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ENTREVISTA | Um Match com Babi

A Colors DJ teve o privilégio de entrevistar a Babi DJ, que neste ano completa 13 anos de carreira.
A Mineira, que já participou do reality show da MTV Brasil, deu Match e transitou por diversas vertentes musicais ao longo da sua carreira. Hoje é um dos grandes nomes do O.F. (Open Format) na cena LGBTQIA+.

“Eu sou LGBTQIA+. É minha natureza, é meu meio, meus amigos, é quem eu sou. “ Babi DJ

Confira abaixo o bate papo exclusivo que tivemos com ela, onde ela nos conta um pouco mais da sua trajetória como DJ.

Quando falamos em Babi DJ, automaticamente pensamos em música, hits clássicos e uma energia que contagia o público na pista. Qual foi o seu primeiro contato com a música e o que ela representa na sua vida?

A música está presente na minha vida desde quando nasci. Minha família sempre foi musical. Meu avô era um exímio conhecedor da música clássica, meu pai dos precursores do Rock (aka Beatles, Led Zeppelin, Rolling Stones e por aí vai) e minha mãe sempre era de Lisa Stanfield, Simply Red, aos melhores da MPB. Então, cresci ouvindo estilos diversos e de maravilhosos musicalmente. A música representa pra mim vida, cura, meu ofício.

No começo de qualquer carreira sempre surgem uma quantidade enorme de desafios e com a carreira de DJ isso não é diferente. Como e quando você começou a sua carreira de DJ? Quais dificuldades você enfrentou para entrar nesse mercado?

Comecei há 13 anos e passei por tudo um pouco. Rs. Comecei na época da faculdade, pois sempre fui cria de MTV, amava todas as premiações, ficava super antenada nas paradas da Billboard, e olha que era uma época que internet era discada, mas eu sempre fui a da turma responsável pela música das festinhas. Até que meus amigos sugeriram eu estudar e começar a trabalhar com isso. Numa época que não era simples ser DJ, não existia acesso fácil a equipamentos e muito menos a softwares de mixagem. Quando comecei, eu quis ir para o eletrônico, sempre amei House Music, e comecei a tocar a vertente Deep por uns bons anos. Foi difícil por ser mulher. Era uma época de mais preconceito ainda.

Foto de divulgação.

“Foi quando eu percebi que ser eclética não era erro, e muito menos falta de personalidade musical.” Babi DJ

No início da sua carreira, você tocava house e deep house e hoje você é muito reconhecida dentro da cena do OF. Para você, isso foi uma ampliação natural do seu repertório para o open format ou uma migração? O que te motivou?

Sim! Na verdade o pop sempre esteve presente, desde minha adolescência. Comecei na cena eletrônica, mas tinha uma vontade enorme de começar a viajar pra tocar. Foi quando percebi que ser eclética não era erro, e muito menos falta de personalidade musical. Eu ia dar minha cara em todo som que fazia e assim comecei a migrar pro Open Format. Sou muito grata por essa escolha, porque me permite viver do meu trabalho e com amadurecimento profissional, consigo dar minha “cara” em todo som que faço.

Você acredita que profissionais do nicho OF são menos notados/valorizados pelo mercado? Por que?

Sinto que hoje em dia melhorou muito. No início, DJ que tocava funk era mega julgado. Imagina comigo, que vim do eletrônico? Mas com o passar do tempo, isso melhorou.

Você já abriu shows para grandes artistas e tocou em grandes eventos e festivais, tendo inclusive já feito tours internacionais. Em que momento, dentre tantos ocorridos ao longo da sua carreira, você considera como um divisor de águas?

Minha entrada para o Chá da Alice em 2012.

Foi muito especial. Uma escola em todos os sentidos. Desenvolvi artisticamente, presença de palco e me possibilitou abrir e fechar shows que jamais imaginei na vida. Sou uma baixinha, sabe? Quando iria imaginar de abrir ou fechar um show da Xuxa? São vivências mágicas. Além do Chá, comecei a ser chamada pra tocar em festivais grandes, com troca de palco e, principalmente, tocar antes do artista principal. Segurar a ansiedade dos fãs de um jeito leve e que entretêm não é tarefa fácil. Consegui conquistar esse espaço ao longo desses anos.

O seu nome sempre foi muito requisitado em festas LGBTQIA+. Como e por que você começou a tocar nesses eventos? E qual a importância que o movimento LGBTQIA+ tem/teve na sua vida profissional e pessoal?

A única coisa que me vem à mente é que eu sou LGBTQIA+. É minha natureza, é meu meio, meus amigos, é quem eu sou.

“o B do LGBTQIA+ não é balela. E os preconceituosos precisaram aceitar a diversidade.” Babi DJ

No ano de 2019 você fez a sua estreia no Baile da Favorita, uma das maiores festas de Funk do Brasil, como foi pra você a sensação de tocar para esse público?

O Baile da Favorita sempre foi um sonho pra mim. Por entender o tamanho que é essa label, e também por já ter essa experiência de tocar entre shows e segurar a festa ali pro artista entrar no palco. Era um sonho mesmo de tocar no maior Baile Funk do país. Minha estreia foi em outubro de 2019 e já fiz mais 2 Bailes. E digo que é inexplicável a sensação de você trabalhar em uma festa que trata o DJ como artista também. Isso é sensacional.

Babi Deejay Video Promo 2020

Os seus sets são bem característicos da cena OF. Tem música que agrada todos os gostos, com músicas atuais e grandes clássicos também, variando os gêneros fazendo combinações incríveis! Você tem alguma inspiração para montar seus shows?

A minha inspiração é literalmente a pista, o público. Eu me coloco no lugar de quem está ali pra dançar, divertir, curtir. Existe muita pesquisa e preparação antes de tocar. Sempre tenho plano A, B, C e meu foco é sempre fazer as pessoas felizes. Acho que esse Norte que me faz ter tanta conexão com a pista.

Você, enquanto uma DJ Mulher e que sempre falou abertamente sobre a sua sexualidade e sobre ser uma mulher lésbica, já vivenciou alguma experiência negativa ou sofreu algum preconceito por esses motivos?

Sim, e muito. Principalmente em BH, minha terra natal. Quando comecei tocava em baladas heteros. Isso foi melhorando demais, até porque, para nossa alegria, o B do LGBTQIA+ não é balela. E os preconceituosos precisaram aceitar a diversidade.

Com a pandemia, todos os eventos previstos para 2020 foram adiados ou cancelados. O que foi mais difícil para você durante todo esse período? E quais são os seus planos e projetos futuros para o pós pandemia?

Sim, a pandemia veio no meu melhor momento profissional, mas sou muito resignada e sinto que o mundo precisava dessa sacudida. O mais difícil é ficar sem o que mais amo, não só pelo lado financeiro, mas estou aproveitando, e muito, esse tempo para preparar uma retomada mais que especial para 2021. Meus planos é retomar de onde estava. E, literalmente, não querer desligar o som da buatchy e trabalhar muito.

Ah, aproveitando o final dessa entrevista, quero agradecer pelo convite. Amei as perguntas de alta qualidade e desejo todo sucesso para a revista. E já já quero todos vocês dançando comigo. E PS: pode pedir música pra DJ sim!

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