FUNK.BR”, ela detalha como o coletivo Weird Baile foi o catalisador para que sua identidade — marcada por graves pesados e distorções — ecoasse de Londres a Paris.

Autêntica, densa e visceral. Bonekinha Iraquiana é o nome por trás da estética sonora mais pesada e instigante do Funk atual: a Bruxaria. Fugindo do óbvio, ela constrói sets que são verdadeiras experiências sensoriais, onde o agudo estridente encontra o grave que faz o peito vibrar. Representante orgulhosa da Baixada Santista, ela utiliza sua plataforma para mostrar que o Funk é sentimento e resistência. Seja em grandes festivais como o Rock The Mountain ou em clubes underground, sua missão é clara: levar a real estética do submundo de São Paulo para o mundo, provando que a música experimental brasileira é capaz de conectar públicos de todas as vertentes eletrônicas.

O batismo de fogo no B2B com Mu540, a reação dos gringos ao peso da Bruxaria e a representatividade da Baixada no projeto global da NTS são os pontos altos desta conversa exclusiva. Bonekinha abre o jogo sobre como prepara o terreno em novos países e revela seus planos ambiciosos para 2026, que incluem novos EPs e a possibilidade de um álbum autoral. Confira agora o nosso conteúdo DESTAQUE completo e entenda por que a Bonekinha Iraquiana é a artista que está fazendo o mundo inteiro dançar no ritmo do nosso submundo.

Foto de @victoriabuque
Bonekinha, a música sempre esteve presente na sua vida em Santos. Como o apoio do seu pai no Samba foi o primeiro empurrão para você se tornar a artista que é hoje?

A música sempre esteve presente na minha vida, na minha casa, junto com meu pai, com o samba, e com o meu vizinho escutando funk proibidão. Com certeza, isso fez com que eu começasse a gostar de música também. Acho que esse foi o pontapé inicial para eu poder ter essa vontade de trabalhar com música.

Em 2019, você mergulhou no Funk com foco na Bruxaria e no Submundo. O que te atraiu nessa estética sonora tão específica?

Com certeza, o que me atraiu foi a estética sonora de ser muito pesada, de ser um som com muitos elementos, muitas distorções sonoras, muito agudo e muito grave. Essa sonoridade mais dark, mais de fato submundo, foi o que me atraiu. Uma estética pesada, sonoramente falando.

Foto: @victoriabuque
Você faz parte do projeto WEIRD BAILE. Como essa coletividade ajudou a moldar a sua sonoridade e a fortalecer o Funk experimental no Brasil?

O Weird Baile é muito importante para mim porque eu já os escutava muito antes de saber o que era de fato o coletivo. Fazer parte disso hoje é especial porque eu sei a importância deles para o funk experimental. Somos de diferentes partes do Brasil, então sempre temos sonoridades de estados onde o funk é muito presente, como Rio, São Paulo e BH. Conseguimos juntar todos esses elementos; o Weird Baile é o funk brasileiro.

Mamba Negra, Batekoo, Boiler Room… Qual dessas apresentações foi o seu “batismo de fogo”?

Com certeza foi a Mamba Negra, na primeira vez que toquei, em um B2B com o Mu540. Fomos o primeiro set de funk paulista que teve na Mamba. A gente brinca que foi o meu batismo do Weird Baile também. Essa Mamba Negra de 2022 foi muito marcante, pois pude ver que não só o público do funk era o meu público, mas também pessoas que gostavam de eletrônica e outros tipos de música.

Como foi representar a Baixada Santista no álbum “FUNK.BR – SÃO PAULO”, um projeto de alcance global?

Fazer parte desse álbum com “Submundo Amedrontador 2.0”, com o DJ Thiago Martins, foi muito legal mesmo. Foi da hora ver esse reconhecimento. Nós somos daqui da Baixada Santista e nos ver em um álbum que se tornou mundialmente conhecido, que é o FUNK.BR da NTS, foi muito bom para representar a Baixada.

Em 2024, você conquistou a Europa. Como foi ver a galera de cidades como Londres ou Paris reagindo ao peso da Bruxaria brasileira?

Foi muito legal ver que não só os brasileiros que moram lá, mas os próprios gringos mesmo são loucos por bruxaria. Eles amam muito o funk do Brasil, recebem muito bem e gostam de verdade.

Como você prepara um set para uma audiência internacional na Rinse France ou NTS, que muitas vezes está tendo o primeiro contato com esse som?

Sempre que toco em um país diferente pela primeira vez, procuro levar a real estética da bruxaria de São Paulo, que são as músicas com mais graves e mais estridentes. Gosto de fazer isso para que eles, de fato, saibam quem é a Bonekinha Iraquiana e o que ela toca. Faço disso a minha forma de me preparar para países novos.

Como é levar a estética “suja” e pesada do Funk de rua para os grandes festivais sem perder a essência?

É muito legal porque as pessoas ficam impressionadas, principalmente as que nunca tiveram contato com a bruxaria antes. As reações costumam ser positivas na maioria. Acho importante nós, que somos DJs de funk bruxaria, trazermos essa estética mesmo com o quão pesada ela possa ser. É fundamental fazer isso.

Qual a mensagem principal que a Bonekinha Iraquiana quer passar para quem está na pista de dança hoje?

A principal mensagem é que a música é sentimento, a música é para ser sentida. Que você possa aproveitar a sua vida com música ao máximo e saber que somos capazes de tudo na nossa vida. É essa mensagem que quero passar na pista.

Para fechar: o que podemos esperar da sua evolução artística em 2026?

Com certeza em 2026 podem esperar mais músicas novas, projetos novos, EPs novos e quem sabe até um álbum. Teremos muita música para 2026, é isso que a gente vai fazer.